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TSE proíbe posts que ligam Flávio Bolsonaro a plano de tirar título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida

Ministro André Mendonça suaviza voto sobre publicação de Antonio Tabet

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu nesta quarta-feira, 30, manter a proibição a publicações que associem o candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL) a um projeto para retirar o título de Nossa Senhora Aparecida de Padroeira do Brasil.


Na visão da Corte, não há evidências de que Flávio Bolsonaro tenha agido ou esteja atuando para alterar o título da padroeira, o que torna essas publicações falsas.


A maioria do Tribunal, porém, votou para suavizar as restrições que haviam sido impostas inicialmente pelo ministro André Mendonça, relator do caso.


O próprio ministro recuou e se posicionou pela liberação de um post do humorista Antonio Tabet que dizia: "A família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida!".


Mendonça seguiu a posição do ministro Ricardo Cueva, que considerou que essa publicação não fazia afirmações falsas sobre uma atuação concreta de Flávio Bolsonaro contra o título de padroeira.


Ao alterar o voto, Mendonça considerou que há "ambiguidade" na postagem.


"Diante da razoabilidade da compreensão de ambiguidade de seu conteúdo, entendo que a solução mais consentânea com os critérios de intervenção mínima e de proteção reforçada da liberdade de expressão consiste em preservar a postagem", disse Mendonça.


Ele disse, porém, que esse ajuste não alterava o restante do seu voto e reforçou o "reconhecimento de que são objetivamente falsas as afirmações" de que Flávio Bolsonaro "teria sido autor, apresentado, proposto, apoiado ou articulado concretamente iniciativa destinada à retirada de Nossa Senhora Aparecida da condição de Padroeira do Brasil".


Com o ajuste no voto do relator, votaram com ele os ministros Nunes Marques e Dias Toffoli. Acompanharam-no por fundamentação diversa os ministros Sebastião Reis Júnior e Estela Aranha. 


Divergência

Divergiram parcialmente os ministros Villas Bôas Cueva e Floriano de Azevedo Marques, em diversos pontos relativos ao alcance e extensão das ordens.


Villas Bôas Cueva propôs que a derrubada de postagens não alcancem aquelas que apresentem fatos prospectivos — por exemplo, a hipótese do candidato vir a apoiar a substituição da figura padroeira do Brasil.


Também sustentou que as plataformas revejam todas as exclusões feitas e restabeleçam os conteúdos que não atendam a esses parâmetros. E pugnou que elas só sejam obrigadas a atuar preventivamente se já houver decisão colegiada do TSE.

Já Floriano votou pela ausência de legitimidade ativa e interesse de agir de Flávio Bolsonaro, já que ele não foi sequer citado na postagem de Tabet. Interpretou que ela teve natureza satírica e crítica social, cabível no cenário da campanha eleitoral.


E foi contra incluir na ordem de derrubada de conteúdos os termos abertos como “articulou, apoiou, está comprometido com ou pretende promover”, sob risco de gerar alcance demasiadamente genérico.



Crédito imagem: Secom/TSE







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Toni Remigio
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