Em OESTADONET : Os terremotos na Venezuela e seus efeitos em Santarém.
Pela 3ª vez em 8 anos, moradores de edifícios residenciais do município relatam tremor no interior dos apartamentos e evacuam prédios imediatamente
De Santarém
Moradores de pelo menos
quatro edifícios residenciais de Santarém, no oeste do Pará,
viveram momentos de tensão e medo na noite desta quarta-feira, 24,
após sentirem os prédios balançarem em consequência dos fortes
terremotos de magnitudes 7,5 e 7,2 registrados na Venezuela.
O
Corpo de Bombeiros foi acionado, realizou vistorias nas estruturas e
liberou o retorno dos moradores após descartar riscos imediatos.
Este
foi o terceiro episódio de tremor sentido pela população de
Santarém no intervalo de 8 anos.
Casos semelhantes foram
registrados em 2018, 2021 e agora em 2026, sem ocorrência de feridos
ou danos significativos. O tremor foi percebido nos edifícios
Unique, Plaza de Viena, River e Manhattan.
Assustadas,
muitas famílias deixaram os apartamentos às pressas por precaução.
Vídeos gravados pelos próprios moradores mostram luminárias
oscilando, objetos se movimentando e o clima de apreensão dentro dos
imóveis.
Nas redes sociais, moradores relataram cenas de pânico e preocupação, principalmente com crianças e idosos. Alguns afirmaram ter visto móveis, lustres e outros objetos balançando durante o abalo.
Após
serem acionadas, equipes do Corpo de Bombeiros realizaram inspeções
nos prédios e não identificaram danos estruturais. Com a segurança
confirmada, os moradores puderam retornar aos apartamentos.
Um
relatório técnico deverá ser encaminhado à Defesa Civil Municipal
para análise. Os abalos que provocaram o susto tiveram origem na
costa da Venezuela.
Segundo o Serviço Geológico dos
Estados Unidos (USGS), o terremoto principal atingiu magnitude 7,5 e
ocorreu a cerca de 13 quilômetros de profundidade, com epicentro
próximo à cidade de Morón, no estado de Carabobo.
Em
Caracas, localizada a aproximadamente 168 quilômetros do epicentro,
houve relatos de desabamentos de prédios.
No
Brasil, os eventos sísmicos foram registrados pela Rede Sismográfica
Brasileira (RSBR) e analisados pelo Centro de Sismologia da
Universidade de São Paulo (USP).
Tremores também foram
percebidos em Belém, Santarém, Manaus, Boa Vista, Macapá e em
diversos municípios da Região Norte.
De
acordo com o sismólogo Bruno Collaço, do Centro de Sismologia da
USP, é normal que terremotos dessa magnitude sejam sentidos a
grandes distâncias.
“É relativamente comum que sismos com
essa magnitude e profundidade sejam percebidos a milhares de
quilômetros do epicentro. Apesar do susto, não há possibilidade de
danos estruturais nas cidades brasileiras devido à distância do
evento”, explicou.
Collaço acrescentou que não é possível prever novos tremores, mas que terremotos dessa intensidade costumam gerar réplicas nos dias seguintes.
A geofísica Cíntia Trindade, da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), que falou ao G1, explicou que o fenômeno sentido em Santarém ocorreu devido à propagação das ondas sísmicas geradas pelo terremoto venezuelano.
“O que a população percebeu foi a passagem das ondas produzidas pelo terremoto de magnitude 7,5. A intensidade observada em Santarém foi classificada como nível 3 na Escala Mercalli Modificada”, afirmou.
Segundo a pesquisadora, esse grau de intensidade é considerado baixo e pode provocar a movimentação de objetos dentro das residências, além de ser percebido por parte da população em ambientes fechados.
“Nesse nível, é comum o balanço de luminárias, móveis e outros objetos. Apesar da sensação de medo, não há risco para as edificações”, ressaltou.
Com informações e imagem: www.oestadonet.com.br
