40 bilhões: Defesa de Daniel Vorcaro diz que ex-banqueiro quer devolver quantia em 10 anos.
Prazo é considerado muito longo pelo comando da investigação, além de estratégia de defensor com vistas a reverter processo
A defesa do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, apresentou na terça-feira, 05, uma proposta de delação premiada na qual se compromete a devolver R$40 bilhões, mas com o pagamento parcelado ao longo de 10 anos.
A
avaliação no Supremo Tribunal Federal (STF) é que o prazo está
“muito elástico”, o que dificulta a recomposição imediata dos
cofres públicos.
A estratégia do
advogado de Daniel Vorcaro, José Luis de Oliveira Lima, conhecido
como Juca, é ganhar tempo para tentar, ao longo dos próximos meses
ou anos, reverter o processo.
O plano da defesa consiste
em encontrar brechas na investigação para arguir eventuais
nulidades processuais que possam beneficiar o empresário.
Tanto no STF quanto
na Procuradoria Geral da República (PGR) há insatisfação com a
forma como José Luis de Oliveira Lima tem apresentado a proposta de
colaboração.
A avaliação técnica é que o
parcelamento excessivo retira a eficácia da recuperação de ativos,
um dos pilares da lei de delação.
A seguir
Os
anexos com as informações que a defesa pretende oferecer em troca
de eventuais benefícios penais foram enviados para a Polícia
Federal e para a PGR.
Formalmente, o relator do caso,
ministro André Mendonça, ainda não recebeu os documentos.
É necessária uma
análise inicial da PF e da PGR sobre a utilidade dos dados e
informações para, eventualmente, encaminhar o acordo para
homologação do STF.
A expectativa é que a análise da
delação de Daniel Vorcaro aconteça a partir de junho ou julho
deste ano. O depoimento de Vorcaro tem a possibilidade de expor as
autoridades dos Três Poderes.
O eventual
vazamento de dados da delação de Vorcaro deve começar a surgir nos
próximos meses, pouco antes do período eleitoral.
Quanto
mais o tempo passa, maior pode ser o impacto no pleito de 2026. O 1°
turno das eleições será em 4 de outubro.
Compliance
Zero
Nesta
quinta-feira, 07, o ministro André Mendonça autorizou a 5ª fase da
Operação Compliance Zero. Entre os alvos, esteve o senador
Ciro Nogueira (PP-PI).
Na sua decisão, Mendonça disse
que a relação de Vorcaro com o senador “extrapola a amizade”.
Para ele, as investigações mostram um “um arranjo
funcional e instrumentalmente orientado para obtenção de benefícios
mútuos”.
As informações sobre o envolvimento de Ciro
Nogueira no caso foram extraídas de documentos e celulares de
Vorcaro apreendidos pela Polícia Federal. Parte disso não está na
proposta delação do ex-banqueiro.
Na decisão que
autorizou a operação, Mendonça cita “pagamentos mensais da ordem
de R$ 300 mil ou mais, além de outras transações atípicas” de
Vorcaro a Ciro. E completa: “O montante teria evoluído para R$ 500
mil”.
O ministro do STF cita uma emenda à PEC da
autonomia do BC apresentada por Ciro em agosto de 2024 que favorecia
o Master.
O texto do
senador propunha aumentar o valor coberto pelo FGC de R$ 250 mil por
CPF para R$ 1 milhão. Segundo a PF, a emenda foi escrita pelo
próprio Vorcaro.
Crédito ilustração: reprodução redes sociais
