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O voo de Celso: ministro do Turismo apresenta indicadores expressivos e mira alto.

Presidente do diretório estadual do União Brasil no Pará, político se equilibra entre permanecer no governo enquanto maioria do partido quer debandada para já.

“Seis meses em política é uma eternidade”

Winston S. Churchill


Como tantas outras agremiações “híbridas” no solo bananeiro, ops, brasileiro, o União Brasil (UB), soma do antigo Democratas que já foi DEM, PFL, PDS, Arena e UDN ao outrora nanico PSL (até 2018) e a ascensão do foguete Jair Bolsonaro naquele ano, está dividido. Cada vez menos, diga-se de passagem. 

Afinal, num lado o pêndulo se inclina onde estão o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, o herdeiro do Carlismo na Bahia, ACM Neto, que se somam aos diretórios de praticamente todo o país e, dizem, inclui seu atual presidente, o pernambucano Antônio Rueda, todos favoráveis ao desembarque.

Do outro, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o ministro do Turismo Celso Sabino, somados a outros gatos pingados bem menos votados. 

Dito isso, seria o partido um saco de gatos? Que nada, apenas mais do mesmo no inexpugnável mundo do fisiologismo, clientelismo, patrimonialismo e outros ismos perenes nessas paragens…

Turismo, COP e Senado

O “dado concreto”, como diria Lula, é que Celso Sabino tem o que mostrar - e como tem -, bem diferente da absoluta maioria das pastas da Esplanada neste terceiro mandato do babalorixá petista, quase todas historicamente mal avaliadas desde, pelo menos, o segundo ano do período em tela.

Agora mesmo, o voluntarismo da polêmica organizadora da COP-30, a tal de Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), deu mais uma colher de chá, uma “levantada” para o ministro “cortar” ao melhor estilo do campeão olímpico Giba, abortando uma decisão que poderia ter sido descartada antes da publicação de um edital pela organização da conferência.

Sim, os dirigentes da OEI publicaram um edital proibindo a venda e consumo de açaí, pato no tucupi e maniçoba nos domínios da organização da COP, as três iguarias locais que, somadas à pescada amarela e ao filhote, compõem o primeiro time da exuberante e deliciosa gastronomia local.   

Foi a proibição ser anunciada pelo jornal O Estado de S. Paulo, para Celso ser rápido no gatilho e responder à altura com um “Aqui não” postado nas suas redes sociais. Toma-te! 

Sobre o veto ao açaí, a justificativa foi o “risco de contaminação por Trypanosoma cruzi", o causador da doença de Chagas, vez que seu preparo não tenha sido pasteurizado. Quanto à maniva e o tucupi, a “proibição” teria sido em razão de ambas as receitas conterem “toxinas naturais se não forem devidamente preparadas”. 

“A movimentação das redes sociais de reação ao edital publicado pela OEI para seleção da gastronomia que vai atender aos espaços oficiais da COP 30 pecou; cometeu um grave erro impedindo a entrada dos principais produtos da gastronomia paraense”, disse o ministro em vídeo publicado no seu perfil do Instagram. 

Mais adiante no mesmo vídeo, Celso revela que, com a chancela do representante junto à Casa Civil da Presidência na conferência, entrou em contato com os organizadores no âmbito da OEI, tendo garantia de que a correção será feita e o edital, cancelando a proibição, vai ser republicado. 

Passada mais esta polêmica, Sabino terá diante de si os próximos obstáculos a serem superados; e não são poucos. 

Primeiro e mais próximo, quanto a decisão dos dirigentes do seu partido que recentemente sob a liderança de Rueda, do padrinho da indicação do paraense ao ministério Lula, deputado Arthur Lira, e outras lideranças do Centrão, formaram uma federação com o Progressistas (PP).

Aliança esta que possui cerca de 20% dos integrantes das duas casas do Congresso Nacional, os mesmos que deverão definir, afinal, o desembarque ou não da federação do governo petista.

Respondida a questão, o ministro saberá qual rumo tomar e em que situação estará durante a COP-30, pois resta evidente que as decisões terão impacto tanto no seu protagonismo ao lado de Helder Barbalho e Lula na conferência, quanto ao day after, no caso as composições e definições para 2026. 

O deputado federal licenciado e atual ministro já declarou que, com o apoio e após deliberação do diretório nacional do UB, é pré-candidato ao Senado ano que vem. Com duas cadeiras em disputa, o que não faltam são postulantes. 

Nesse caso, caberá ao governador paraense bater o martelo sobre qual será o seu futuro político e quem e em quais condições irá apoiar para a segunda vaga rumo à Câmara Alta. 

Seu velho aliado Chicão, o carismático presidente da Alepa, também já anunciou a vontade de disputar uma cadeira no Senado da República, oportunidade em que a ampla maioria dos seus pares disse apoiá-lo.

Donde conclui-se que, se uma vaga deve ser preenchida pelo centro político e neste espectro Helder Barbalho segue líder e apoiado por cerca de ⅔ do eleitorado, o atual governador larga na frente e com folga. 

Em seguida, nomes de relevo também ao centro e a centro-direita, como o atual senador Zequinha Marinho, os deputados federais Éder Mauro e Joaquim Passarinho; o ex-governador Simão Jatene, o próprio Celso Sabino e o ex-senador Mário Couto não podem ser subestimados ou esquecidos até que as decisões e prazos formais se encerrem nas datas definidas pela Justiça Eleitoral. 

Sobre as eleições para o Senado e Governo do Estado, aqui e aqui expressamos a nossa opinião ao final do semestre encerrado em 30 de junho. 

Se o adágio popular diz que política é como nuvem, uma hora está de um jeito e outra de outro, após a nossa primeira rodada de análises houve o tarifaço (ou sanções políticas) de Donald Trump, a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro e o afastamento (só que não) do prefeito de Ananindeua Daniel Santos.

Novamente como diria Lula, "o dado concreto” é que o tempo está voando e, hoje, Celso tem um horizonte que se não lhe torna um dos favoritos na disputa, não se deve subestimar suas reais condições de crescer e chegar lá. 

E sua fulgurante trajetória em Brasília tem mostrado que merecimento não lhe falta. Por outro lado, seu colega de UB Efraim Filho, que não por acaso acaba de assinar o pedido de impeachment de Alexandre de Moraes, não nos deixa mentir. 

Afinal, em 2022, com apenas uma vaga em jogo e na chapa oposicionista, se elegeu senador pela Paraíba. E todo mundo alfabetizado em eleições no Brasil sabe da existência de uma regra muito clara: todo senador em meio de mandato é candidato natural ao governo estadual.  

Se o estimado leitor e a caríssima leitora ainda não sabem, o jovem e carismático senador assinou o pedido por exigência do PL paraibano, partido com o qual conta na sua candidatura ao governo daquele estado ano que vem.

Sacou? Há uma avenida para avançar. Se o caminho é sem volta e de que lado o ministro vai estar é outra história. Aguardemos a tal debandada ou não. E observemos os próximos passos do fisiológico Davi Alcolumbre e os destinos dos seus indicados e apadrinhados. 

Por ali há uma ruela que pode justificar alguma decisão salomônica em forma de tratamento isonômico e pragmático no politiquês de BSB que fundamente a permanência ou adie a desincompatibilização do atual ministro do Turismo na data regimental. 






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Toni Remigio
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