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Desobedecer é uma opção. Um 2025 para servir de lição.

Henry David Thoreau como farol no Brasil dos supremos que pensam que “podem tudo”.


Nunca ficou tão clara quanto agora
a necessidade de um Código de Conduta
para o Supremo Tribunal Federal (STF)
.”

Merval Pereira, jornalista e presidente
da Academia Brasileira de Letras (ABL).





Em sua coluna de O Globo deste domingo, 28, além da epígrafe que enriquece este texto, o atual presidente da ABL reforça ainda que é benfazejo que seja o ministro-presidente do STF, Edson Fachin, o defensor da ideia do Código de Conduta em tela, na medida em que o próprio defende a proposta “há anos”. Merval cita também as recentes criações dos manuais análogos por países como Alemanha e os EUA.


Sim, o assunto voltou à tona com as revelações pelos repórteres Lauro Jardim e Malu Gaspar - ambos em O Globo -, sobre as condutas do caroneiro de jato alheio Dias Toffoli e do contrato milionário da sra. Alexandre de Moraes com o enrolado e liquidado Banco Master, do deslumbrado golpista e ostentador Daniel Vorcaro.


Elio Gaspari, também no periódico carioca neste domingo, reproduz trecho de uma coluna da jornalista atacada covardemente pelos esbirros da esgotosfera lulopetista em defesa do ministro Moraes:


Malu Gaspar disse tudo
“O ano de 2025 vai terminando amargo para muita gente que acreditou nos julgamentos dos vândalos golpistas do 8 de janeiro e dos articuladores da intentona para impedir a posse de Lula como salvação da democracia.

Tudo por causa do enredo que começa no contrato da mulher de Alexandre de Moraes com o Banco Master, prevendo o pagamento de R$3,6 milhões mensais ao longo de três anos por serviços até agora desconhecidos, e segue com a pressão do ministro sobre o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pela aprovação da venda do Master ao BRB, banco estatal de Brasília.”


8 a favor
Sim, 6 ex-presidentes do STF, os ministros aposentados Cezar Peluso, Rosa Weber, Ayres de Brito, Marco Aurélio Mello, Carlos Velloso e Celso de Mello, todos se somam ao atual e autor da proposta e à ex-presidente Carmen Lúcia, que já declarou apoiar a criação. Gaspari cita uma fala de 2024 do polêmico Alexandre de Moraes se declarando contra, vejam só. O único até agora que falou nesse sentido, diz o colunista.


Thoreau neles!

Na coluna de 16 de novembro último, aqui para ler, me comprometi a citar novas reflexões, frases venenosas e aforismos categóricos do impagável anarquista norte-americano Henry David Thoreau (1817-1862), inspiração para qualquer ato pacífico de críticas a governantes, magistrados e legisladores que não se comportam à altura dos cargos que ora ocupam e dos desafios que atendam aos reais anseios dos pagadores de impostos.


O “melhor governo”

“O melhor governo é o que governa menos”, assim, aspeado, na primeira frase de A Desobediência Civil, de 1849, ensaio fruto de uma noite passada na cadeia, em 1846, quando fora detido por se recusar a pagar impostos em protesto contra a guerra do México e a escravidão. Anarquista, pacifista e abolicionista, portanto. À tese que ele disse aceitar entusiasticamente, acrescentou:


“O melhor governo é o que absolutamente não governa”. Emendando: “e quando os homens estiverem preparados para ele, será o tipo de governo que terão. Na melhor das hipóteses, o governo não é mais do que uma conveniência, embora a maior parte deles seja, normalmente, inconveniente - e, por vezes -, todos os governos o são.”


Sugestão de Thoreau
“Não poderá existir um governo em que a consciência, e não a maioria, decida virtualmente o que é certo ou o que é errado? Um governo em que as maiorias decidam apenas aquelas questões às quais se apliquem as regras de conveniência? Deve o cidadão, sequer por um momento, ou minimamente, renunciar à sua consciência em favor do legislador? Então, por que todo homem tem uma consciência? Penso que devemos ser homens, em primeiro lugar, e depois súditos.”


Ainda sobre leis e legisladores…

“A única obrigação que tenho o direito de assumir é a de fazer a qualquer tempo aquilo que considero direito. (...) A lei jamais tornou os homens mais justos, e, por meio de seu respeito por ela, mesmo os mais bem-intencionados transformam-se diariamente em agentes da injustiça.”


Sobre o contrato da sra. Alexandre de Moraes com o Banco Master, responsável por calotes em milhares de correntistas e 12,2 bilhões de reais em fraudes num banco público, fica a dica de Thoreau quando se referia à escravidão:


“Há novecentos e noventa e nove defensores da virtude para cada homem virtuoso. Mas é mais fácil lidar com quem verdadeiramente possui algo do que com quem apenas o guarda temporariamente.”


Princípios e “leis injustas”
“A ação baseada num princípio, a percepção e execução do direito, modifica coisas e relações; é essencialmente revolucionária e não condiz inteiramente com nada que lhe seja anterior. (...) Leis injustas existem: devemos contentar-nos em corrigi-las, obedecer-lhes até triunfarmos ou transgredi-las desde logo?”


Uma lição de Confúcio e a vergonha alheia
Ainda sobre a submissão ao Estado, desta feita divagando sobre o acúmulo de riqueza, Thoreau cita o filósofo chinês Confúcio (551 a.C.479 a.C.):

“Se um Estado for governado pelos princípios da razão, a pobreza e a miséria serão objeto de vergonha; se um Estado não for governado pelos princípios da razão, a riqueza e as honrarias serão objeto de vergonha.”


Derradeiras reflexões de 2025
Onde estão neste país precário, estagnado e injusto, os princípios da razão? Pobreza e miséria são objeto de vergonha por essas paragens? E quanto a riqueza e honrarias?


Com a palavra… deixa pra lá.


Feliz 2026!



Créditos imagens Dias Toffoli e Alexandre de Moraes: reprodução fotos Rosinei Coutinho SCO/STF. 




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Toni Remigio
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