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O “Caso Master”, a venda de consciência dos tais “influencers” e o apoio ao bom jornalismo

Volta do recesso parlamentar pode representar o início de CPI sobre o escândalo bilionário, o começo do fim da tirania suprema e da era petista.


“Esteja sempre em guarda contra a tirania,
qualquer que seja a forma que ela assuma.”
Winston S. Churchill (1874-1965)


A primeira semana propriamente dita de 2026 iniciou com a revelação sobre a compra de “influencers” para que atacassem a liquidação do Banco Master, medida excepcional decidida pela área responsável pela fiscalização no Banco Central (BC) em razão de golpe bilionário dado na praça pelo bandido do colarinho branco Daniel Vorcaro.


Segundo a Polícia Federal (PF), cerca de quarenta perfis suspeitos promoveram ações coordenadas entre os dias 09 de dezembro e 06 de janeiro desqualificando a medida defendida pelos servidores especializados do banco.


Neste período, os tais influenciadores digitais despejaram conteúdos em seus perfis na rede mundial, invariavelmente falando em prejuízos de pessoas comuns, indícios de precipitação na liquidação do Master e decisão celebrada em tempo incomum.


Supremos em cheque
À esgotosfera petista que saíra em defesa da instituição financeira à guisa de defender o ministro e sra. Alexandre de Moraes após a revelação do contrato de 129 milhões, ninguém sabe com qual finalidade (mas muitos desconfiam), juntara-se esse emaranhado de personagens.


Cabendo a este subgrupo de mentecaptos a tarefa, além de defender o indefensável mais novo e renomado trambiqueiro da praça, avacalhar e difamar a imprensa livre e, no caso em tela, o trabalho da área técnica da autoridade monetária e reguladora do sistema financeiro.


Desagravos

Pouco antes disso, cumpre lembrar, os ataques proferidos contra a jornalista que revelara tanto o contrato arquimilionário da doutora Viviane Barci de Moraes, quanto as gestões que o seu marido fizera junto ao presidente do BC, Gabriel Galípolo, no sentido de reverter a liquidação do banco infrator.


Malu Gaspar é uma jornalista com vasta experiência e passagens por alguns dos principais veículos da imprensa escrita nacional. Ela é autora dos best sellers Tudo ou nada: Eike Batista e a verdadeira história do Grupo X, (Editora Record, 2014), e A Organização: A Odebrecht e o Esquema de Corrupção que Chocou o Mundo (Ed. Companhia das Letras, 2020).


Atualmente no Grupo Globo, foi nas páginas do periódico carioca que ela revelou as tramas que incomodam os poderosos de Brasília e arredores.


Após as baixarias disparadas no submundo digital e em apoio ao seu trabalho de apuração como jornalista de primeiro time, brotaram depoimentos espontâneos (e indignados) de quem vale a pena em quantidade (e qualidade) inversamente proporcionais às ofensas, calúnias e difamações promovidas pela escória de despudorados que, quais hienas, atacaram-na em grupo e covardemente.


Demétrio Magnoli
De longe o mais erudito e loquaz comentarista televisivo do canal Globonews, o sociólogo e doutor em Geografia Humana escreveu um texto primoroso em defesa do trabalho jornalístico da destemida repórter.


Não bastasse seu pedigree acadêmico na área das Ciências Humanas, Magnoli deu uma aula de jornalismo a quem qualificou de integrante do “gabinete do ódio petista”. Ao escrever sobre o significado de “fonte jornalística”,  ele rebateu o argumento cretino de que a repórter deveria revelar sua rede de informantes:


“(...) O episódio solicita uma breve aula sobre as fontes da imprensa profissional.
Fonte é qualquer detentor de uma informação oculta de interesse público. As legislações democráticas protegem o sigilo da fonte, sem o que não existe jornalismo de verdade. No mais das vezes, a informação revelada atinge interesses de figuras poderosas e, portanto, a fonte só falará se tiver garantia de anonimato
.


Marcos Lisboa
Impecável do início ao fim, à coluna dele somou-se outra de um intelectual tão brilhante quanto, Marcos Lisboa. Como Magnoli, o economista é um formulador com origem na esquerda e um dos melhores acadêmicos que fizeram a travessia das universidades para o palco da área pública brasileira nos últimos 25 anos.


Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda no governo Lula I, entre 2003 e 2005, Lisboa foi um dos formuladores do Bolsa Família, presidiu o Insper e se doutorou em Economia pela Universidade da Pensilvânia.

