#

Paiê, eu fui a um jogo da Champions!

Foi desses dias para se guardar numa caixinha de ouro da memória.  Finalmente, tenho a oportunidade de conhecer Portugal, a terra do meu avô paterno, na qual tios e primos muito queridos fincaram raízes.

Em meu terceiro dia em terras lusitanas, soube que o Sporting, atual campeão português,  iria disputar, em Lisboa, o primeiro jogo das quartas de final da mágica Champions League, o maior campeonato de futebol europeu, diria do mundo. Um acontecimento inédito já que o Sporting só havia chegado uma vez às quartas de final, mas da Taça dos Campeões Europeus, ainda no início dos anos 80. Portanto, na mística Liga dos Campeões europeia, é algo como o Sporting alcançar o andar mais alto dos deuses do Olimpo.

Não sosseguei enquanto não arrumei um jeito de ir. Meu primo, olheiro da base do Sporting, iniciou uma corrida desenfreada para conseguir o tão cobiçado ingresso, já que todos estavam esgotados a essa altura do campeonato. Mas papai Sylvio Neno, filho do vovô portuga Antônio Maria, pediu pra turma santificada, lá do outro lado da vida, pra caçulinha louca por futebol não perder a chance de assistir a um jogo da Champions em terras portuguesas. 

Que Nossa Senhora de Fátima me perdoe, mas bendita virose que fez um dos coordenadores do Sporting adoecer e os dois ingressos dele sobrarem pra mim.  Só faltava arrumar meu parceiro de aventura. Sobrou pra minha prima, torcedora do Porto, rival do Sporting. Tomada pela fúria e determinação dos “Dragões do Porto”, Sofia  incorporou o espírito desbravador dos navegadores portugueses e moveu  terras e mares para realizar meu sonho.

Chegamos ao estádio José Alvalade 15 minutos antes de a partida começar.  Minha obsessão era chegar lá dentro a tempo de ouvir o contagiante hino da Champions com a entrada dos times em campo. Eu e prima Sofia iniciamos, então, uma corrida desesperada por escadas infinitas dentro do estádio.  Subi, ofegante, os milhares de degraus, com a música “Stairway to Heaven”, de Led Zeppelin, na cabeça.  Sim, aquela era uma escada para o paraíso. 

Como duvidar disso se, assim que alcançamos o destino das escadarias, o céu se abriu num cenário divino da paixão pelo futebol? Veio o tão esperado hino da Champions e o clímax do pré-jogo: um dos cânticos da torcida do Sporting é uma versão de “My Way”, de Frank Sinatra.  Um coro apaixonado de 50 mil vozes, embalado por uma das mais belas melodias do mundo. Meus olhos inundaram, como um Rio Tejo de lágrimas. Foi aí que percebi que talvez eu fosse a única pessoa sem agasalho naquele momento, desafiando os 8° que o termômetro marcava. A adrenalina da emoção havia deixado minha alma em chamas. 

Logo aos 5 minutos de jogo, o lateral Maxi Araújo, do Sporting, disparou uma bomba. O goleiro Raya espalmou e a bola bateu no travessão. O goleiro do Arsenal seguiu inspirado, evitando o “golo” dos donos da casa. Até que, já nos descontos da partida, Kai Havertz castigou o estádio dos “Leões de Lisboa”marcando o gol da vitória do time inglês.

Mas o resultado  se transformou em um reles detalhe. Tomada pelo êxtase, só queria congelar aquele momento.  7 de abril de 2026: dia no qual me descobri torcedora de um clube que carrega um leão no escudo. Obrigada, Sporting Clube de Portugal e a todos os envolvidos. Foi linda a festa, pá!




YouTube - @podcastdoamazonico
Instagram - @doamazonico
Facebook - O Amazônico
Toni Remigio
Fale conosco:
E-mail: contato@oamazonico.com.br
WhatsApp - Telegram: 91 98537-3356

Back to top button
Voltar para o topo