Política, liberdade, sectarismo, justiça e impunidade no retrovisor de mais uma semana de janeiro
Jovens políticos roubam a cena enquanto veteranos e mentecaptos pilham almas, esperança e crença de dias melhores em um país de contrastes e imobilismo
Está dura a vida de quem sonha em escrever sobre algo de fato auspicioso, novo ou inspirador nas terras bananeiras do lado de cá do trópico.
O ano de 2026 já havia iniciado quando este redator deixara prontas duas resenhas nada ácidas - pelo contrário -, algo básicas, leves, amenas e que inspirassem dias de reflexão e paz em mais um janeiro por essas paragens, tempo de chuvas que iniciam assaz fugazes e dias ensolarados que se vão, senão cedo, nunca antes do sol se pôr quando já é tarde.
Liberdade
Falo de brevíssimas - e tão modestas quanto - palavras de obras de Benjamin Franklin e Luiz Felipe d’Avila. Na verdade, lições de prudência, frugalidade e liberdade.
Qual outros “spoilers”, a palavra está empenhada e ambos os textos hão de vir neste site que também é catarse, refúgio, um local de informação e opinião que chegam, senão cedo, ao menos em qualquer parte.
Liberismo
Sob a ótica do erudito fundamental José Guilherme Merquior, “liberismo” seria a soma de todas as liberdades, incluídas, naturalmente, a de expressão somada à política, individual, econômica e religiosa… E é disso que se refere o que vai abaixo, além dos gestos altaneiros dos que têm coragem.
A semana
Em revista, a surpreendente (arma de guerra) manifestação liderada pelo jovem, popular, polêmico e corajoso deputado campeão de votos por Minas Gerais Nikolas Ferreira, a “Marcha pela Liberdade” movimentou a quarta semana deste mês de janeiro em que o escândalo Master e a rede de proteção liderada pelo ministro do STF Dias Toffoli dominam o noticiário nacional dia após dia.
Encontro marcado
Após sete dias, conforme previsto na
segunda-feira, 19, data do seu início, enquanto esta coluna é
finalizada, o movimento deve chegar ao ponto de encontro marcado em
Brasília, então composto por centenas de pessoas que se integraram a ele, quais deputados federais, o senador Magno Malta numa cadeira de rodas e o
ex-vereador Carlos Bolsonaro, o filho “02” de Jair, entre dezenas de outros, alguns deles muito votados.
Ensurdecedor
Qual o clássico oxímoro, o silêncio ensurdecedor de parte da grande mídia sobre o acontecimento (movimento) deve insinuar o pânico que a volta do bolsonarismo causa em amplos setores comunicacionais, digamos assim.
Pesquisas
Outra
possibilidade é a quase certeza demonstrada por pesquisas de opinião
novamente a partir de outubro último, de que as eleições
presidenciais que se avizinham podem ser muito mais complicadas do
que atestavam sondagens após as últimas iniciativas deletérias e
lesa-pátria do incauto reincidente Dudu Bananinha, que culminaram no
tarifaço primeiro de Donald Trump e na reanimação do moribundo
Lula III.
Zero a zero
Discorde-se dos métodos e crenças de Níkolas Ferreira mas, reconheça-se que, em matéria de pautar a opinião pública dormente e geração de fatos políticos positivos, o garoto dá um baile nos veteranos e ultrapassados líderes esquerdistas que gravitam na órbita do octogenário fitness fake das montagens do agitprop petista, com ele próprio, Lula da Silva, à frente da cansada tropa de guerra.
Um a um
Após dias de cão, com saúde fraca, crises de soluço, cirurgias e transferência prisional, quem teve algum alívio na semana finda, graças ao aliado mineiro, foi Jair Bolsonaro. Agora vem a tarefa mais difícil: sabedoria, previsibilidade, harmonia familiar e pragmatismo no campo da direita. Ou seja, em se tratando do “disruptivo clã”, nada que não seja difícil, quase impossível de ocorrer, enquanto Lula agradece.
É ver para crer.
Eduardo foi grande
Um jovem político com currículo de responsa e trajetória fulminante no Rio Grande do Sul, o governador Eduardo Leite, cujo perfil e estilo são pouco conhecidos do distinto público (eleitor em potencial) para além das fronteiras daquele vigoroso estado, após ser desrespeitado pela horda de militantes pagos e sectários que acompanhava Lula em cerimônia “institucional” de inauguração, meteu o bicho na reincidente e canalha coletiva.
Aos fatos
Eduardo Leite, como governador do estado, foi à cidade de Rio Grande participar de inaugurações do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, onde também estaria no ato de assinatura de acordos do setor naval, no caso um novo programa chamado “Mar Aberto”, que prevê investimentos de mais de 2 bilhões no RS.
