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O tribuno fabuloso e governador notável e o anão moral e minúsculo provinciano

Um pouco da grandeza alheia para descrever a mediocridade provinciana de um filisteu e fanho chamado Daniel Santos

Ivan Lessa, estupendo homem de letras, comunicação e publicidade; autodidata e guru de dezenas de colegas de vida, farra e profissão, era também um pensador raiz da alma nacional e frasista como poucos.


Seus aforismos e humor cáustico fizeram história no jornalismo e boemia nacionais na segunda metade do século XX em terras bananeiras. Aos mais jovens que hoje em dia estão na casa dos 30 anos e assistiram ao sucesso da turma do Casseta e Planeta em seu auge na TV Globo, fica a dica:

Não se enganem, os redatores do humorístico tinham em Ivan o seu guru insubstituível. Reinaldo, dos mais completos artistas dentre eles, chegou a trabalhar no lendário O Pasquim, tamanho o fascínio que os textos e way of life de Lessa lhe causavam.


Dito isso, entre uma “baiano não nasce. Estréia”, atribuída a si, e “Baiano não dá bandeira. Hasteia” ou “O Brasil tem 8.511.965 metros quadrados de extensão por sete palmos de profundidade”, também de sua lavra, o mais carioca dos paulistas – com o perdão a Ricardo Amaral e Boni -, dissera ou escrevera, o que dá no mesmo, a pérola definitiva que segue abaixo:


De 15 em 15 anos o Brasil esquece do que aconteceu nos últimos 15 anos”.


A genialidade de Ivan está aí nos alfarrábios da vida, inclusive nos virtuais e digitais, como o YouTube, que ele descobrira na fase final de sua vida e autoexílio em Londres, e onde passava o maior tempo possível garimpando e reencontrando seus filmes, óperas e tudo que amava na sua vasta e enciclopédica cultura geral e ocidental.


Diogo Mainardi, talvez o mais original polemista brasileiro vivo, foi seu pupilo no começo de sua vida adulta, quando escolhera Londres para viver.


Millôr Fernandes, fora talvez o único, ao lado de Paulo Francis, do alto da sua inteligência, humor, cultura, liberdade intelectual, brasilidade e carioquice, a quem Ivan batia continência, dissera no mítico programa Roda Viva, quando entrevistado em 1989, que traduzira Hamlet em três meses.


Este um que vos fala lera três vezes esta tradução que considera a melhor, com o respeito que o mestre Ivo Barroso merece.


Pois o irritante guru do Méyer, gênio dos gênios, dissera naquela altura, e o supracitado YouTube está aí para não nos deixar mentir, que Carlos Frederico Werneck de Lacerda, o intelectual, jornalista, tradutor, político, escritor e editor, o fizera em sete dias.


E é deste saudoso senhor, deste grande fluminense (nascido na capital fora registrado em Vassouras), que gostaria de dizer não mais que breves palavras.


Fruto dos desígnios do destino, da sua impetuosidade e gênio forte, Lacerda purgou uma depressão braba que acabara culminando na tal da gripe e bactéria que o levariam a morte aos 63 anos, partida que muitos consideram suspeita, e o colocam entre uma das vítimas, ao lado de JK e Jango, da “Operação Condor”.


Frente Ampla
Os três políticos proscritos pelo Golpe de 1964, que se reuniram em ação proposta pelo ex-governador da Guanabara chamada de “Frente Ampla”, luta que se revelaria estéril em favor de uma anistia geral e eleições presidenciais livres e democráticas.


Ou seja, o tribuno combativo, as vezes agressivo, virulento para seus adversários e inimigos políticos, ao lado de dois presidentes aos quais ele fizera forte oposição.

Indubitavelmente, o maior opositor de ambos e de Getúlio Vargas, na ditadura do Estado Novo, antes, entre 1930 e 1937, e no seu governo democrático (1950-1054), que culminaria no atentado da Rua Toneleiros e no suicídio do velho caudilho.


Algum (a) jovem que chegou até aqui lembrou de algo contido nos seus livros de História do Brasil?


Pois o seu inevitável professor da matéria, com 99,9% de chance de ser um educador com base fillo-marxista, qual o provável autor do título recomendado pelo MEC, decerto o induzira a detestar o “Corvo”, o colocando como grande vilão, uma espécie entre o Lex Luthor e o Coringa, da política nacional.


