Pará registra superávit de US$ 21,5 bilhões e mantém terceira maior balança comercial do País em 2025
Estudo da Fapespa consolida dados estratégicos para o planejamento municipal e a atração de novos investimentos
O Pará manteve posição de destaque no comércio exterior brasileiro em 2025, ao registrar superávit de US$ 21,5 bilhões na balança comercial, o terceiro maior do País, atrás apenas do Mato Grosso e de Minas Gerais.
O
resultado representa crescimento de 2,6% em relação a 2024 e
reforça o protagonismo do Estado nas exportações nacionais,
impulsionado principalmente pelos setores mineral e agropecuário.
Os
dados são resultado do Boletim de Comércio Exterior do Pará 2025,
estudo elaborado pela Diretoria de Estudos e Pesquisas
Socioeconômicas e Análise Conjuntural (Diepsac), da Fundação
Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa).
O
estudo foi publicado na última sexta-feira, 15, e está disponível
no site da Fapespa.
Para
o diretor responsável pelo estudo, professor Márcio Ponte, o
Boletim do Comércio Exterior 2026 é o documento mais atualizado do
Brasil sobre as exportações e importações paraenses:
“O
presente Boletim, elaborado pela nossa Diretoria de Estudos da
Fapespa, apresenta o panorama do comércio exterior paraense e elenca
suas principais potencialidades, com destaque para o minério de
ferro, alumina e cobre, na indústria; e nas carnes desossadas e
soja, na agropecuária; sendo a nossa a terceira maior balança
comercial do Brasil”, disse.
“Nesse sentido, o Boletim
consiste em mais uma entrega do governo do Pará para Estado e
municípios poderem se planejar e executar projetos voltados para
suas vocações socioeconômicas e ambientais, e mesmo atrair mais e
novos investimentos privados para geração de empregos, renda e
riquezas para as cidades paraenses, já que dez delas concentram a
quase totalidade da nossa capacidade exportadora”, acrescentou.
Segundo
o estudo, o Pará também alcançou US$ 24,2 bilhões em exportações
no ano passado, crescimento de 5,4% em relação a 2024, desempenho
acima da média nacional, que ficou em 3,5%.
Com isso, o
Estado passou a ocupar a quinta posição entre os maiores
exportadores do Brasil, respondendo por 7% das vendas externas do
País.
Dessa
forma, a pauta exportadora paraense permaneceu concentrada no setor
mineral. O minério de ferro liderou as exportações, com US$11,6
bilhões e participação de 48% no total exportado pelo Estado.
Na
sequência, aparecem os minérios de cobre, com US$3,6 bilhões; e a
alumina calcinada, com US$ 1,9 bilhão, correspondendo o cobre por
14,8% das exportações, seguido pela alumina, com participação de
7,8%.
Além
dos minerais, produtos do agronegócio também ganharam espaço. As
exportações de carnes bovinas desossadas cresceram 70,3%,
alcançando US$ 1,2 bilhão, enquanto a soja registrou alta de 6,9%,
somando US$ 1,6 bilhão.
Exportações
Os
dados mostram ainda forte concentração territorial das exportações,
revelando que cerca de 90% das vendas externas do Pará tiveram
origem em apenas dez municípios.
Canaã dos Carajás
permaneceu como principal município exportador do Pará, com US$ 6,6
bilhões em vendas externas, o equivalente a 27% do total estadual.
Parauapebas ficou em segundo lugar, com US$ 5,3 bilhões, seguido de
Barcarena, com US$ 3,4 bilhões.
Marabá
foi um dos destaques do ano ao registrar crescimento de 22,6% nas
exportações, alcançando US$ 3,2 bilhões. Já Itaituba apresentou
a maior alta percentual do ranking, com expansão de 132,2%.
O
Boletim de Comércio Exterior do Pará 2025 também revelou que a
China manteve a liderança entre os principais destinos das
exportações paraenses, absorvendo US$11 bilhões em produtos do
Estado, o equivalente a 45,6% do total exportado.
Malásia
e Estados Unidos aparecem na sequência. Entre os produtos vendidos
ao mercado chinês, destacam-se minério de ferro, soja, carne
bovina, sulfetos de cobre e ferroníquel.
Europa
O
estudo também aponta crescimento da demanda europeia por produtos
paraenses. As exportações para a Europa cresceram 17,5% em 2025,
enquanto os embarques destinados à União Europeia avançaram 10,8%.
Importações
Em
relação às importações, estas também apresentaram crescimento
expressivo em 2025. O Estado importou US$ 2,7 bilhões, alta de 33,7%
em relação ao ano anterior.
Barcarena liderou as
importações, respondendo por 40,4% do total estadual, seguida por
Belém. Marabá, Parauapebas e Santarém também apresentaram
crescimento significativo.
O
principal produto importado foi o gasóleo (óleo diesel), oriundo
principalmente da Rússia, que somou US$316,5 milhões. Também se
destacaram o gás natural liquefeito importado dos Estados Unidos e
fertilizantes vindos do Canadá, Marrocos e Egito.
Os
Estados Unidos permaneceram como principal origem das importações
paraenses, com participação de 32% do total, seguidos por Rússia e
China.
Economia
paraense mantém perfil exportador
O Boletim de Comércio
Exterior do Pará 2025 destaca ainda que a economia paraense segue
dependente do comércio exterior.
Em 2023, a proporção
das exportações em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) do
Estado alcançou cerca de 43,6%, percentual muito acima da média
brasileira, de 15,5%.
A
partir da análise dos dados, o estudo aponta que o desempenho atual
dos dados de comércio exterior confirma a relevância estratégica
do Pará no comércio internacional de commodities minerais e
agropecuárias, mas também reforça a necessidade de ampliar a
diversificação produtiva e agregar valor à pauta exportadora
estadual.
“Esse estudo mostra claramente o potencial
exportador do nosso Estado, hoje ainda influenciado fortemente pela
mineração e pela agropecuária, mas que ao mesmo tempo demonstra
que o canal está aberto para outros produtos”, disse o presidente
a Fapespa, Marcel Botelho.
“E a bioeconomia, através
do vale bioamazônico, certamente ocupará esse espaço e, em breve,
com grande destaque. Afinal de contas, o Pará tem investido muito na
geração de tecnologia e de inovação para o uso de produtos não
madeireiros e da nossa biodiversidade como um todo”, concluiu ele.
