Os riscos de Trump, Lula, Gilmar, Moraes, Vorcaro e a chance de Zema no radar de um abril de águas mil
Numa Belém sob chuvas intensas e estado de emergência, Brasília, Washington e Teerã seguem ardendo entre chamas de verdade e fogo (no) cerrado metafórico.
Chuvas de problemas
Na semana em que Belém, a outrora
Metrópole da Amazônia, iniciou com decretação de estado de
emergência pela prefeitura local, eis que em Washington D.C., no sábado de crepúsculo semanal, no centro
nervoso 01 do poder global, o 47º Donald J. Trump correu o risco de
ser alvejado por mais um “lobo solitário”, nos EUA e mundo cada
vez mais perigosos. E belicosos.
Madrugada em
Teerã
Enquanto Trump, J.D. Vence, seu vice, e a bela e mega
assustada com o que passou a presenciar e as imagens puderam captar,
1ª dama Melania, enfrentaram no anual jantar com correspondentes da
Casa Branca, durante o qual o republicano faria a também tradicional
saudação, no Irã as coisas parecem cada vez mais que o americano está num atoleiro. Um "atoleiro de cargueiros", melhor dizendo.
Com efeito, na noite da semana que se
encerrava em D.C. e no Ocidente, no Oriente Médio, onde as tensões
em que ele decidiu pagar para ver e tem enfrentado um preço
econômico e político cada vez mais alto com risco idem nas alturas,
já era domingo da última semana de abril e nada de avanços no vizinho e mediador Paquistão.
Falha e
risco altíssimo
Também cristalino como a luz do dia, é
fato que em Washington o sistema de segurança falhou. Segundo informações que
correm o universo, o suspeito foi identificado como Cole Tomas Allen e, de acordo com a imprensa do país e a BBC, ele teria dito às autoridades que seus alvos eram autoridades ligadas ao
presidente americano.
“A CBS
afirma que entre cinco e oito tiros foram disparados durante o
incidente. O homem de 31 anos seria morador de Torrance, na
Califórnia, nos subúrbios a sudoeste de Los Angeles. A CBS News
informa que Allen trabalhava como tutor em Torrance após se formar
no ‘prestigiado Instituto' de Tecnologia da Califórnia”, diz
matéria no site da BBC no Brasil.
"Minha impressão é que ele era um lobo solitário maluco", disse o presidente dos EUA. "Essas pessoas são loucas. São pessoas loucas, e precisam ser contidas", emendou.
Cole Tomas
Allen estava hospedado no Washington Hilton, hotel onde o jantar
ocorreria, e portava várias armas, incluindo revólveres e facas. O
suspeito não tinha antecedentes criminais, não estando, portanto,
no radar das autoridades policiais em Washington.
Falha
lá
Se o sistema de segurança que tem o dever de proteger o republicano falhou, e num
país que presidentes são assassinados, com o agravante de que foi
saindo daquele mesmo Washington Hilton que o grande Ronald Reagan fora
alvejado e sobrevivera milagrosamente, cabeças devem rolar.
Fraqueza cá
No
Bananão, perdão, na capital federal, a semana não terminou nada
boa, ao menos para grande parcela da população pagadora de impostos
incluída em comunidades classificadas como inconsciente coletivo,
que rima com cidadania, opinião pública e pessoas de bem, aquelas
mesmas que são ouvidas em pesquisas de opinião sérias e fakes, “no
que se refere”, como costumava dizer Dilma Rousseff de tão triste
memória, a Gilmar Mendes, ele terminou muito mal na foto.
Goleada
Ameaçado e intimidado por ele, Romeu Zema, por sua vez, saiu maior disparado. O ex-governador de Minas Gerais se deu bem, e demonstrou estar travando o bom combate e vencendo o supremo ministro de goleada.
Ofendido pelo decano do STF, Zema tirou freudianamente de letra a ofensa sobre seu vocabulário, proferida pelo polêmico e antipatizado ministro, que já fora alvo de pares como Marco Aurélio Mello, Joaquim Barbosa e Luís Roberto Barroso, em diatribes que entraram para o “cânone” dos piores capítulos ao vivo e a cores da história da corte que deveria ser apenas constitucional.
Ato contínuo, numa
emenda que fez jus a regra e saiu pior que o soneto, Gilmar Mendes
fizera uma tréplica ainda mais desarrazoada - e preconceituosa -,
contra o carismático e aprovado gestor das Gerais, insinuando homossexualidade.
Alterosa altivez
De bem consigo, a vida e altivo, o mineiro deu nomes aos bois e classificou como
deveria a atitude pela qual Gilmar Mendes se arrependeria, o verdadeiro gol contra que fizera.
Sem se deixar intimidar e na esteira, Zema publicou o quinto capítulo da sátira “Os Intocáveis…” "ovo da serpente” como causa de todos os ataques de cólera do supremo jurista contra o presidenciável Romeu.
