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O Folha Seca da Curuzu

A torcida bicolor foi ao Mangueirão sonhando em reviver a letra do hino e “pintar o 7 numa tela azul”. Assim, se vingaria do traumático 7 x 0 sofrido para o Nacional, na primeira fase da Copa Norte, no jogo desta quarta-feira. Os 7 gols da sonhada revanche contra o time amazonense de camisa azul não vieram. Não deu pra pintar o 7 em mais uma tela azul, mas o único gol, que decretou a vitória bicolor, foi uma pintura! Uma obra de arte com tintas carregadas de saudosismo.

O golaço de Castro, de fora da área, ganhou um efeito parecido com a “Folha Seca” do meia Didi, ex-ídolo do Botafogo, bicampeão mundial pela Seleção Brasileira, em 58 e 62. Didi era daqueles craques que jogavam o fino da bola. Em suas cobranças de falta, ele dava à redonda um efeito inesperado, semelhante ao de uma folha caindo. Por isso, eternizou o nome : Folha Seca. O lance ficou famoso quando Didi marcou um gol de falta nesse estilo contra a Seleção do Peru, nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1958.

Pois bem, senhores! Na noite desta quarta-feira, dois dias depois da convocação da Seleção Brasileira, um jogador do Paysandu, em um lampejo de craque, incorporou um ídolo que fez história com a Amarelinha. E a cronista aqui, que vos escreve com a alma pingando poesia, não resistiu à comparação. O zagueiro, autor do golaço que decretou a vitória do Paysandu, é carioca como Didi e lembra o mesmo porte e traços físicos do “Príncipe Etíope de Rancho”. Esse apelido foi dado ao craque Didi pelo meu Deus literário: Nelson Rodrigues. O apelido fazia referência à rara elegância, leveza e postura que o jogador exibia dentro e fora dos campos. Nelson Rodrigues costumava dizer que o meia jogava com tanta classe que parecia carregar um manto de cetim nos ombros.

O Paysandu de Castro vai agora a Manaus para decidir o título da Copa Norte contra esse mesmo Nacional. A decisão está em aberto, contra um adversário de qualidade e que vendeu caro a derrota. Mas a pintura de Castro, lembrando um lance imortalizado por um craque da Seleção Brasileira, nos mostra a irrefreável vocação do Paysandu para protagonizar belas histórias.




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Toni Remigio
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