Casos de malária: projeto do Albert Einstein promete diagnóstico em 15 minutos.
A malária é uma doença transmitida pela picada do mosquito Anopheles, e causa febre alta, calafrios, tremores e sudorese. A enfermidade pode ser observada muito na Amazônia, segundo dados que mostram que, dos 112.490 casos registrados até 22 de dezembro de 2025, 109.932 foram na região amazônica. Em localidades mais remotas, da apresentação dos sintomas até o diagnóstico de malária, podem se passar de três a cinco dias, um período crucial para tratar a doença e manter o paciente vivo.
Foi pensando nessa corrida contra o tempo que um projeto liderado pelo Einstein Hospital Israelita, promete usar inteligência artificial para reduzir esse intervalo do diagnóstico para cerca de 15 minutos. Chamado de Malar.IA, a proposta é treinar um algoritmo capaz de identificar o parasita da malária em lâminas de sangue analisadas por um microscópio digital portátil, o Hilab Lens.
Segundo o jornal Folha de S. Paulo, que divulgou a iniciativa, isso significa que o exame tem potencial de ser feito em trânsito, em unidades itinerantes. Atualmente, o diagnóstico necessita de unidades fixas e leitura manual do microscópio.
Além de acelerar o diagnóstico e o início do tratamento, a ferramenta também pode ser usada para ampliar a vigilância em saúde. Segundo Leandro Rosa dos Santos, vice-presidente de Estratégia e Inovação da Positivo Tecnologia, ouvido pela Folha, a iniciativa já tem um caminho aberto para chegar à rede pública, uma vez que o Ministério da Saúde está ampliando as unidades básicas de saúde itinerantes, inclusive fluviais, dentro da estratégia de saúde digital.
O projeto iniciou em outubro de 2025, e possui uma duração de 24 meses. Agora, a etapa vigente são os testes de pesquisa e desenvolvimento. Segundo a Folha, durante a execução do projeto, serão coletadas cerca de 1.400 amostras de sangue em Manaus e em São Gabriel da Cachoeira, município do Alto Rio Negro com alta incidência da doença. Dessas amostras sairão cerca de 30 mil imagens microscópicas que servirão para treinar e validar o algoritmo.
A próxima etapa da iniciativa é a validação clínica, em que cerca de 320 participantes terão seus exames analisados tanto pelo algoritmo quanto pelos métodos laboratoriais tradicionais, permitindo medir a acurácia da inteligência artificial.
A Folha afirma que a expectativa é que a experiência abra caminho para a aplicação da mesma lógica em enfermidades como tuberculose, leishmaniose e doença de Chagas, todas com grande impacto em populações vulneráveis.