Inquérito
infame
A série é um barato, super bem-feita e divertida,
para dissabor do mal-humorado julgador, que requisitara o
enquadramento do ex-governador ao colega Alexandre de Moraes no
infame “inquérito das fake news” por causa dela.
Analfa
político
Como se diz por aí, tá feio. Muito feio para ele. As
atitudes de Gilmar Mendes contra a liberdade de imprensa, pela sua
ótica, são as de um jurista renomado que se acha acima do bem e do
mal. Ou pelo menos se comporta como tal em solo pátrio.
“Camisa
10”
Todavia, em se tratando de analista político,
particularmente em ano eleitoral, e no período de maior desgaste do STF
para a supracitada opinião pública em toda sua secular história,
Mendes tem sido um pai para Zema. Nem nos seus melhores sonhos,
decerto, o mineiro acharia um antagonista tão generoso em seu preconceito
e complexo de superioridade.
Freud explica.
Detalhe
Numa
trapaça do destino, como diria Elio Gaspari, o atentado de 25 de
abril em Washington, no tradicional jantar dos correspondentes, era
prestigiado pelo “disruptivo, isolacionista e imperial” Donald
Trump.
Aqui, Mendes quer calar e intimidar quem considera adversários ou inimigos, além de conspirar contra a liberdade de imprensa e expressão sempre que contrariado.
Como perguntaria (retoricamente) o carioca Fux, outro desafeto do decano: “É mole?”
Lula mal
Quando
a debacle nas pesquisas colocou Lula onde seu terceiro “governo
direto” nunca saíra, o vazamento eterno e oficial do poder em
Banânia, deu o start nas ilações, aleivosias e especulações
sobre a desistência presidencial em concorrer a um também inédito
quarto mandato eleitoral.
Ocorre que desta feita fora o próprio Lula quem dera a deixa para que, num país semianalfa e imediatista como o nosso, se passe a duvidar da participação do tri presidente octogenário, amargurado e muito autoritário no próximo pleito.
Efeito
Biden
Merval Pereira, em O Globo deste domingo, 26, coloca
os pingos nos iis e lembra que Lula, ao declarar que iria decidir seu
futuro político somente em junho, período das convenções
partidárias, abriu o precedente da desconfiança.
“Com relação à candidatura de Lula à
reeleição, o que parecia impossível começa a ganhar contornos de
realidade”, iniciara o presidente da ABL.
Fadiga
“A
ascensão de Flávio Bolsonaro, porém, e a alta rejeição do
governo, mostraram que o eleitorado pode ter cansado do líder
populista, do seu jeito de fazer política, que parece estar
anacrônico. Quando Lula disse que só decidiria se disputaria a
reeleição na convenção em junho, acendeu a luz amarela nos seus
aliados, que não conseguem ver luz no fim do túnel sem Lula na
cabeça da chapa petista”, detalhou Merval.
No seu
quadrado
“Provavelmente ele será levado ao que pode
vir a ser o cadafalso para uma campanha perdida, que poderia encerrar
sua carreira política brilhante com uma derrota memorável para o
filho de seu maior adversário”, encerra o colunista antes de
anunciar um hiato nas suas colunas em razão de (merecidas)
férias.
E reforçar que a candidatura mesmo derrotada de Lula é boa para que o PT faça bancadas de deputados e senadores e não sofra uma derrota acachapante em São Paulo. E que esses políticos do partido não podem prescindir do velho pelegão de guerra, muito menos ouvir falar em troca.
Inferno astral e ranking do mal
Para
completar as nuvens carregadas no pântano de Brasília, outro craque
do jornalismo local, Lauro Jardim, coloca Daniel Vorcaro, aquele que
mandara seu suicida sicário lhe quebrar os dentes em simulacro de
assalto, entre os cinco maiores bandidos do sistema financeiro
global.
4ª posição ou
US$10 bi roubados
Com 10 bilhões de dólares em prejuízos
a investidores e pensionistas, entre outros lesados, segundo Jardim,
o mentecapto é o quarto colocado, atrás de Bernard Ebbers, com 11
bilhões, em 2002; do caso Enron, de 63 bi, em 2001; e o campeão dos
“cérebros de mega falcatruas”, Bernie Madoff , de 2008, com também astronômicos 64,8 bilhão de dólares.
Vorcaro e
Escritório Barsi de Moraes
O astuto leitor e a caríssima
leitora sacaram o por quê dos 129 milhões de reais contratados ao
escritório da sra. de Moraes?
Nós, mui modesta e
respeitosamente, também não.
Como diria o bravo, grande e conterrâneo de raiz paraibana José Nêumanne Pinto,
Inté!
Créditos ilustração:
Donald e Melania Trump
retirados às pressas: (reprodução redes sociais)
Lula:
(reprodução redes sociais)
Romeu Zema (Governo-SP)
Min.
Gilmar Mendes (Secom-STF)
