Exército empossa 1ª general em quase 400 anos. Claudia Gusmão é médica e tem 30 anos de caserna.
Com carreira na área de saúde da Força, pernambucana alcançou topo da hierarquia, recebendo espada de general e bastão de comando.
Cláudia Lima Gusmão Cacho entrou para a História do Exército Brasileiro nesta quarta-feira, 01 de abril, em cerimônia no Clube do Exército (Brasília), no Distrito Federal, quando recebeu os símbolos da autoridade exclusivos do oficialato que ocupa o topo do comando da Força.
O ato ocorreu após nomeação pelo presidente da República e a sua escolha por votação secreta no mês de fevereiro.
Promovidos
Foram quase três
dezenas de oficiais promovidos em solenidade prestigiada pelo
ministro da Defesa, José Múcio, o comandante do Exército, general
Tomás Ribeiro Paiva, e pelo chefe do Estado-Maior daquela
corporação, general de Exército Francisco Humberto Montenegro
Júnior, responsável pela saudação.
Significado histórico
“Permitam-me assinalar, com especial significado histórico, a promoção da primeira oficial-general do Exército Brasileiro, a General de Brigada Claudia Lima Gusmão Cacho. Sua ascensão representa não apenas mérito pessoal inequívoco, mas também a maturidade de um Exército que reconhece seus talentos de forma justa e que valoriza seus profissionais na exata medida em que se distinguem no exercício da atividade militar. Caros generais, vocês não chegaram até aqui sozinhos”, disse.
Marco institucional
De acordo com matéria publicada no site do Exército, a promoção reflete a crescente presença feminina na instituição, baseada em mérito e compromisso.
Portas abertas
A nova general tem
uma extensa carreira na área de Saúde Operacional e já ocupou
diversas posições de liderança. Desde 2016, o
Exército abriu mais oportunidades para mulheres, incluindo em áreas
militares e, em 2025, 1.010 mulheres se alistaram para o Serviço
Militar.
Processo
criterioso
A promoção ao posto de General de Brigada é
resultado de criterioso processo de avaliação conduzido pelo
Alto-Comando do Exército. Entre os requisitos
estão o tempo de serviço, o mérito profissional, o desempenho em
funções de comando e Estado-Maior e a realização dos cursos
obrigatórios de altos estudos militares.
Carreira
Natural de Recife, em Pernambuco, a general Claudia ingressou no Exército em 30 de janeiro de 1996 como oficial temporária, no então 42º Batalhão de Infantaria Motorizada, sediado em Goiânia (GO), sendo aprovada no Concurso de Admissão para a Escola de Saúde do Exército, concluindo o Curso de Formação de Oficiais Médicos em 1998.
Sólida trajetória
Ao longo de quase três décadas de serviço regular, construiu uma sólida trajetória na área de Saúde Operacional e Hospitalar, destacando-se pelo desempenho técnico e pela capacidade de liderança em funções de comando e assessoramento.
Breve
currículo
Dentre as diversas funções exercidas, destacam-se:
chefe do Escalão de Saúde do Comando da 1ª Região Militar, no Rio
de Janeiro; diretora do Hospital de Guarnição de Natal, no Rio
Grande do Norte; e diretora do Hospital Militar de Área de Campo
Grande, em Mato Grosso do Sul.
As mulheres no Exército
A presença feminina no Exército Brasileiro possui uma trajetória histórica marcante, que remonta a Maria Quitéria de Jesus Medeiros, heroína da Guerra da Independência de 1823. Desde então, o papel das mulheres nas Forças Armadas tem se expandido de forma consistente.
Durante a Segunda Guerra Mundial, enfermeiras voluntárias desempenharam um papel essencial, contribuindo diretamente para os esforços militares. Mais recentemente, em 1992, 52 mulheres ingressaram no Quadro Complementar de Oficiais por meio de concurso público. A partir de 1997, a participação feminina se consolidou ainda mais, com a formação de engenheiras, médicas, dentistas e farmacêuticas militares pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) e pela Escola de Saúde do Exército.
Desde 2016, o Exército Brasileiro ampliou as oportunidades para o público feminino ao permitir o ingresso de mulheres na linha de ensino militar bélico. A medida passou a contemplar vagas tanto nos Cursos de Formação de Sargentos quanto na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), marco significativo na trajetória de igualdade de oportunidades e do fortalecimento da Força.
Em 2025, o Exército Brasileiro promoveu, pela primeira vez, mulheres à graduação de Subtenente, marco que simbolizou a consolidação da presença feminina no topo da carreira das praças na Força. Elas faziam parte da turma pioneira de 2002, que formou 16 mulheres e 4 homens como terceiros-sargentos.
Atualmente, o Exército se prepara para um novo marco histórico: as primeiras mulheres soldados estão prestes a iniciar o Serviço Militar. Em 2025, mais de 33.720 mulheres se alistaram em todo o território nacional, dessas, 1.010 incorporarão às fileiras do Exército no dia 2 de março de 2026, dando prosseguimento no aumento da presença feminina na Força Terrestre.
Com informações: Centro de Comunicação Social do Exército Brasileiro
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