Na BBC: Caso Lulinha põe campanha de Lula sob pressão; o que PF investiga sobre filho e o ex-chefe de gabinete do presidente
Procurada, a defesa de Lulinha disse à BBC News Brasil que não responderá a "questões de fatos e de mérito feitas com base em relatórios iniciais da polícia"
Giulia
Granchi e Leandro Prazeres, da BBC News Brasil em Londres
A
pouco menos de dois meses das eleições, o filho mais velho do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da
Silva, conhecido como Lulinha, virou um dos principais alvos de
ataques de seus adversários e um dos principais pontos de
preocupação da sua equipe de campanha.
Lulinha
é investigado em três inquéritos abertos pela Polícia Federal
(PF) neste ano, que apuram um suposto tráfico de influência em
favor de empresas interessadas em obter contratos com o governo
federal.
A
PF quer saber, por exemplo, se Lulinha se associou a uma lobista e
usou o fato de ser filho do presidente para ajudar, indevidamente,
empresas privadas a obterem contratos públicos.
Em
entrevista à TV Globo nesta quinta-feira, 27, Lula classificou as
acusações como "ilações".
"Ali
não tem nenhuma acusação. São ilações, ilações, ilações
tiradas de telefonemas. Eu conheço isso muito bem porque já vivi
isso", afirmou o presidente, referindo-se à Operação
Lava-Jato, que o levou à prisão.
Mas
Lula tem dito que não vai impedir as investigações da PF contra
Lulinha.
"Se
o Fábio cometeu qualquer ilícito, qualquer ilícito, ele terá que
pagar como qualquer cidadão brasileiro. Eu não vou afastar a
delegado da Polícia Federal. Eu não vou fazer qualquer movimento
para que meu filho seja beneficiado", afirmou
As
investigações também vêm sendo mencionadas constantemente pelos
principais adversários de Lula à reeleição, como o senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ), que aparece em segundo lugar nas principais
pesquisas de intenção de voto.
"Cadê
o Lulinha? Tá onde? Tá na Espanha? Tá morando naquele lugar
luxuoso mesmo? Quem tá pagando as contas dele? Cadê o follow the
money [siga o dinheiro, na tradução livre]? Cadê o dinheiro? Qual
foi a origem? Como é que ele está sendo sustentado lá na
Espanha?", disse o senador a jornalistas em um evento na
segunda-feira, 24.
Procurada, a defesa de Lulinha disse à BBC News Brasil que não responderá a "questões de fatos e de mérito feitas com base em relatórios iniciais da polícia" e que "a inocência de Fábio será provada primeiro no lugar adequado, que é o processo".
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