#

Nos dez anos de operação de Belo Monte, ONGs divulgam carta aberta onde apontam danos e cobram reparações

Organizações da sociedade civil divulgam documento que evidencia os impactos da hidrelétrica e reforça necessidade de justiça

Às vésperas de completar dez anos desde o início de sua operação, em 05 de maio de 2016, a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, volta a ser objeto de atenção pública com a divulgação da Carta Aberta “Belo Monte: dez anos de operação, mais de uma década de danos sem reparação”.


O documento é assinado pelas seguintes organizações da sociedade civil que atuam na defesa de direitos humanos e socioambientais:

Associação Interamericana para a Defesa do Ambiente (AIDA);
Conselho Indigenista Missionário (CIMI);
Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB);
Diocese de Altamira;
Justiça Global;
Movimento Xingu Vivo Para Sempre;
Observatório dos Povos Indígenas Isolados (OPI);
Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH).

A Carta Aberta apresenta um balanço crítico do período e aponta a persistência de violações sem reparação adequada, e destaca que comunidades indígenas, ribeirinhas e pescadores do médio Xingu seguem enfrentando impactos estruturais em seus modos de vida, sem terem sido devidamente consultadas durante a implementação do empreendimento.

O caso, em tramitação desde 2011 na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, reúne evidências dessas violações.

Entre os principais pontos está a alteração do regime hidrológico da Volta Grande do Xingu, com mais de cem quilômetros afetados pela redução do volume de água, comprometendo a biodiversidade aquática, a pesca artesanal e a segurança alimentar dessas populações, cenário agravado por eventos extremos de seca na Amazônia.


Medidas concretas
À luz do Parecer Consultivo OC-32 da Corte Interamericana de Direitos Humanos, as organizações defendem a adoção de medidas concretas pelo Estado brasileiro, como mitigação dos impactos, cumprimento da consulta prévia, livre e informada, implementação de um hidrograma ecologicamente adequado, reparação integral das comunidades afetadas e suspensão de novos empreendimentos de alto impacto na região.

Para as entidades, os dez anos de operação — somados há mais de quinze anos de impactos — reforçam a necessidade de avanço no caso, com expectativa de que a Comissão Interamericana dê seguimento à análise e o submeta à Corte Interamericana.


“A carta sistematiza mais de uma década de impactos de Belo Monte e evidencia a persistência de um quadro de violações que ainda não foi devidamente enfrentado. O caso demanda uma resposta institucional compatível com os padrões do Sistema Interamericano de Direitos Humanos”, afirma Marcella Torres, coordenadora jurídica do Programa de Direitos Humanos da AIDA.


A usina
Belo Monte é a quarta maior usina hidrelétrica do mundo, construída no rio Xingu, no estado do Pará, no coração da Amazônia. Com capacidade instalada de 11.233 MW, foi inaugurada em 5 de maio de 2016. Sua operação desvia 80% do fluxo do rio Xingu por um canal de 500 metros de largura e 75 km de comprimento. A área inundada entre o canal e o reservatório é de 516 km², maior que a cidade de Chicago, dos quais 400 km² eram de floresta nativa.


A AIDA
A Associação Interamericana para a Defesa do Ambiente (AIDA) fortalece a capacidade das pessoas para defender seu direito a um meio ambiente saudável por meio do direito e da ciência, com o objetivo de proteger ecossistemas e comunidades em toda a América Latina. https://aida-americas.org/


Leia a íntegra da Carta.





Com informações: Alter Conteúdo
Crédito imagem: Norte Energia 




YouTube - @podcastdoamazonico
Instagram - @doamazonico
Facebook - O Amazônico
Toni Remigio
Fale conosco:
E-mail: contato@oamazonico.com.br
WhatsApp - Telegram: 91 98537-3356

Back to top button
Voltar para o topo