Perícias Audiovisuais ganham protagonismo na identificação e combate dos crimes digitais
Vestígios audiovisuais fundamentais à produção de provas forenses se ocultam em sinais digitais e passam muitas vezes imperceptíveis ao olhar comum
Em uma era marcada pela circulação massiva de imagens, vídeos e áudios, as Perícias Audiovisuais realizadas pela Polícia Científica do Pará (PCIPA) tornaram-se uma ferramenta indispensável para a ciência forense moderna.
Responsáveis por
analisar materiais digitais que podem servir como prova criminal, o
trabalho técnico realizado por peritos especializados tem sido cada
vez mais requisitado diante do avanço das tecnologias de edição e
da popularização da inteligência artificial.
Segundo
o perito criminal e gerente do Núcleo de Perícia Audiovisual, Jânio
Arnaud, os vestígios audiovisuais diferem dos vestígios físicos
tradicionais por estarem ocultos em sinais digitais, passando assim
muitas vezes, imperceptíveis ao olhar comum.
“É
um importante ramo da criminalística que se tornou essencial na
ciência forense moderna, em uma era marcada pela produção
constante de imagens e áudios. Esse trabalho pericial vai além da
simples observação de imagens ou escuta de áudios. ”, explicou o
coordenador.
A
atuação envolve rigor técnico, conhecimento especializado e o uso
de ferramentas tecnológicas avançadas capazes de identificar marcas
silenciosas de fraude ou ação criminosa.
“Na
era da manipulação digital, para a perícia, a verdade não está
apenas no que se vê ou se ouve, mas no que pode ser comprovado
tecnicamente”, destacou o perito.
As
perícias audiovisuais são acionadas sempre que imagens, vídeos ou
áudios possam contribuir para o esclarecimento de fatos, apresentem
indícios de manipulação ou necessitem de validação técnica para
serem utilizados como prova em investigações e processos judiciais.
Nos últimos anos, especialmente com o avanço da
inteligência artificial generativa, aumentou significativamente o
número de solicitações para verificação de autenticidade de
materiais audiovisuais.
“Mais
recentemente, recebemos muitas solicitações para verificar se o
material audiovisual é produto de manipulação ou adulteração, e
esse tipo de requisição tem aumentado com o advento da IA. Em
vários casos, se confirmou adulterações em imagens”, ressaltou
Jânio.
Entre
os casos recentes analisados pelo núcleo, dois chamaram atenção
por envolverem figuras públicas e o uso de inteligência artificial.
“Tivemos
recentemente dois casos relacionados a pessoas públicas, em que se
constatou a utilização de inteligência artificial, sendo um caso
de deepfake e outro de vídeo sintético gerado por inteligência
artificial generativa”, revelou o gerente do núcleo.
Diante
do cenário atual, onde cada vez mais é difícil identificarmos a
olho nu se um conteúdo é verdadeiro ou produzido por inteligências
artificiais, a atuação da PCIPA reforça seu papel estratégico no
enfrentamento à desinformação, na preservação da verdade dos
fatos e na garantia da confiabilidade das provas digitais utilizadas
pela Justiça para o povo paraense.
Com informações e imagem: Agência Pará
