Em OESTADONET: Ao contrário de 2019 resposta ao fogo em Alter do Chão, este ano, contou com ação rápida e coordenada dos brigadistas, apoio popular e ação integrada de órgãos públicos
Fogo consumiu 58 hectares de áreas de savana; há sete anos, o dano ambiental das queimadas suprimiu 1.600 hectares de vegetação e, contraditoriamente, brigadistas foram presos injustamente
De Santarém
O incêndio
florestal que atingiu a Área de Proteção Ambiental (APA) de Alter
do Chão, em Santarém, no oeste do Pará, está totalmente
controlado.
Apesar do avanço, o trabalho ainda não terminou. Elder destacou que será necessário manter a vigilância nos próximos dias para evitar que novos focos provoquem a retomada das chamas.
O
anúncio foi feito no final da tarde deste domingo, 1º, pelo
brigadista Elder Stefano, em um vídeo publicado nas redes sociais da
Brigada de Incêndio Florestal de Alter do Chão. Segundo ele, as
equipes conseguiram cercar todas as frentes que ainda estavam ativas. “Hoje
as equipes estiveram trabalhando e conseguiram cercar todas as
frentes que ainda estavam ativas”, informou Elder.
O brigadista
também agradeceu a participação dos profissionais, voluntários,
moradores e órgãos públicos que atuaram na operação. Para ele, o
resultado foi possível graças à integração de diferentes grupos
em defesa do território.
“Foi uma rede integrada, uma rede que se juntou em prol da proteção do território. (...) Mais uma vez nós conseguimos proteger o nosso território”, afirmou.
A
fase atual é de eliminação dos focos remanescentes. O brigadista
João Romano explicou que existe uma diferença entre controlar um
incêndio e extingui-lo completamente.
O controle
significa impedir que o fogo continue avançando. Já a extinção
exige um trabalho minucioso de identificação e apagamento de pontos
de combustão que podem permanecer em troncos, folhas e outros
materiais vegetais.
Por isso, mesmo com as frentes de fogo cercadas, ainda pode haver fumaça e risco de reignição. As equipes precisam percorrer a área atingida e verificar possíveis focos que não são necessariamente identificados por imagens de satélite.
De
acordo com o levantamento técnico elaborado pela equipe de
geoprocessamento da Brigada de Alter do Chão, a área queimada
chegou a 58,01 hectares até 31 de outubro.
O mapeamento
foi produzido a partir de informações de campo da brigada e de
dados do 4º Grupamento de Bombeiros Militar (4º GBM).
A
operação reuniu brigadistas voluntários, militares do Corpo de
Bombeiros, equipes do Ibama e do Prevfogo, além de reforços
federais e moradores da região.
Durante a madrugada, oito
brigadistas de Alter do Chão e cinco militares dos bombeiros atuaram
no combate às chamas, aproveitando condições mais favoráveis para
conter o avanço do fogo.
Pela manhã, aeronaves do
governo federal e equipes de reforço deram continuidade à operação.
O
resultado também destacou à tona a importância da estrutura de
prevenção e combate a incêndios florestais na região.
Em
2019, um grande incêndio atingiu Alter do Chão e queimou
aproximadamente 1.600 hectares. Na ocasião, quatro brigadistas
chegaram a ser presos sob suspeita de envolvimento no início do
fogo, mas foram soltos posteriormente por falta de provas.
João
Romano destacou que a diferença entre os dois episódios reforça a
importância do Manejo Integrado do Fogo, da estruturação das
brigadas, da presença de equipes de bombeiros e da articulação
entre poder público e comunidades.
As condições de
cada incêndio também influenciam a dimensão dos danos, mas a
preparação e a resposta organizada foram fundamentais para conter o
avanço das chamas em 2026.
O
incêndio ocorrido no final de semana em Alter do Chão ocorre em um
cenário de forte pressão sobre o Pará. O estado encerrou outubro
com mais de 12 mil focos de queimadas, segundo os dados mencionados
pelas equipes que acompanham a situação.
Enquanto o
trabalho de vigilância continua na APA, moradores e movimentos
sociais também têm realizado manifestações contra as queimadas e
em defesa dos territórios e dos povos tradicionais.
Protestos
Ainda
no domingo, uma caminhada foi realizada chamando a atenção da
sociedade para o problema das queimadas que afeta a saúde da
população e o meio ambiente.
Durante o ato, os manifestantes
pediram a investigação dos incêndios e punição para possíveis
responsáveis pelas queimadas. A
vigilância nos próximos dias será decisiva para impedir que o
incêndio volte a avançar sobre a vegetação da APA de Alter do
Chão.
Qualidade do ar
A qualidade do ar em Santarém apresentou níveis considerados prejudiciais à saúde nesta segunda-feira, 02. Às 7h18, o Índice de Qualidade do Ar (AQI), com base na concentração de partículas finas PM2,5, chegou a 163, segundo o sensor instalado pelo IPAM no município.
De
acordo com a classificação da Agência de Proteção Ambiental dos
Estados Unidos (EPA), índices entre 151 e 200 são considerados
prejudiciais à saúde.
Nessa faixa, algumas pessoas da
população em geral podem apresentar efeitos após 24 horas de
exposição, enquanto integrantes de grupos sensíveis estão
sujeitos a consequências mais graves.
O
monitoramento também apontou índice de 165 no momento da consulta.
Nas últimas seis horas, a média registrada foi de 135. Já na
avaliação das últimas 24 horas, o indicador ficou em 138.
Na
última semana, a média foi de 92. As partículas PM2,5 são
poluentes muito pequenos, capazes de penetrar profundamente no
sistema respiratório.
Pessoas com doenças respiratórias
ou cardiovasculares, crianças e idosos estão entre os grupos que
merecem atenção especial em períodos de piora da qualidade do ar.
Com
informações: www.oestadonet.com.br
Crédito imagem: Reprodução/redes sociais, via OESTADONET
