86% dos brasileiros apoiam uso de inteligência artificial na segurança pública, diz pesquisa
Levantamento Quaest/Pax ouviu 2.004 pessoas e mostra maior aprovação para uso de câmeras com IA na localização de desaparecidos e identificação de veículos roubados
O uso de inteligência artificial (IA) como ferramenta de apoio à segurança pública tem a aprovação de 86% dos brasileiros, segundo pesquisa nacional realizada pela Quaest em parceria com a Pax. O levantamento foi divulgado nesta sexta-feira (18) e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais.
A pesquisa foi realizada presencialmente entre os dias 12 e 15 de setembro, com margem de erro estimada em dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Entre os entrevistados, 60% afirmaram ser totalmente favoráveis ao uso da tecnologia na segurança pública, enquanto 26% disseram ser mais favoráveis do que contrários. Já 9% apresentaram algum grau de oposição: 4% são mais contrários que favoráveis e 5% são totalmente contrários. Outros 2% não se posicionaram e 3% não souberam ou não responderam.
Câmeras com IA têm alta aprovação
Quando a pesquisa trata de aplicações específicas, os índices de aprovação são ainda maiores.
O uso de câmeras equipadas com inteligência artificial para auxiliar na localização de pessoas desaparecidas tem 97% de aprovação. A identificação de veículos roubados ou utilizados em crimes e a localização de foragidos da Justiça aparecem logo depois, com 96% de aprovação cada.
O reconhecimento facial com IA em locais de grande circulação, como estádios e áreas comerciais, é aprovado por 91% dos entrevistados. Já o uso da tecnologia para proteção das fronteiras e para o combate a facções criminosas registra 90% de aprovação em cada caso.
Integração entre câmeras e trabalho policial
A pesquisa também perguntou quais medidas poderiam contribuir para melhorar a segurança pública. 93% dos entrevistados consideram efetiva a integração entre câmeras de monitoramento, inteligência artificial e trabalho policial.
O mesmo percentual considera que oferecer mais educação e oportunidades para os jovens pode contribuir para a melhoria da segurança. Já 92% apontam leis mais rígidas para criminosos como uma medida efetiva.
Entre as situações em que câmeras conectadas a ferramentas de IA poderiam ajudar, o maior índice aparece no patrulhamento e na prevenção de crimes nas ruas, com 96%.
O apoio chega a 95% quando as aplicações envolvem o combate a roubos e furtos, crimes violentos, busca por pessoas desaparecidas e recuperação de bens roubados, como veículos e celulares.
Combate à violência contra a mulher aparece entre prioridades
Quando os participantes tiveram que indicar qual área poderia ser mais beneficiada pelo uso da tecnologia, o combate ao feminicídio e à violência contra a mulher apareceu com 15%.
Na sequência estão o combate às facções criminosas, com 10%, e o enfrentamento de roubos e furtos, com 9%.
Apesar do amplo apoio ao uso da IA, a pesquisa também identificou preocupações entre os entrevistados que são contrários à tecnologia. O principal receio é a possibilidade de erros na identificação e de pessoas serem apontadas injustamente, citado por 16%.
Também aparecem entre os motivos a percepção de que a tecnologia pode não funcionar ou não melhorar a segurança pública (15%), o risco de invasão de privacidade (12%) e a falta de confiança em inteligência artificial e tecnologia (10%).
Os resultados mostram a percepção dos entrevistados sobre o uso da tecnologia na segurança pública e não representam, por si só, uma avaliação sobre a eficácia real dessas ferramentas.
A pesquisa foi realizada pela Quaest em parceria com a Pax e teve os resultados cedidos à CNN Brasil.
Foto: Canva