Pois saibam os senhores e senhoras que Lacerda fora muito maior, infinitamente maior, do que dizem esses reles exemplares da insípida, proletária, história deste país de analfabetos e desmemoriados em sua ampla e absoluta maioria.


Lacerda era dotado de uma inteligência que assustava, como seus discursos na Câmara de vereadores e, sobretudo, na segunda metade dos anos 1950, na Câmara dos Deputados, ainda hospedada na capital federal, o Rio de Janeiro.


Primeiro governador do Estado da Guanabara (eleito em 1960), como o então Distrito Federal era chamado, a cidade-estado do Rio de Janeiro, ele, que fora acusado durante a campanha por seus opositores de nunca ter gerido nada, fez um governo espetacular em gestão fiscal, honorabilidade pessoal e obras estruturantes que marcaram a outrora Cidade Maravilhosa para todo o sempre.


Evidente que sua gestão, marcas, obras e conexões com os EUA, eram a vitrine que queria mostrar ao Brasil nas eleições de 1965, quando imaginava enfrentar o ex-presidente Juscelino Kubitschek, naquela que poderia representar seu sonho maior: a consagração por vias democráticas de chegar a Presidência do Brasil.

Aterro do Flamengo, quando transformou areia de praia em um dos parques públicos mais lindos do mundo; o Túnel Rebouças, ligando as zonas Norte à Sul, a Estação de Abastecimento de Água do Gandu, desfavelizações, obras, obras e mais obras…


Concurso públicos promovendo a meritocracia e o ensino público, além de arrastar seu eleitorado – majoritariamente feminino – pelo exemplo, cultura, capacidade de trabalho e… discursos e pronunciamentos inflamados.


Pois aí que mora o busílis de onde queremos chegar desta feita: falar um pouco de um tribuno de verdade.


Não sem antes, posto que falamos do seu governo revolucionário, citar a frase-corolário do biógrafo americano John W. Foster Dulles, autor de dois volumes que somados somam mais de mil páginas:


Lacerda, o governador honesto”.


Veja bem, Carlos Lacerda foi, antes de tudo, um intelectual completo, além de jornalista fulminante, editor vibrante e político apaixonante.


A paixão por ele virava ódio entre a esquerda, que jamais o perdoou por ter feito a migração ideológica e se convertido aos princípios democráticos e liberdades econômicas e liberais.


Nem a ditadura fez mais que a esquerda no sentido de eliminar qualquer virtude que o político tinha.

Além de ter sido proscrito, Lacerda é demonizado até hoje, quando lembrado nos “livros” e na pregação estatizante e triunfalista dos escritos e seminários promovidos pelo PT, bem como pelos uspianos que ajudaram a fundar aquele partido, o mesmo dos escândalos do Mensalão, do Petrolão e de políticos assassinados sem jamais haver alguma explicação, tipo Celso Daniel e Chiquinho “do PT”.


Dono da Editora Nova Fronteira, seu prestígio entre intelectuais o ajudou a trazer para o seu catálogo nomes como Guimarães Rosa, Cecília Meirelles, Nelson Rodrigues, Ariano Suassuna e Rubem fonseca, entre os pátrios, e Churchill (de quem fora tradutor) e Jean-Paul Sartre, ironia das ironias, o papa dos filo-marxistas que tanto o odiavam e ainda o odeiam.


Em 1982, seus filhos Sérgio e Sebastião publicaram na série Brasil – Século 20, uma compilação de seus discursos parlamentares e, entre eles e muita oposição aos governos de turno, constavam sua defesa de reformas estruturantes nas áreas da economia, previdência social, educação, emprego, integração, tudo.


Estadista completo, Lacerda trabalhava dezoito, vinte horas por dia, empenho e obsessão reconhecidos até por adversários. Era capaz de escrever três artigos concomitantes, cada um sobre um tema diferente.


Império Romano, Cristianismo, revoluções bolchevique, americana, francesa, marxismo, liberalismo, alta literatura, poesia, música, história, formação do Oriente, do Ocidente, sobre os persas, Islamismo, Judaísmo, Sionismo, astrofísica, física quântica, tudo lhe era dominado.


Poliglota, assombrou a França ao pousar em Orly com sua verve e idioma local falado escorreitamente, defendendo o regime que iria lhe cessar os direitos políticos, acabando por “lhe matar” existencialmente em vida.


