Caso Bruno Mafra: estuprador de vulnerável ou quando o inimigo mora em casa.
Justiça do Pará mantém por unanimidade cantor condenado a mais de 30 anos de prisão por abuso sexual das próprias filhas.
Julgamento
O Tribunal de Justiça do Pará (TJPA)
manteve, na última quinta-feira, 26, a pena do cantor Bruno Mafra,
de 30 anos, quatro meses e 24 dias de prisão em regime fechado por
estupro de vulnerável continuado. O processo corre sob sigilo e teve
julgamento em segunda instância pela 1ª Turma de Direito Penal.
Jurisprudência
A
decisão dos desembargadores valorizou a palavra das vítimas como
prova fundamental em crimes sexuais, conforme jurisprudência do
Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Regra
CNJ
O processo tramitou com sigilo apenas em relação às
vítimas, permitindo a publicidade do nome do réu, conforme as
regras do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Contundente
Para
a relatora do caso, a desembargadora Rosi Maria Gomes de Farias, as
provas são contundentes. Ela relatou que o artista usou a relação
de confiança e a figura paterna para cometer abusos em casa e no
carro.
"As vítimas relataram de forma independente e consistente episódios decorridos em ambientes controlados pelo réu, com modus operandi semelhante, caracterizado por isolamento, pedidos de segredo, manipulação psicológica, exibição de material pornográfico, toques íntimos e atos libidinosos, inclusive sexo oral", disse a magistrada.
Crimes
confirmados
Os depoimentos foram corroborados por
familiares, como a mãe, a avó materna e um tio das vítimas. Um
laudo sexológico também confirmou a materialidade dos crimes.
Denúncias
As
denúncias surgiram em 2019, quando as vítimas relataram abusos
sofridos na infância. Os crimes aconteceram entre 2007 e 2011, em
Belém, quando as irmãs tinham 5 e 9 anos de idade.
Filha
se pronuncia
Melissa Apprigio, filha do cantor Bruno Mafra,
se pronunciou em um vídeo publicado no Instagram. A vítima fez um
forte desabafo sobre os abusos sofridos e o impacto do caso em sua
vida. “Foram anos de luta e hoje eu vivo um luto, porque enterrei o
meu genitor, que por muitos anos eu quis que fosse meu pai”, disse
ela.
Versão
O
acusado, cantor da Banda Bruno e Trio, usou suas redes
sociais, na tarde de sexta, 27, para negar as acusações. Mafra, que
está em liberdade, publicou um texto no Instagram afirmando que
confia na Justiça e no direito de responder em liberdade.
“Tenho a tranquilidade de quem sabe da própria conduta. O tempo e a Justiça se encarregarão de restabelecer a verdade. Sigo firme, com dignidade, respeito e fé. Seguirei colaborando integralmente para o completo esclarecimento dos fatos”, escreveu ele.
O advogado que representa o cantor informou que vai recorrer da decisão, afirmando, por meio de nota, que o processo não tem decisão definitiva, apontando ainda violações legais. A defesa pedia a absolvição por insuficiência de provas, mas o recurso foi negado.
Com informações: Portais G1 Pará, UOL e Metrópoles
Crédito imagem: Reprodução Instagram
