Precisamos falar sobre Olavo
Não, senhores, não precisamos mais falar sobre o pesadelo do Paysandu: rebaixado com requintes de crueldade contra o rival. Não aguento mais chorar pitangas.
Quero falar sobre algo absolutamente inútil, mas de suma importância para o time dos noveleiros e noveleiras como eu: a reta final de Vale Tudo. Ou melhor, o fenômeno popular chamado Olavo, o personagem brilhantemente interpretado pelo ator mineiro ( Minas e seu eterno poder de me encantar) Ricardo Teodoro.
Há muito tempo, desde Avenida Brasil, eu não acompanhava novelas. Mas Vale Tudo, a obra clássica de Gilberto Braga, me fez voltar a assistir. Apesar das inúmeras críticas do público ao remake da autora Manuela Dias, a novela teve personagens que roubaram a cena e encantaram o Brasil.
Nunca uma vilã foi tão amada pelo público como a Odete Roitman de hoje, interpretada deliciosamente por Débora Bloch. As falas de “Fodete” ( apelido que os fãs da novela deram à loba insaciável) foram caprichosamente escritas por Manuela. Sagacidade e sarcasmo temperados com o talento explosivo de Débora, que parece ter nascido para viver esse inesquecível papel.
Mas do show de Débora e sua Odete, todos que assistem à novela falam. Quero render vivas a um coadjuvante que, quando entrava em cena, com aquela musiquinha engraçada, já arrancava sorrisos. Falo de Olavo, o canalha do bem, sócio e parceiro de Cesar Ribeiro ( Cauã Reymond) nas trambicagens. A dupla vai deixar saudades com o fim da novela.
Olavo é um fenômeno popular com a cara do Brasil. O cara que todos gostariam de convidar para um churrasco, o malandro de bom coração, a figura popular de raciocínio desconcertante, o ogro sedutor que transforma o flerte em algo simples e objetivo. O “X- Tudão” que fez a requintada tia Celina revirar os olhinhos de deleite. Steban e seu vasto repertório cultural, com molho de fricassé, não conseguiu.
O carisma de Olavo se tornou ainda mais irresistível depois que eu ouvi uma entrevista do ator por trás da lenda. Ricardo Teodoro é aquele homem simples do interior de Minas, que largou tudo para estudar teatro no Rio. O talento latente o fez despontar em tempo recorde. Conseguiu três prêmios internacionais no cinema, entre eles o de melhor ator coadjuvante, no Festival de Cannes, no ano passado.
Ricardo Teodoro vive o apogeu da carreira com o sucesso de Olavo, mas o que exibe é uma humildade encantadora. Com aquele “jeitin” de homem do campo, com hálito de café mineiro saindo do fogão de lenha, e ouvindo Victor & Leo na vitrola. Atende a todos os fãs com simpatia, presencialmente ou pelas redes sociais, inclusive a esta jornalista que vos escreve.
E se tivesse a chance de escolher um time no Pará para torcer ( Ricardo esteve aqui para gravar “Pssica”, minissérie paraense da Netflix), certamente Olavinho seria Paysandu. Para completar o combo da perfeição, meu bem.
Crédito imagem: reprodução Instagram
