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O choque de realidade que assombrou o país

A Belém da COP 30, da gastronomia exaltada mundialmente, ganhou as manchetes digitais e de TV em todo o Brasil, nos últimos dias, por uma das imagens mais aterradoras que já vi. Um estudante universitário aplicando choques em uma pessoa em situação de rua.

O homem, desvalido, sem defesas, vagando pelas ruas solitário e vulnerável, é surpreendido por um choque nas costas desferido por um jovem, que se põe a gargalhar do ato, enquanto seu colega, também universitário, filma tudo. 

Pra completar o circo de horrores, os jovens envolvidos são estudantes de Direito!! Pessoas que ao escolherem essa profissão, juram respeito à Constituição e aos direitos humanos.  Jovens privilegiados, mas desprovidos de empatia e o mínimo de princípios éticos e morais. 

Os risinhos patéticos do garoto, ao cometer a brutalidade contra o pobre homem, reverberam fundo em mim. Vai ser difícil esquecer. De tão revoltada, tive um pesadelo com o fato. O caso, obviamente, foi o principal assunto dos últimos dias nas redes digitais. Instigou reflexões sobre justiça, impunidade, e principalmente a psicopatia social que parece assolar alguns jovens. Há pouco tempo, o caso do cão Orelha, morto brutalmente por jovens de Santa Catarina, também revelou a face hedionda de uma juventude transviada.

Símbolos da elite de Belém, para a qual a justiça se faz somente com o pagamento de fianças, pagas com a naturalidade de quem paga uma viagem ao exterior, esses estudantes de Direito fazem chacota da impunidade ao gargalharem desse ato. E agora, o que fica depois de mais essa onda de revolta nas redes, movida por esse episódio?

Que esse aterrorizante capítulo da Vida como Ela É , das ruas de Belém, nos aguce a responsabilidade na criação dos filhos e nos inquiete por mudanças efetivas enquanto cidadãos. Existem duas formas de ser “mau”:  praticando o mal, e não impedindo a maldade. Que nunca sejamos nenhum dos dois.

Crédito ilustração: reprodução redes sociais



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Toni Remigio
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