Último traído: PSB é escanteado no projeto de poder de Daniel Santos.
De socialista, partido fundado por Miguel Arraes só tem o nome na sigla. Agremiação é retrato do fisiologismo e clientelismo da política brasileira.
Lista que cresce
Márcio Miranda, Simão Jatene, Helder
Barbalho, Manoel Pioneiro, Érick Monteiro, Partido Socialista
Brasileiro (PSB), a lista de traídos, abandonados, deixados de lado,
escanteados, usados e abusados só aumenta entre ex-aliados, pseudo
amigos, sócios, correligionários, partidos, entre outros menos
votados que convivem com o quase ex-prefeito de Ananindeua, o Doutor
Daniel.
Nenhuma
novidade
Para surpresa de ninguém, o político anunciou
semana passada a sua desfiliação do PSB e o ingresso no Podemos,
que no Pará abriga o senador Zequinha Marinho em sua presidência.
Aluguel
Claro como a luz do sol, a nova legenda de Daniel Santos entrou
na sua mira desde o dia em que Lula começou a estagnar nas pesquisas
e seu opositor, Flávio Bolsonaro, passou a fazer o caminho inverso:
crescer consistentemente e mostrar ao presidente, seu entorno e ao
distinto público, que a disputa que se avizinha será tão o mais
renhida que a de 2022.
Vale tudo
Por ora, como forma de deixar um pé em cada canoa e com a confirmação de Geraldo Alckmin, o neosocialista, na vice de Lula, o doutor aproveitou a “janela partidária” e migrou sua esposa, a deputada federal Alessandra Haber, para a sua nova legenda de aluguel.
Coerência
zero
Como resta cada vez mais claro, o partido de Daniel
Santos é o PDS: Partido de Daniel Santos.
Nítida também a sua estratégia em trazer para si os votos anti-Lula e pró-Bolsonaro (algo como 30% do eleitorado) de forma gravitacional, deslocando o delegado Éder Mauro para a disputa da Câmara Alta e o ex-pré-candidato pelo PL ao governo, o ex-senador Mário Couto, para mais um escanteio em seu ostracismo político que já passa de década.
Nariz
tapado
Que pautas em comum, nada. A aposta do doutor é no
pragmatismo do candidato presidencial do PL, Flávio Bolsonaro, que
precisa de palanques em todas as regiões, na memória curta do
eleitorado, na decadência física e eleitoral de Lula, dono de um
governo reprovado pela maioria, e em outras questões locais.
Centrão
Outra
certeza do doutor é no vaticínio feito por seu ex-aliado, Érick
Monteiro, em pronunciamento da tribuna da Alepa, antes do rompimento
entre ambos, em meados de 2024.
Naquela altura, o deputado disse a quem quisesse ouvir, que a ampla maioria da base de Helder Barbalho migraria para apoiar o doutor tão logo ele sentasse na cadeira de governador. Fato.
O que Erick não deixou claro, é que muitos desses políticos são capazes de trair antes, durante e após o 1º turno da disputa. Fato também.
Cálculo
Para
Daniel, a soma dos votos de Bolsonaro, com o apoio dos evangélicos
graças a Zequinha Marinho, mais uma insatisfação aqui e outra
acolá, são o suficiente para lhe possibilitar a sonhada vitória.
30
dinheiros
Para ele, o corpo mole de um deputado ou deputada,
somado a azia coletiva de meia dúzia de prefeitos e outro tanto de
marquetagem, irão lhe conferir a maioria que precisa para, uma vez
eleito, persistir em seu estilo individualista e “disruptivo”
quando o tema é lealdade, palavra, gratidão, amizade.
Combinado
Enquanto
isso, para ele, fica combinado que a soma do PL ao PSB e o trem dos
insatisfeitos serão capazes de garantir-lhe a vitória, a
prerrogativa de foro e uma lavagem expressa em sua reputação de
prefeito mais corrupto (e ingrato) da história de Ananindeua,
proporcionalmente falando.
Ornitorrinco
Aos
jovens que somente se desencantam quando abertos os intestinos das
tratativas políticas, resta colocar em álbum de memórias as
imagens das filiações dele, Dr. Daniel, no Podemos, e da sua
esposa, Alessandra Haber, ao PSB.
PL-PSB
As
faces sorridentes de ambos e as caras de paisagem dos convidados ao
ato mostram que pontificam ali vários cenários, excetuadas mínimas
doses que sejam de coerência, princípios, idealismo ou espírito
público.
E tem mais: nessas eleições, a união de PL e PSB em capitais e grandes cidades deve ser rara como neve na Amazônia, tornando a união mais frágil ainda.
Por que não?
O incauto eleitor e a desavisada leitora devem se questionar: “ora bolas, por que raios a deputada não foi logo, de mala e cuia, para o Podemos? Tempo de rádio e TV no horário eleitoral é a resposta. Também.
Águas vão rolar
Mas até outubro muita água ainda pode rolar. E o Pará merece mais, muito mais.
Fotos: wikipedia e reprodução redes sociais
