Querem apito: Indígenas esperam encontro com Lula e celeridade em demarcações.
Movimento programa duas marchas nesta semana em Brasília. Mais de 6 mil pessoas são esperadas na capital.
Com o início da programação da 22ª edição do Acampamento Terra
Livre, no centro de Brasília, líderes indígenas esperam que Lula
visite o evento que tem presença prevista de mais de 6 mil pessoas
procedentes de todas as regiões brasileiras.
Eles
devem conversar com Lula e com outras autoridades sobre a necessidade
de celeridade na demarcação de terras indígenas no país.
Coordenador
da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o militante e
pesquisador Kleber Karipuna confirmou que há um diálogo com o
governo para receber Lula durante a semana.
“Para
que a gente possa ouvir o que podemos esperar do governo ainda neste
ano, em todas as ações e pautas possíveis para o movimento
indígena”, disse.
As
lideranças têm esperança também que o governo anuncie novidades,
principalmente com relação a demarcações e ações de proteção
às comunidades em todo o país.
Karipuna explica que,
antes da COP30 do ano passado, foi apresentado um documento para o
governo federal com embasamentos técnico, jurídico e administrativo
de 107 terras indígenas que estariam aptas a serem regularizadas.
A
liderança indígena entende que o Brasil tem que assumir o
compromisso em 58 milhões de hectares para os próximos 5 anos, seja
na posse de terra ou na proteção territorial. Karipuna pondera
que, nos últimos quatro anos, houve um “pequeno avanço” de 20
terras homologadas.
“Mas
não é o suficiente diante do passivo histórico que nós temos”,
afirmou o coordenador da Apib.
Violência
A
liderança indígena Luana Kayngang, que é coordenadora da
Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (Arpin-Sul),
afirmou que a violência contra as mulheres indígenas assusta as
comunidades.
“Não tem sido tão fácil esse cenário que a gente vem vivenciando”, afirmou. Isso ocorre, segundo Luana, porque as mulheres estão mais vulneráveis em ataques externos às aldeias.
Coordenador
da articulação dos povos e organizações indígenas do Nordeste e
Minas Gerais do Espírito Santo, Paulo Tupinambá disse que todas as
delegações viabilizaram transporte a Brasília por conta própria,
sem recursos públicos de qualquer ordem.
Marchas
Durante a
semana, estão programadas pelo menos duas marchas dos indígenas do
acampamento até a Praça dos Três Poderes a partir do Acampamento
Terra Livre, que foi montado no Eixo Monumental (avenida que separa a
Asa Sul e a Asa Norte).
A primeira marcha será nesta terça-feira (7), a partir das 9h. Eles devem encontrar representantes do governo e parlamentares, entre eles a deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG).
Kleber
Karipuna acrescenta que o protesto dos indígenas tem como finalidade
colaborar com o próprio governo federal para avançar com as pautas.
“Nós
precisamos, ainda neste ano, alguns avanços, tanto de desintrusões
como para o pleno usufruto exclusivo de cada povo nas suas regiões”,
revela. A segunda marcha será na quinta-feira, 09, às 14h.
Com
o tema “Demarca Lula: Brasil soberano é terra indígena demarcada
e protegida”, a APIB defende que, até março deste ano, pelo menos
76 Terras Indígenas já estavam prontas para homologação e
aguardam apenas a assinatura do presidente Lula, enquanto outras 34
dependem de portaria do Ministério da Justiça.
Nova
política
Em
nota à Agência Brasil, o Ministério dos Povos Indígenas lembrou
que a instalação da pasta, em 2023, fez com que indígenas
ocupassem cargos estratégicos e decisórios.
"A criação do MPI foi uma ruptura da visão tutelar que há décadas orientou a política indigenista".
Ainda
segundo a nota, as decisões sobre os direitos e as necessidades dos
mais de 391 povos indígenas brasileiros foram tomadas por pessoas
que entenderam as demandas e os desafios.
"As ações
do MPI nos últimos três anos foram relevantes para recuperar
direitos e políticas desmanteladas na década anterior à atual
gestão".
De
acordo com o governo, uma das principais ações foi a garantia dos
povos com a homologação de 20 territórios indígenas, o que somou
2,2 milhões de hectares.
Com informações e imagem: Agência Brasil
