Produção florestal no país alcança recorde de R$ 47,9 bilhões em 2025
Pesquisa “Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura” identificou que produtos alimentícios somaram R$ 2,2 bilhões em valor de produção; Metade desse montante coube ao açaí (251 mil toneladas), sendo dois terços dessa produção (66,7%) no Pará
As
florestas brasileiras renderam ao país uma produção econômica
avaliada em R$ 47,9 bilhões em 2025. Esse é o maior valor já
alcançado no Brasil e representa alta de 6,7% em relação ao ano
anterior.
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Os
dados se referem a florestas naturais ou plantadas e fazem parte da
pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura,
divulgada nesta quinta-feira, 24, pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE).
O
instituto leva em consideração a silvicultura, quando a produção
é retirada de áreas plantadas, e do extrativismo, que se refere à
área verde originalmente natural.
As
cifras são em valores correntes ao ano da pesquisa, ou seja, não
levam em conta a inflação do período até hoje.
Silvicultura
dispara
A silvicultura saltou 8,6% de 2024 para 2025, atingindo R$ 41 bilhões. A extração vegetal caminhou no sentido contrário e recuou 3,1%, ficando em R$ 6,9 bilhões.
No
fim da década de 1990, a silvicultura e o extrativismo se alternavam
como principais motores da produção florestal. Mas,
desde então, a produção de áreas plantadas disparou, chegando a
85,6% em 2025, restando apenas 14,4% à extração vegetal.
O
IBGE destaca que, desde 2019, o valor econômico da silvicultura
cresceu 165%. A explicação, segundo o instituto, são avanços
tecnológicos.
Em
2025, as florestas plantadas somaram 10,4 milhões de hectares (104
mil km²). Isso equivale praticamente ao tamanho de Pernambuco (98
mil km²).
Eucalipto
e celulose
Dessa área, 78,6 % são de eucalipto, árvore de crescimento rápido (em torno de sete a oito anos) utilizada principalmente na indústria de celulose, matéria-prima fundamental para a fabricação do papel.
A
produtividade da silvicultura brasileira faz com que o país seja o
maior produtor e exportador mundial de celulose, posição ocupada
desde 2022, quando superou o Canadá.
O
IBGE informa que o destaque global do país é impulsionado também
por condições climáticas e pelo solo favoráveis ao crescimento
rápido de florestas, além de “investimentos em práticas
sustentáveis, que o tornam altamente competitivo no mercado
internacional”.
Em
2025, o Brasil produziu 22,2 milhões de toneladas de celulose, 12,7%
mais que no ano anterior.
China
influencia preço
Em termos de valores, foram US$ 10,2 bilhões, recuo de 3,9% em um ano. Por ser uma commodity (matéria-prima negociada com preços internacionais), o valor da celulose depende diretamente do mercado mundial.
O
IBGE justifica que os preços caíram por causa do “excesso de
oferta global, pela desaceleração do consumo chinês e consequente
aumento dos estoques, e por questões cambiais, como a valorização
do real”.
A
celulose foi o oitavo produto mais exportado pelo Brasil em 2025. O
topo da lista é ocupado, na ordem, pelo petróleo, soja e minério
de ferro.
Três
Lagoas
O levantamento aponta que 4.889 municípios registraram produção florestal no ano passado. O de maior destaque é Três Lagoas, cidade de 145 mil pessoas no leste de Mato Grosso do Sul.
No
ano passado, a produção florestal chegou a R$ 1,8 bilhão, mais que
triplicou (+216,3%) em relação a 2024. Na cidade, há fábricas das
produtoras de celulose Suzano (maior empresa mundial do setor) e
Eldorado.
Em
termos estaduais, Minas Gerais tem o maior protagonismo, com valor da
produção da silvicultura chegando a R$ 9,2 bilhões em 2025, ou
22,5% do total nacional. Minas é o maior produtor de carvão vegetal
do país, com 84,6% do volume nacional.
Alimentícios
A pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura identificou que produtos alimentícios somaram R$ 2,2 bilhões em valor de produção.
Metade
desse montante coube ao açaí (251 mil toneladas), sendo dois terços
dessa produção (66,7%) no Pará.
A
erva-mate ostentou a vice-liderança entre os produtos não
madeireiros, com R$ 562,3 milhões. De todo o mate extraído no país,
88,4% vieram do Paraná.
Com
informações e imagem: Agência Brasil
