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Ainda é possível fazer bom jornalismo no Brasil?

Uma breve reflexão sobre o fazer e o consumir notícias

Caros leitores d’O Amazônico,

Sou Roberta, jornalista e colaboradora do portal. Meu olhar e minha escrita estão camuflados nas notícias diárias que preenchem a agenda amazônica deste portal. Temporariamente, me afastarei dos trabalhos e, generosamente, nosso editor-chefe Toni Remigio me convidou para colaborar - uma última vez - com alguma coluna. No que posso contribuir com as discussões tão valiosas d’O Amazônico, falando sobre a experiência que tive aqui, e com as minhas vivências?

Pensei em uma reflexão que rondou toda minha Graduação, ronda meu trabalho diário, e me esclareceu muitas questões enquanto aqui redigia no último 1 ano e meio: ainda é possível fazer bom jornalismo no Brasil?

O bom jornalismo é imparcial?

Já começo respondendo a essa pergunta: a imparcialidade é um mito. Todo jornalismo, mesmo o mais comprometido com a verdade dos fatos, é imparcial. Existe viés, narrativa, escolha de palavras, discurso, versões. E é importante pensar que o bom jornalismo não foge disso.

Não são inverdades ou desinformações que tornam o jornalismo imparcial. É o posicionamento, as fontes ouvidas, para quem se fala, de quem se fala. Aqui, neste espaço, vemos isso: é informação, com OPINIÃO. Reconhecer os caminhos que essa narrativa pode construir é importante para consumir notícias com o senso crítico esclarecido - algo esperado do jornalismo para com seus leitores.

O que vira notícia?

Se o parâmetro de bom jornalismo são suas boas notícias, aí vai um banho de água fria. Antes de ser improvável, utilidade pública ou anormalidade, a notícia precisa vender. O que antes era apenas uma simples pauta, agora precisa render likes, visualizações e compartilhamentos.

Todos precisamos ganhar dinheiro, claro, mas onde ficam as notícias longas, profundas, que exigem leitores pacientes? Este espaço é conhecido por seus longos textos - que, diga-se de passagem, atraem um público fiel. Um case de resistência em um mar de pequenas linhas resumidas.

E onde vai o bom jornalismo?

Mesmo com esse cenário, que parece um pouco desanimador para jovens jornalistas como eu, é importante pensar que ainda existem espaços para um fazer jornalístico no mínimo mais livre, comprometido, e confiante.

É possível furar a bolha, sair pelas frestas e tentar construir um caminho diferente. E a gente vai descobrindo esses caminhos, se percebendo, tentando, errando e acertando. 

Consumir o “bom” jornalismo também é central. Claro que, desde o início desta reflexão, o conceito do que é bom ou ruim não me cabe - compete a quem consome e aos preceitos jornalísticos há muito formados. Mas esse é o exercício que proponho: como podemos consumir conteúdos fora da curva, com estrutura, investigação, apuração, vigor? 

A conclusão é que não existe conclusão, e peço desculpas aos leitores decepcionados que esperavam um passo a passo jornalístico matemático. Mas as ciências humanas (e a humanidade em si) são isso: voláteis, controversas, questionadoras. Desejo que este bom jornalismo cresça, se desenvolva, e faça um Brasil melhor.




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Toni Remigio
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