“A brincadeira com o best seller Comer, Rezar e Amar se encerra no título, mas dá o tom desta crônica. Agosto caminha para o fim e, no momento em que este texto é escrito, restam 16 rodadas para o término da Série B. O torcedor do Paysandu se divide entre o sagrado e o matemático.
Drama e angústia se misturam em uma disputa que a cada rodada se estreita, confirmando: esta é, seguramente, uma das Séries B mais equilibradas dos últimos 10 anos. O clube ainda colhe os frutos de anos de desorganização e das seguidas “operações de salvamento” — um roteiro repetido e exaustivo para o torcedor bicolor, que, com razão, direciona críticas claras à gestão.
A chegada de Claudinei Oliveira representou uma virada de chave. Maurício Garcez, Diogo Oliveira e outros nomes entregaram dentro de campo o respeito que a arquibancada lhes devolveu, oferecendo aqueles famosos “110%”. Mas também sentiram o peso da estafa. Com Claudinei, são apenas duas derrotas em 11 jogos — números que animam, mas que ainda não apagam o início pífio da campanha. O aproveitamento de G4 se dilui e o time oscila entre a zona de degola e breves respiros na tabela, cada vez mais desafiadora.
É hora do fato novo! De revigorar elenco, torcida, ambiente — e, sobretudo, recuperar a força da Curuzu. É preciso resgatar o temor de jogar contra o Paysandu em Belém, a certeza de que, independente do placar, em casa quem vence é o bicolor. A maré começa a subir e o Papão precisa navegar.
O torcedor já conhece o ritual: olhar para o lado, firmar um pacto silencioso e assumir que só será possível permanecer se todos jogarem juntos. Entre os maiores trunfos do Paysandu, nenhum supera o seu torcedor. Em qualquer rua, em qualquer arquibancada, basta uma palavra para defini-lo: Fiel.
Restam 16 rodadas. De terço na mão e calculadora no bolso, esse torcedor promete acreditar e seguir até o fim. Fórmula mágica? Não existe. Mas raça, fé, entrega e coragem estarão presentes nas arquibancadas, nos radinhos, nas transmissões e em cada canto deste Pará — e do Brasil.
Só existe o agora.
Vamos, Bicolor!”
Por André Butter
