Possível exploração da Margem Equatorial coloca ambientalista e setor de gás em conflito
Veja os argumentos de cada lado publicados pelo Estadão
A situação da exploração de petróleo na Margem Equatorial segue sem solução. Após pressão do governo federal para autorização do processo, e especialistas do Ibama sugerirem negar a exploração, os conflitos entre ambientalistas e o setor de gás se acentuam.
O Estadão publicou na edição deste domingo, 9, quais argumentos são utilizados para defesa de cada lado.
Para os especialistas ambientalistas ouvidos pelo jornal, os riscos ambientais, climáticos e reputacionais de perfurar a Foz do Amazonas não compensariam os eventuais benefícios competitivos do Brasil no mercado do petróleo.
Eles destacam que as reservas de petróleo prospectadas na bacia sedimentar da Foz do Amazonas ainda são uma hipótese, e que a perfuração do poço exploratório já traz riscos para a biodiversidade de subsistência de populações tradicionais locais, que dependem do ecossistema marinho.
Além da sensibilidade do ecossistema, estudos documentam a força das correntezas na região. Ou seja, em um possível vazamento de óleo, levaria a um espalhamento rápido, comprometendo a fauna e atingindo até mesmo territórios estrangeiros.
O setor de petróleo, segundo o Estadão, enxerga um cenário difícil à frente, com consequências sobre várias áreas da economia: volta da importação líquida de petróleo, diminuição de pagamento de royalties, impostos e participações especiais para as três esferas de governo, além de desequilíbrios na balança comercial brasileira, com tendência à desvalorização do real e redução de aportes no fundo social e investimentos.
Segundo cálculos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a produção de petróleo no Brasil vai subir até 2030, para logo em seguida entrar em um longo processo de declínio – o que tende a fazer com que o País volte a ser obrigado a importar o produto em 2038.
A produção, que hoje está em 3,6 milhões de barris por dia, subirá para 5,3 milhões em 2030. Já no ano seguinte, contudo, o número cairá para 5,1 milhões, reduzindo para 4,7 milhões em 2032, e assim sucessivamente. Em 2055, a produção seria de apenas 0,5 milhão de barris.
Em nota enviada ao Estadão, a Petrobras afirmou que a exploração na área é fundamental para evitar que o País volte a ser um importador de petróleo na próxima década.
Créditos da imagem: Agência Brasil.
