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Sob nova direção: apenas um mês depois, mudança na PMPA revela estilos diferentes dos comandantes.

Perfil do novo comandante-geral, coronel Sérgio Neves, tem-se mostrado agregador e capaz de trazer de volta oficiais afastados há anos da corporação.

Caserna é caserna, seja ela uma força militar chamada Exército, Aeronáutica ou Marinha e seus apêndices traduzidos nas forças e grupos especiais pertencentes a cada uma delas.

Antes de tudo, ali imperam hierarquia, disciplina e ordem. Assim também funciona nas polícias militares Brasil e mundo afora.

Associado ao princípio hierárquico, outro mister das forças e polícias militares são fatores e habilidades relativos à capacidade de liderança, estratégia, forças física e mental; performances em provas práticas, teóricas e competições desportivas; manuseio de armas, além dos títulos de formações extras ou excepcionais como Estado-Maior e outras capacitações em órgãos e institucionais nacionais e internacionais.

Sorbonne e Linha Dura

Passemos agora a uma minúscula digressão e nos remetamos a uma analogia tomando como exemplo os espectros dos marechais Humberto de Alencar Castello Branco e Arthur da Costa e Silva.

Respectivamente primeiro e segundo presidentes do período militar compreendido entre 1964 e 1985, os dois foram contemporâneos nos anos de formação e, segundo os livros de História, Costa e Silva teria obtido desempenho melhor que Castello Branco nas provas teóricas daqueles dias.

Esta supremacia, também afirma farta literatura do período, seria uma das responsáveis pela troca de comando em 1967, quando Castello passara-lhe o poder mesmo sabendo que abrir mão do comando iria colocar por terra a promessa de restauração do regime democrático.

Aceitar passar o bastão ao rival teria como raiz um certo complexo de inferioridade de Castello Branco em relação ao contemporâneo dos bancos de escola militar.

Eleitor de Carlos Lacerda desde sua candidatura à vereador, o cearense era o principal arquiteto do grupo moderado conhecido como “Sorbonne”, composto por militares formados na Escola Superior de Guerra (ESG), e que desejava uma ditadura breve com o objetivo de "limpar" o país antes de restaurar a democracia. 

Oposto do que pregava e defendia a turma da “Linha Dura”, mais radical e autoritária, e cujas divisões internas culminariam na sucessão de Costa e Silva, quando o autoritarismo do regime seria radicalizado. 

Este grupo de militares tinha formação na Escola de Guerra de Fort Leavenworth (EUA) e eram mais alinhados com o endurecimento do regime e a repressão. 

Troca na PMPA

Finda a digressão, corta para Belém (PA), 05 de setembro de 2025. Naquela sexta-feira, o Diário Oficial do Estado (DOE) publicara a “troca de guarda” na briosa Polícia Militar do Pará (PMPA).

Após seis anos, oito meses e cinco dias, deixava o comando-geral o coronel agora reformado José Dilson Melo de Souza Júnior, substituído pelo seu equivalente em patente, o coronel (fechado) Sérgio Ricardo Neves de Almeida. 

Dilson Júnior, indicado e nomeado presidente da Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa) pelo governador Helder Barbalho fora substituído pelo coronel que estava na Secretaria de Segurança Pública (Segup) e que já tinha exercido a chefia do Departamento Geral de Operações (DGO) da PMPA.

Renovação

Num primeiro momento, a troca de comando foi vista como uma renovação na corporação com vistas a reforçar tanto a segurança pública quanto à gestão de serviços essenciais.

Como qualquer outro em seu lugar, é fato que havia uma certa “fadiga de material” em relação ao estilo do comandante que saía, na medida em que o posto carrega consigo um componente desgastante e estressante em função da natureza da atividade de policiamento ostensivo.

Mesmo entre os seus “adversários intelectuais” internos no oficialato, digamos assim, muitos reconhecem os méritos e conquistas celebradas pelo longo período de comando do coronel Dílson Jr. 

Também é inequívoco que ele tornou-se auxiliar de confiança do governador do estado e a sua indicação para a presidência da Cosanpa é uma evidência disso.  

"Quero agradecer ao Cel. Dilson Jr. pelo excelente trabalho à frente da nossa briosa PM, sendo o comandante mais longevo da corporação. Agora, ele assume um novo desafio como presidente da Cosanpa. No comando da PM assume o Cel. Sérgio Neves, que já atuou como Dir. de Operações da PMPA e, desde dez/2024, era Secretário Adjunto de Gestão Operacional da SEGUP. Sucesso a todos.”, escreveu o comandante em chefe da força em sua rede social. 

Baile

Internamente falando, a maior evidência da diferença de estilo entre os dois comandantes restou claro no último dia 27 de setembro, quando ocorreu o “Baile das Estrelas de 2025”, evento realizado pelo Clube dos Oficiais da Polícia Militar do Pará (COPM), em celebração aos 65 anos da sua fundação. 

A festa reuniu todos os ex-comandantes-gerais que residem na capital, fato que não passou despercebido entre os presentes. Sob garantia do anonimato, oficial da ativa presente revelou ao site O Amazônico um pouco sobre a atmosfera do congraçamento. 

“Não tenho nenhum orgulho em dizer isso, mas o coronel Sérgio, em menos de 30 dias, fez mais pela união - pelo menos quanto ao simbolismo de ter no seio da nossa comunidade os antigos comandantes - do que o antigo comandante em quase sete anos”.

Coube a outro oficial, este na reserva, confirmar a mudança de clima e estilo entre os dois comandantes. “Ser chefe qualquer um pode, mas liderar, ter o reconhecimento de líder, é para poucos”, diz ele.  

Lá e cá

Como se vê pelos depoimentos e fotos da celebração, a analogia que nos foi feita por um terceiro oficial sobre a época do regime militar, aquela da turma da “linha dura” e da “Sorbonne”, o comandante que sai estaria mais para o time de Costa e Silva, e o que entra, do marechal Castello Branco.

Para a população em geral, o que se almeja é que os indicadores de violência diminuam sempre, e que a PMPA seja a melhor da região (e do Brasil) e ainda, que se para isso é melhor que oficiais modernos, antigos e praças em geral estejam satisfeitos e integrados, que prevaleça e reine a paz entre eles. 

O nosso mais profundo desejo é que ambos os oficiais desempenhem as suas funções da melhor forma possível em benefício dos cidadãos pagadores de impostos e contas de água. 





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Toni Remigio
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