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Faltou o senso de urgência na decisão

Por Ismael Machado

“Quando o Anápolis fez aquela saída a la times de Luiz Henrique, o técnico do Paris Saint German, jogando a bola perto da bandeira de escanteio e correndo para marcar pressão total, o alerta estava dado. O time goiano entrara na partida com a faca nos dentes, a mil por hora, entendendo o que estava em jogo. Uma taça. Para um clube que não possui tantos troféus em sua galeria, dois num ano é um sonho e tanto.

Pois faltou isso ao Paysandu. Faltou entrar em campo com o olho sangrando vontade. O bicolor trotava em campo e o Anápolis a 200 por hora. Eles fervendo e o Paysandu morno. 

O primeiro ataque do time paraense só veio aos 12 minutos, num chute de Kleiton Pego. Pouco. Muito pouco para uma decisão. E em decisão faz falta o não correr, não suar, não entender a dinâmica posta à sua frente. As divididas eram dos goianos. A segunda bola era deles. O que estava acontecendo, afinal?

Muita gente vai começar a dizer que é salto alto (não o da Syanne, que é da melhor qualidade). Não sei se é o caso. Mas há algo a se pensar. Vamos rebobinar a fita. No final da temporada passada, após aquela vexaminosa queda para a terceira divisão, havia um receio muito grande do que poderia vir a acontecer em 2026. Pois bem, sem dinheiro em caixa, o Paysandu deu espaço a uma garotada da base e trouxe reforços pontuais. E encaixou. Isso foi o melhor, encaixou de forma agradável.

Os resultados vieram. O título do Parazão e da Copa Norte e a boa campanha até agora na Série C. Mas há algo que precisa acender o sinal de alerta. O primeiro é o fato de entendermos que os resultados vieram a partir de uma postura de time operário, aguerrido, com fome. A fome é o melhor ingrediente para buscarmos uma vitória, seja em qual campo estivermos.

Penso que aos poucos, o time se encheu de uma confiança excessiva. Ter confiança é ótimo, essencial. Mas excesso dela pode ser prejudicial. Manter a ideia de um operariado da bola me parece ser o caminho para não desandarmos.

O jogo contra o Anápolis reúne esses ingredientes. OPaysandu pecou por não entrar com a mesma fome que o adversário. Entrou leve, sereno, querendo manter a fervura sob controle. Faltou combinar com o Anápolis.

Dito isso, é preciso enfatizar alguns detalhes técnicossimples. corrigíveis. O meio de campo decaiu. O trio Pedro Henrique, Caio Melo e Marcinho, nossa principal arma, está devendo. Caio Melo me parece o mais evidente. Suspeito que ele não anda bem fisicamente. Pedro Henrique também tem jogado abaixo. Contra o Anápoliserrou passes bobos, irritantes. E Marcinho, em que pese ser nossa fonte de lucidez, às vezes peca por talvez se compreender melhor do que é realmente. E tome tentativas de chutes de primeira que estariam mais à feição de um De Bruyne que a um jogador dessas plagas. 

Contra o Anápolis, Kleiton Pego tentou bastante, mas errou muito. É voluntarioso, gostamos dele. Mas não foi noite. Acontece.

E vamos aquilo que penso estar saltando aos nossos olhos. Ítalo. Jogador fundamental nos primeiros meses, tem passado por uma certa seca de gols. E quando isso ocorre evidencia-se sua pior característica. Ele não é um jogador de maior refino com a bola. Muitas vezes o ataque se quebra nele. É um domínio de bola mal feito, é um passe errado, é uma conclusão equivocada. Isso pesa numa partida decisiva. 

Juninho tem pedido passagem. É um fato. E tudo bem, futebol é assim. Fases. A de Juninho me parece melhor no atual momento. Mostrou isso nessa primeira partida da decisão. Fez o gol que pode ter nos salvado. Ou pelo menos, jogou a boia para que não nos afogássemos. 

Thalison me agrada pela engenhosidade. Falta corpo, no entanto. Enrico precisa ter mais cuidado com a bola. Erra muitos passes simples. Podia ter feito um gol, mas faltou aquela dose a mais de técnica. E da mesma forma que Marcinho, Castro em alguns momentos parece imaginar ser Van Dyke. É o melhor zagueiro do time, ninguém questiona, mas seu excesso de confiança o faz errar passes simples e tentar jogadas complexas quando isso não era necessário. Ainda assim, é de confiança.

O gol de Juninho nos trouxe de volta à vida. Não sei se nos instantes em que estivemos quase mortos, a vida passou como em flashes de filme. Se isso aconteceu, espero que tenha sido flashes do Paysandu aguerrido, operário, com senso de urgência e raça, como já vimos em outras ocasiões. 

Domingo é dia de não deixar o adversário respirar. É dia de ser embalado pela torcida e contagiar o Mangueirão. Édecisão. As divididas precisam ser nossas. A vontade maior necessita estar do nosso lado. Fico me perguntando se acredito. Sim, eu acredito. Espero que os jogadores também"

Crédito imagem: Redes sociais




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Toni Remigio
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