Em OESTADONET: Uma história coreana no Pará – morte misteriosa há 45 anos e a reportagem de Lúcio Flávio Pinto que pode ajudar a esclarecê-la
Neto do coreano Ryu/Yoo Hyang Cheol, morto em Belém, em 1981, quando estava preso em uma cela da Polícia Federal, busca explicações em carta a jornalista que noticiou o caso
Meu nome é Jaehyun Ryu e sou estudante universitário, atualmente cursando Arquitetura em Seul, na Coreia do Sul. Recentemente, comecei a consultar antigos registros familiares e, em caráter pessoal, a tentar reconstruir a vida e os últimos dias de meu avô. Durante essa pesquisa, encontrei por acaso a publicação em seu blog intitulada “Memória – Os coreanos em Belém”, que o senhor/a senhora republicou em março de 2024. Fiquei profundamente surpreso ao lê-la, pois acredito que o homem coreano mencionado em seu artigo como “Kyu Yang Cheol” ou “Kyu Hyang”, que faleceu em Belém em 22 de janeiro de 1981, pode muito provavelmente ter sido meu avô, Ryu/Yoo Hyang Cheol (柳香喆).
Um documento oficial do registro familiar coreano que está em minha posse registra que meu avô faleceu em Belém, Brasil, em 22 de janeiro de 1981, enquanto se encontrava detido em Belém. Há muitos anos, nossa família também ouve que ele morreu depois de ter sido detido pelas autoridades brasileiras. Os detalhes de seu artigo correspondem de maneira impressionante aos nossos registros oficiais: a data, a cidade de Belém, sua nacionalidade coreana, sua morte enquanto estava sob custódia policial e o horário aproximado da morte, por volta das 23 horas.
Além disso, segundo nossa família, meu avô trabalhou durante muitos anos na indústria da pesca em alto-mar, de modo que a referência, em seu artigo, a uma empresa de pesca pode representar outra ligação muito importante. Um aspecto que permaneceu especialmente difícil para nossa família é a explicação oficial de que sua morte teria sido um suicídio. Antes de partir para o Brasil, meu avô teria escrito uma carta para sua família. Nela, disse aos seus filhos pequenos que traria presentes quando voltasse e pediu que obedecessem à mãe e se comportassem bem enquanto ele estivesse fora. Compreendo perfeitamente que uma carta como essa, por si só, não pode estabelecer o estado de espírito de uma pessoa nem determinar a causa de sua morte. No entanto, segundo minha família, não havia nada em sua última carta que indicasse uma intenção de tirar a própria vida. Pelo contrário, ele escreveu sobre voltar para casa e para sua família.
Por esse motivo, a explicação de suicídio permaneceu como uma questão sem resposta para nossa família durante muitos anos. Naquela época, minha avó e seus filhos pequenos, na Coreia, viviam em circunstâncias financeiras muito difíceis e não tinham qualquer possibilidade de viajar ao Brasil para investigar o que havia acontecido ou identificar pessoalmente o corpo dele. Segundo o que foi transmitido em nossa família, as únicas coisas que eles finalmente receberam do Brasil foram uma fotografia tirada após sua morte e um pequeno recorte ou fragmento de sua unha. Como resultado, nossa família não teve nenhuma oportunidade de verificar pessoalmente as circunstâncias ocorridas no Brasil e teve pouca escolha a não ser confiar nas informações que lhes foram enviadas.
Durante aproximadamente 45 anos, portanto, nossa família nunca soube exatamente o que aconteceu com meu avô no Brasil, por que ele foi detido, quais foram as circunstâncias precisas de sua morte ou o que finalmente aconteceu com seu corpo. Por isso, encontrar seu artigo foi extremamente significativo para nós, e gostaria respeitosamente de perguntar se o senhor/a senhora ainda se lembra de alguma coisa sobre sua reportagem a respeito desse caso ou se ainda possui algum material daquela época. Se possível, ficaria profundamente grato se pudesse me dizer se se lembra de algum dos seguintes detalhes: O senhor/a senhora chegou pessoalmente a ver ou entrevistar o homem coreano envolvido no caso, ou recebeu as informações da polícia ou de outras fontes? Além do funcionário do DPF Sadock Reis, o senhor/a senhora se lembra de outros policiais, autoridades, testemunhas ou fontes relacionadas ao caso? Lembra-se do nome da empresa de pesca que, segundo consta, entregou o cidadão coreano à Polícia Federal? O senhor/a senhora entrou pessoalmente em contato com o Instituto Médico Legal Renato Chaves ou chegou a visitá-lo? Foi informado(a) de alguma coisa sobre a autópsia ou a causa médica da morte? O senhor/a senhora ainda possui anotações originais, rascunhos, fotografias, recortes de jornais ou uma cópia do artigo publicado em O Estado de S. Paulo em 1981? Lembra-se se posteriormente ficou sabendo o que aconteceu com o corpo dele — por exemplo, se foi liberado, repatriado ou sepultado no Brasil? Além da explicação policial de que sua morte teria sido um suicídio, houve algum aspecto das circunstâncias de sua morte que tenha levantado dúvidas para o senhor/a senhora como jornalista, ou houve alguma questão que tentou investigar mais profundamente na época?
Mesmo o menor detalhe de que o senhor/a senhora ainda possa se lembrar significaria muito para mim e para minha família. Se souber de alguma pessoa, instituição, arquivo ou coleção de jornais que ainda possa guardar registros relacionados a esse caso, também ficaria sinceramente grato por qualquer orientação. Também posso fornecer uma cópia da seção relevante do registro familiar oficial coreano de meu avô. O documento registra seu nome e sua morte em Belém, Brasil, em 22 de janeiro de 1981. Peço desculpas por entrar em contato inesperadamente a respeito de um acontecimento ocorrido há quase 45 anos. No entanto, graças ao seu artigo, eu e minha família encontramos, pela primeira vez, uma pista concreta que talvez possa nos ajudar a compreender os últimos dias da vida de meu avô. Mesmo uma pequena lembrança do que o senhor/a senhora viu, ouviu ou tentou investigar na época teria um significado muito profundo para nossa família. Muito obrigado por dedicar seu tempo à leitura da minha mensagem. Atenciosamente
Jaehyun Ryu Seul, Coreia do Sul
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Quem tiver alguma informação sobe esse assunto, por gentileza, me envie.
Com informações: www.oestadonet.com.br
Crédito imagem: Criada pelo Chat GPT
