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Por qual time de Belém os olhos de Chico brilhariam?

Nos 82 anos de Chico Buarque, o gênio da MPB que arranca suspiros de mulheres de ouvidos apurados, não resisti à tentação de escrever sobre o músico/dramaturgo/escritor apaixonado por futebol, que faz aniversário neste 16 de junho.

Homem de fina estirpe, com fidalguia derramada até nas letras sutilmente lascivas, Chico, claro, é torcedor do Fluminense.  Mas, e no futebol paraense, por quem será que brilham os olhos mais encantadores da música nacional?

Duvido muito o erudito Chico não se encantar com o lirismo e melodia do hino do Remo, composto pelo poeta Antônio Tavernard. “Enquanto a azul bandeira tremuleja

O vento a beija, como a sonhar

E honrando essa bandeira que flameja

Nós todos saberemos com amor lutar…” 

Será que, assim como em sua música “As Vitrines”, Chico Buarque cataria toda a poesia entornada no chão do Baenão, com os versos de Tavernard, e escolheria o Clube do Remo para simpatizar?

Ou ele, como homem do povo, que compôs “Construção”, uma obra-prima da MPB que nos arrebata transformando a tragédia de um operário em poesia, iria se arrepiar com os cânticos da torcida do Paysandu nas arquibancadas? 

Afinal, os bicolores entoam, de forma adaptada, algumas das músicas mais cantadas pela torcida do Fluminense, time pelo qual Chico Buarque nunca escondeu a devoção.  “Vamooos pra cima, Papão ( Fluzão), querooo gritar campeão!”

E ainda há a terceira possibilidade, a do filho do historiador Sérgio Buarque de Holanda cair de amores pela Tuna Luso. Em 1974, Chico Buarque compôs a apoteótica “Tanto Mar”, em referência à Revolução dos Cravos, que colocou um fim na  ditadura salazarista de Portugal.  

Os olhos cor de ardósia de Chico não existiriam se um marujo português chamado Arnau de Hollanda não tivesse embarcado na caravela que o trouxe de Portugal para o Brasil, em 1535. O navegador lusitano foi o marco inicial da família do compositor no Brasil.

E não podemos esquecer que, em 2019, Chico já arrebatou o Prêmio Camões, o principal da literatura em língua portuguesa. Ora, pois, Chico poderia ser, então, um efusivo torcedor da Tuninha, a esbravejar no alambrado do estádio do Souza, nas manhãs de domingo.

Remista, bicolor ou tunante, que Chico Buarque de Holanda continue entornando amor pelo futebol, pelas mulheres e pelo Brasil. Que sorte a nossa de ter este Chico como um dos maiores representantes do país. 

E sobre a Copa do Mundo, suas muitas boas histórias e personagens, e a Seleção Brasileira, aguardem os próximos capítulos…




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Toni Remigio
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