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O amor que transforma vidas

Até pouco tempo, guardava um velho recorte de jornal. Ele trazia uma foto aleatória de uma rua de Belém e um cachorro caramelo andando, no canto da foto. O inocente canino, com suas patinhas sincrônicas e malemolentes, trazia um encanto irresistível para a garotinha apaixonada por cães. Colei o recorte de jornal num diário e segui a vida amando os cachorros.

Na infância e adolescência, nunca pude ter um porque minha mãe não gostava.  Mas sempre cumprimentei os cachorros na rua e quando achava que eles me curtiam e eram mansinhos, os afagava. Cansei de levar bronca da mamãe quando, ainda criança, dava mais carne para os cachorros que apareciam no restaurante, ao lado da nossa mesa, do que para mim. A garotinha magrela tinha era fome de amor pelos seres de 4 patas.

Somente perto dos 40 anos, ganhei uma bolinha de pelos que iria transformar minha vida. Zé Arlindo Orlando, com referências de músicas dos anos 80, da Blitz e Léo Jaime.  Exatamente como na música de Léo Jaime, o Zé passou a consolar minhas tardes de domingo com nossa rotina de passeios, brincadeiras e muito amor. Ele, um cachorro, me curou de uma depressão.  Eu não levava o Zé pra passear, ele me levava. 

Em 2021, comecei a trabalhar na Aldeia Amazônica e lá conheci o Brabo e a Loirinha, um casal de vira-latas que mora na Aldeia. Comecei a ajudar na alimentação da dupla, com direito a sachês para incrementar a ração. Em poucos meses, iniciamos uma história de amor e lealdade a qual costumo compartilhar em minhas redes sociais. Brabo e Loirinha passaram a me seguir, diariamente, até minha sala de trabalho. Viraram meus “estagiários “, com direito a calabresas de remuneração. Frequentemente, descia, enfrentava o sol de rachar catedrais e a fila do churrasco da esquina, para garantir a “calabra”, que eu misturava à ração. Um pouquinho, uma ou duas vezes por semana, pra não exceder na gordura do plano nutricional da dupla.

Brabo e Loirinha passaram a ser minha maior alegria na firma. Durante os finais de semana, atravessava a cidade, da Cidade Velha à Pedreira, para visitá-los e verificar, junto aos guardas de plantão, se estava tudo certo com a alimentação. Lavava as vasilhas, trocava a água e os enchia de paparicos.

Ano passado, deixei de trabalhar na Aldeia, mas continuo seguindo essa rotina de visitas e cuidados pelo menos 3 vezes na semana. Zé, Brabo e Loirinha fazem minha vida ter um propósito a cada vez que me olham, enquanto comem , ao som daquele “croc croc” da ração. O olhar de gratidão deles é um dos motivos pelos quais eu passei a acordar, diariamente.

Se você não tem um cão ou gato pra chamar de seu, está perdendo a chance de viver uma das sensações mais deliciosas da vida. Adote um animalzinho, vire sua vida do avesso e transforme sua rotina numa irresistível bagunça. Recomendo fortemente.

Ao Zé, Brabo, Loirinha, e todos os cachorros do mundo, todo o meu amor.




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Toni Remigio
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