Pastor pede ao STF proteção para Marcola e Beira-Mar e cita risco de 'salve geral'
Petição manuscrita apresentada em junho levantou a hipótese de uma ação da CIA contra os dois presos; pedido foi rejeitado por Edson Fachin
Uma petição manuscrita apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo pastor Oséas de Campos pediu proteção para Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. No documento, ele solicitou um habeas corpus preventivo para os dois e sugeriu que fossem mantidos em um local de acesso restrito.
A petição foi protocolada em 2 de junho de 2026, poucos dias depois de os Estados Unidos anunciarem a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A medida norte-americana entrou em vigor em 5 de junho.
No texto enviado ao STF, Oséas manifesta preocupação com um possível sequestro de Marcola e Beira-Mar por agentes da CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos. Segundo a hipótese apresentada pelo pastor, uma eventual retirada dos dois poderia provocar uma reação coordenada de grupos criminosos em diferentes regiões do Brasil.
O documento menciona a expressão “salve geral”, utilizada para descrever uma ordem coordenada para a realização de ataques criminosos. O termo ganhou notoriedade em São Paulo durante a onda de violência de maio de 2006, quando ataques atribuídos ao PCC atingiram forças de segurança, presídios e prédios públicos.
Pedido foi rejeitado
No processo, Oséas aparece como impetrante, enquanto Marcola e Beira-Mar são identificados como pacientes. Os Estados Unidos são citados na petição como autoridade apontada.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, negou seguimento ao habeas corpus em decisão de 22 de junho. Segundo a decisão, não havia no pedido a indicação de um ato concreto praticado por uma autoridade que pudesse ser analisado diretamente pelo Supremo.
Fachin também entendeu que não estavam presentes as condições que permitiriam ao STF analisar o habeas corpus desde o início. A petição foi encaminhada à Defensoria Pública de São Paulo para avaliação de eventuais providências.
Não há, no material divulgado sobre o caso, indicação de que a CIA tenha planejado ou estivesse preparando uma operação para sequestrar Marcola ou Beira-Mar. A possibilidade foi apresentada pelo pastor como uma hipótese em sua petição.
Foto: STF
