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Governo Lula lança programa de socorro a empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA

Às vésperas das eleições, governo diz que empresas afetadas terão acesso a socorro de R$18,5 bi. Plano Brasil Soberano 3 amplia crédito e inclui novos setores

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quarta-feira, 22 - data em que começa a valer o novo tarifaço aplicado EUA aos produtos brasileiros - um novo socorro às empresas afetadas pela sobretaxa do governo Donald Trump e por incertezas do cenário internacional.

Batizad
o de Plano Brasil Soberano 3, o pacote prevê R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados para exportadores e setores considerados estratégicos para a economia nacional.

O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, disse que o “Brasil Soberano 3” dará R$ 18,5 bilhões em apoio aos setores afetados pelas tarifas impostas pelo governo dos EUA, além de setores afetados por conflitos ao redor do mundo, como a guerra no Irã.


Segundo Moretti, dos R$ 18,5 bilhões, R$ 13,5 bilhões serão de recursos do Tesouro Nacional e outros R$ 5 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Esses R$ 13,5 bilhões do Tesouro são de recursos de linhas anteriores não utilizadas, disse Moretti.


O programa também pretende beneficiar empresas afetadas por conflitos internacionais. O anúncio coincide com a entrada em vigor da tarifa adicional de 25% aplicada pelo governo dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a medida deve atingir cerca de 15% da pauta exportadora brasileira para os Estados Unidos, o equivalente a US$ 5,8 bilhões em exportações.


No total, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória (MP) e um projeto de lei de conversão.

A nova MP permitirá a ampliação do Plano Brasil Soberano, ao autorizar o uso de recursos do Tesouro Nacional em conjunto com recursos próprios do BNDES para financiar as novas linhas de crédito.


Também nesta quarta, Lula sancionou o Projeto de Lei de Conversão nº 7, originado da Medida Provisória 1.345, de março deste ano, que instituiu as linhas de financiamento do Plano Brasil Soberano.


O Congresso ampliou o escopo do texto para contemplar, além dos exportadores de bens industriais e seus fornecedores, setores considerados estratégicos para o comércio exterior brasileiro.


Recursos disponíveis

Dos R$ 18,5 bilhões anunciados, os recursos serão divididos entre o Tesouro Nacional e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
R$ 13,5 bilhões do Tesouro Nacional
R$ 5 bilhões do BNDES


As linhas poderão ser utilizadas para:
Capital de giro
Aquisição de máquinas e equipamentos
Investimentos produtivos;
Inovação tecnológica;
Adaptação de produtos e processos;
Abertura e prospecção de novos mercados


As taxas de financiamento variam conforme a finalidade do crédito, chegando a 3% ao ano para projetos ligados a minerais críticos e 9,80% ao ano para capital de giro destinado a grandes empresas.


Novos beneficiários

Além das empresas diretamente atingidas pelo tarifaço norte-americano, o programa passa a contemplar exportadores prejudicados por conflitos internacionais, especialmente aqueles com operações no Golfo Pérsico, e amplia o acesso ao crédito para setores estratégicos.


Entre os beneficiários estão:
Agricultura
Pecuária
Florestas plantadas
Pesca e aquicultura
Cooperativas e associações do setor
Mineração
Fertilizantes
Indústria química
Farmacêutica
Setor têxtil
Automotivo
Máquinas e equipamentos
Materiais elétricos e eletrônicos


A legislação também permite que os recursos sejam utilizados para adequações exigidas pelo comércio internacional, como requisitos sanitários, ambientais, de rastreabilidade e conformidade.


Seguro e apoio

Durante o anúncio, o vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que o programa vai além da oferta de crédito.


"O Brasil Soberano 3, além de garantir crédito para as empresas envolvidas, traz outro benefício, que é o seguro garantia para pequenas empresas", declarou.


Segundo o governo, o plano de aplicação dos recursos será elaborado pelo BNDES e submetido à aprovação de um conselho interministerial, que definirá as prioridades de financiamento conforme os impactos enfrentados por cada setor.


Setores afetados

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que os segmentos mais prejudicados pelas tarifas norte-americanas incluem:

Madeira
Móveis
Produtos cerâmicos
Máquinas e equipamentos
Calçados
Açúcar


Ele acrescentou que o programa também pretende atender empresas afetadas por novas medidas protecionistas em estudo pelos Estados Unidos.


"A linha 3 do Brasil Soberano vai acolher não só quem já estava sofrendo pelos conflitos geopolíticos e pelas tarifas já adotadas, como também para as que vierem, como as esperadas para sexta-feira, de trabalho forçado."


Negociação diplomática

Apesar do reforço financeiro, o governo informou que continua buscando uma solução negociada para o impasse comercial com os Estados Unidos.


Segundo integrantes da equipe econômica e diplomática, o Brasil manteve diálogo com representantes da Casa Branca até os últimos dias antes da entrada em vigor das novas tarifas, mas as negociações não avançaram.

O governo brasileiro avalia que a decisão norte-americana teve motivação política e reafirma que pretende manter aberta a via diplomática.


Na véspera do anúncio do pacote, Alckmin voltou a descartar medidas imediatas de retaliação comercial.


“A ideia não é retaliação. Diz que olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos. A
reciprocidade é: nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso”, afirmou Alckmin na terça-feira.


Histórico

O Plano Brasil Soberano foi criado em 2025 para apoiar empresas exportadoras diante das primeiras medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos.


As três etapas do programa somam:
Agosto de 2025: Brasil Soberano 1: R$ 30 bilhões
Março de 2026: Brasil Soberano 2: R$ 21 bilhões
Julho de 2026: Brasil Soberano 3: R$ 18,5 bilhões


Com a nova etapa, o governo amplia os instrumentos de financiamento para empresas exportadoras e setores considerados estratégicos, enquanto busca reduzir os impactos das barreiras comerciais e preservar a competitividade da indústria brasileira no mercado internacional.



Com informações: Agência Brasil e www.estadao.com.br
Crédito imagem: Agência Brasil










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Toni Remigio
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