Melhor da região

Ele classificou o trabalho de Malu Gaspar como “a maior jornalista investigativa da geração”, afirmando em seguida o que segue abaixo na mesma Folha, onde Magnoli já havia se pronunciado:


“(...) A desonestidade das críticas a Malu superou o desatino. Jornalista não revela fonte. Jornalista apura os temas com base, muitas vezes, em documentos vazados e relatos anônimos, por temor de retaliações. Cabe ao Estado investigar, provar com base nas evidências. Assim funcionam as democracias.”


Foram dois textos impecáveis e a eles se juntaram tantos outros do que a imprensa brasileira tem de melhor. Reproduzir esses trechos escritos por dois colaboradores de escol do jornalismo nacional é uma forma de mostrar que ainda existem vozes da intelligentsia do país que merecem respeito no campo ideológico da esquerda.


Fundos, Master e PCC

Pingadas a conta-gotas desde que o ministro Dias Toffoli avocou para si as investigações sobre os possíveis crimes cometidos na gestão do Banco Master por Daniel Vorcaro, a cada semana vazamentos e novas revelações pioram a situação do seu controlador e da rede de apoios na política e judiciário mantida ou contratada a peso de milhões de reais pelo criminoso do colarinho branco.


Nitroglicerina pura
Denúncia encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF) no dia 17 de novembro pelo Banco Central, afirma que quatro fundos investigados por ligação com o crime organizado fizeram parte de um esquema de fraude envolvendo o Banco Master.


Informações preliminares revelaram que esses fundos fazem parte de uma cadeia de transações estruturadas com vistas a inflar artificialmente ativos e permitir que recursos voltassem ao controle do Master, de Vorcaro e seus cúmplices na gestão do liquidado banco.


11,5 bilhões

Na denúncia, o BC revelou as operações suspeitas envolviam fundos administrados pela Reag DTVM, empresa do setor financeiro que foi alvo da Operação Carbono Oculto, aquela que investigou a rede de lavagem de dinheiro ligada à máfia dos combustíveis e ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O conteúdo enviado pelo BC ao MPF calcula que as transações sob suspeita giram em torno de 11,5 bilhões de reais.


Fim do recesso e CPI do Master
Na segunda-feira, 05, o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), vice-líder da Oposição na Câmara dos Deputados, publicou nas suas redes sociais que o quórum para a abertura da CPMI (Comissão Mista Parlamentar de Inquérito) para investigar possíveis crimes financeiros do Banco Master foi atingido com folga. Segundo as publicações, até aquela data já tinham sido recolhidas 229 assinaturas, sendo 196 deputados e 33 senadores.


A partir de 02 de fevereiro, uma segunda-feira, caberá ao senador Davi Alcolumbre, presidente do Senado Federal, a responsabilidade para autorizar a sua instalação ou não.


STF e PT
Com efeito, a alvorada de 2026 não se traduz no melhor dos mundos para o governo plantonista. O fim da euforia que tomara conta do PT após as trapalhadas de Dudu Bananinha teve início com o sucesso da operação contra o Comando Vermelho em outubro no Rio de Janeiro, colocando os opositores de volta ao jogo nas sondagens sobre a sucessão presidencial e a segurança pública na agenda nacional.


Em seguida, vieram as revelações sobre as recorrentes ligações perigosas de Fábio Luíz da Silva, o Lulinha, desta feita com o Careca do INSS e as reiteradas tentativas da oposição em levar-lhe para depor na CPI que investiga o escândalo.


Para completar o indigesto cardápio, se somaram às revelações após a prisão (e soltura) de Daniel Vorcaro, as suas ligações perigosas e a conexão com crimes de lavagem de dinheiro do PCC.


Se as coisas já estavam caminhando no rumo de uma zona perigosa e nebulosa, com a possibilidade de uma CPI revelar novas evidências de delinquências de autoridades que deveriam zelar pela ordem jurídica e o combate à corrupção, definitivamente, 2026 pode se configurar em um ano de inflexão no poder central e, particularmente, no começo do fim de um tal ativismo do Judiciário que só tem feito mal àquele poder de Estado que deve decidir conflitos, pairar acima das disputas políticas e servir de sustentáculo - de fato -, à incipiente democracia nacional.  


Oráculo

Dono de qualidades raras como estadista, historiador e escritor, Churchill tinha notável capacidade de antever movimentos futuros de adversários em geral e, particularmente, de tiranos. Tanto que enfrentou e venceu uma das mais terríveis e violentas tiranias jamais vistas, o nazi-fascismo.


Dito isso, formidável frasista que também fora, convém ler com atenção a epígrafe que abre este texto, com ênfase na sua afirmação de que devemos estar sempre em guarda - vigilantes - diante de qualquer forma que as tiranias assumam. Avante!


  


Crédito imagens: reprodução redes sociais, Wikipédia e IA.




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Toni Remigio
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