Amor e medo
Ao ser chamado para a sua fala institucional, Leite foi vaiado como se estivesse em ato político. Sem medo do confronto de ideias, o líder não se intimidou e colocou as hordas comuno-fascistas nos seus devidos e impertinentes lugares:
“Este é o amor que venceu o medo? Não, né. Então vamos respeitar, por favor. Eu estou aqui cumprindo o meu dever institucional, em respeito ao cargo que exerço, em nome do povo do Rio Grande do Sul, com respeito ao presidente da República. Todos nós aqui, eu e o presidente, fomos eleitos pelo mesmo povo, eu respeito o cargo do presidente da República e peço respeito, por favor”, disse ele.
União uma ova
Interrompido novamente, o governador deu outro tapa na cara da hipocrisia petista, aquela da mania do “quanto pior melhor” quando se trata de boicotar tudo que não for da iniciativa de governos do PT, e azar do país, econômica e/ou socialmente falando.
Ou quando aprovam projetos de lei que tratem de privilégios, blindagens e que tais, verdadeiros “jabutis e contrabandos”, urdidos na surdina e no escurinho no plenário em final de expediente, ao lado de qualquer que seja o inimigo ideológico. Após citar quão acirrada foi a disputa de 2022, Leite tocou na ferida exposta novamente:
“Se vocês desejam união e reconstrução, não simplesmente hostilizem quem pensa diferente. Isso não leva a lugar nenhum. A efetiva união que a gente quer para o nosso País, envolve respeito, respeito às funções, respeito às pessoas, respeito aos ambientes. Aqui é um ambiente institucional, é o presidente da República. Não é um comício eleitoral”.
Disposição
A altivez de Eduardo Leite lhe rendeu um
editorial do Estadão, notas e matérias em rádio, TV, jornais e
internet por toda a semana. Dora Kramer, a experiente e respeitada
jornalista, hoje na Folha de S. Paulo, também escreveu uma coluna sobre o
ato e a atitude do gaúcho.
Bom senso
Com o título
“Leite dá a Lula aula de equilíbrio político”, a colunista
acrescentou que o governador gaúcho tem a metade da idade de Lula,
embora aparente o dobro em matéria de bom senso.
Desconstrutor
“Em poucas palavras, político do PSD expôs
a incoerência da pregação governista por união e reconstrução”,
disse ela, acrescentando que o recado estava dado. E que servira
também para “expor a incoerência do slogan governista ‘União e
Reconstrução', militante da prática de desunião e desconstrução”,
escreveu.
No alvo.
Escândalo Master
Em mais esta agitada semana, pontificaram ainda novas revelações sobre aquele que se diz ser o maior escândalo financeiro do país onde, sem pedir licença, surgiram as digitais de suspeitos de sempre, no caso dois capas pretas petistas.
1 milhão por mês
Desta feita, o tsunami tragou para o epicentro do escândalo nomes como o do baiano Jaques Wagner, parceiro das antigas de Lula, e Guido Mantega, o ministro da Fazenda responsável por quebrar o Brasil, e que teria sido indicado pelo senador baiano como consultor do banco (salário de 1 milhão de reais) e a missão de achar um comprador para o antro de trambiques bilionários.
Laranjal
Na esteira, apareceram o “laranjal” do Tayayá, resort preferido do Toffoli, digamos assim, e a rede de fraudes financeiras com digitais de fundos enrolados controlados pelo tal de REAG, liquidado outro dia pelo Banco Central, os nomes de um primo e dois irmãos do ministro (um padre), o cunhado pastor de Vorcaro e o pai dele, que estaria metido em outra maracutaia envolvendo o governo do Amazonas e crédito de carbono.
Tudo junto e misturado. Se janeiro segue quente, imaginem a temperatura quando fevereiro chegar e os recessos acabarem.
A mediocridade tupiniquim
De volta ao janeiro chuvoso da “Mangueirosa”, royalties para Ismaelino Pinto, um tempo perdido na terra de Paulo Maranhão é receber de incautos, involuntária ‘lista de transmissão” enviada à exaustão por histórico mercador de matérias, também “famoso” pelos meios algo heterodoxos de abordagem e “cobertura” política.
Fuxico
Nesta “entressafra” de fatos e notícias relevantes, período em que prevalece a contagem do tempo à espera das datas e definições eleitorais, chove nos campos da esgotosfera o disse me disse, as intrigas palacianas e o fuxico puro e simples.
Mexerico
Na falta da capacidade lógica de perguntar o que precisa ser questionado, apurar, analisar ou criticar, o indigitado gasta seu tempo com o mimimi e o blablablá de sempre.
Inquirir governo e oposição sobre, respectivamente, entregas e promessas; propostas, comparativo de dados e indicadores oficiais, alternativas e algo sobre a agenda socioeconômica do estado ou planejamento estratégico, neris de pitibiribes…
Como de hábito, a carapuça deve cair e… veremos o que vem por aí.
No meu caso específico, sobre crer em palavra ou salvação desse tipo de delinquente, tô fora.
Forever.
Créditos imagem Dias Toffoli: Ton Molina/STF e redes sociais.