Enfim, esses vultos complexos, extraordinários, vilipendiados, que fazem a cabeça e sempre fizeram deste que ora vos fala.


Dito isso, leia o que segue abaixo:


(…) Era um pregador, e como disse o grande Padre Antônio Vieira no Sermão da Sexagésima, neste se devem ‘considerar’ cinco circunstâncias: a pessoa, a ciência, a matéria, o estilo e a voz. Em Carlos Lacerda concorriam todas essas qualidades. A pessoa, que era um belo exemplar masculino, de excelente aparência; a ciência, que era o marxismo (em 1933), de que estava então inculcado (…) Não era assim um orador comum, era um pregador, como o seria por toda a sua vida, tentando converter pela palavra os seus ouvintes”.


O texto fora escrito pelo historiador, escritor, advogado e membro da ABL José Honório Rodrigues, na apresentação da edição dos seus discursos parlamentares.

Voltemos à planície e depressão provincianas.

Ontem, dia de festa na minha família, fui surpreendido por um vídeo de Instagram onde um sujeito obscuro, de voz fanha, que não sabe a diferença de Joaquim Nabuco para José Bonifácio; de José Veríssimo para Inglês de Sousa ou sequer quem fora Paulo, João ou Haroldo Maranhão, fazendo troça de quem milita na segunda profissão mais antiga e mesmo tornara-se blogueiro, dono de jornal do interior com edição online, ou um modesto site de notícias como este O Amazônico que nos enche de orgulho e crença.


No vídeo, o tal de Dr Daniel falou para um aliado, que de comediante tornara-se político: “Não liga pra esses portais que ninguém lê”.


Pela quantidade de acusações as quais responde, decerto o indigitado ex-alcaide se vale de leitura de códigos jurídicos, além de meandros para burlar licitações mandrakes e direcionadas, daquelas que dão margem para as suas obras e aquisições de insumos hospitalares que lhe fizeram a (péssima) fama na plêiade de escândalos que produz desde que fora ordenador de despesas.


Um cara cuja voz não tem fonoaudiólogo que melhore a recepção de quem a escuta.

“Um sujeito com cara de terrorista do Hamas ou do Hezbollah; um malfeitor que quer ser governador e, para tanto, conta com os votos alheios que se opõem ao ex-governador do estado e ao lulismo.


Seu proselitismo político é tanto que troca de partido e candidato de um turno para outro na mesma eleição, vai do PSDB, de onde saíra expulso, para o MDB, do qual migra para o PSB, para, por fim ou meio, abrigar-se no tal de Podemos, com a mala e a cuia também no PL.


Incoerente, inconfiável, cheio de processos por denúncias e comprovações de corrupção e a cara que nem treme.


Estrategista de qualquer candidatura do espectro centro-direita, eu não hesitaria em escolhê-lo entre qualquer outro como candidato perfeito para vencê-lo.


Dr. Daniel, sem a sua audiência, mas com os seus robôs e “seguidores” que vagam por aí enchendo a paciência, não se avexe, a sua hora vai chegar pelo voto e alguma justiça, a terrena ou divina.


Por ora, fica na tua que é melhor.


E agradece em não ter um lacerdista raiz no teu encalço, digo, num debate de campanha.


Filisteu, fanho e cara de Hezbollah.

Que “líder”…

Só que não.





PS1: Todo respeito aos fanhos de boa fé e índole. Mas, pra ser líder político, o fonfon de Ananindeua não dá. Só se fosse um gestor com pelo menos 25% do talento de um Carlos Lacerda e falasse o mínimo necessário em público.


PS2: Afinal, é violência, stress diário, tanto buraco, engarrafamento, mesmice e deslumbramento de tipos como ele e sua coleção de joias, relógios, mansões e outros sinais exteriores de enriquecimento que, ainda ter de ouvir aquela voz que beira o insuportável, melhor ser torturado pela KGB ou PC Chinês. 

PS3
Ser fanho significa falar com uma voz nasalada, como se a pessoa estivesse com o nariz entupido. Isso ocorre quando o ar escapa pela cavidade nasal ao pronunciar sons que deveriam sair apenas pela boca, sendo um sintoma frequentemente associado a problemas como sinusite, rinite, desvio de septo ou, em casos congênitos, fissura palatal (Superinteressante).





Crédito ilustração:
John Loengard/Time Life Pictures/Getty Images), Google Imagem e Instagram





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Toni Remigio
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