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Memória (1958-2026): Oscar Schmidt descansa na sexta e entra para o time eterno e imortal de Pelé, Senna e cia.

Gênio das quadras e da vida, brasileiro foi daqueles raros patrícios admirado, reconhecido e bem afamado pelo mundo e gente que presta.

Duzentos anos antes de Oscar Schmidt ser paparicado pelo Dream Team, em 1992, nas Olimpíadas de Barcelona, no dia 21 de abril de 1792, Tiradentes foi martirizado, eternizado. 


Em 1985, dois anos antes do ouro contra os EUA no Pan de Indianápolis de 1987, a épica vitória - a maior da sua carreira esportiva -, dito pelo próprio, que é, afinal, o que mais importa, no mesmo 21 de abril o Brasil perderia seu presidente escolhido pelo Congresso Nacional, Tancredo Neves, primeiro civil eleito após 21 anos de ditadura militar.


Ayrton Senna partiria para a eternidade no feriado de 01 de maio de 1994, dez dias após o 21 de abril que se tornara feriado em 1965, tamanha a importância do militar e alferes condecorado pelo governo do general presidente Castello Branco como o Patrono da Nação Brasileira. Castello, militar como Tiradentes e o pai de Oscar.  


Numa quadra curiosa, dolorida e pitoresca nas terras brasilis, 17 de abril acaba de se eternizar como uma daquelas datas que entram na memória, dão saudade no peito, faz-se silêncio reverencial e observa-se o filme da vida pelo seu epílogo: a morte. O fim material, existencial.


Para tanto, basta que se ame os esportes, o Brasil e grandes feitos por meio de excepcionais patrícios. Aos olhos dos seus concidadãos e compatriotas, assim foi Oscar Schmidt.

E, na esteira da admiração e reconhecimento, vieram os mundos ocidental e oriental. E todos os lados de vida racional e desportiva, de preferência nos regimes democráticos pelo planeta afora.


Oscar, em 17 de abril, 14 dias antes do 01 de maio de Ayrton Senna, que partiu na curva de alta dez dias depois dos mineiros Tiradentes e Tancredo. “Deus está nas coincidências…”, já dizia o Nelson, o Rodrigues.


Vem o pernambucano Nelson enquanto celebro Oscar pensando em outro mineiro, o Otto Lara Resende; o alter ego do Rodrigues não sai da minha cabeça desde aquele mesmo 1992 no qual também subiu.


Sim, subiu porque quem o conheceu mais do que eu, sabe que era santo na Terra. Mas nasceu, como prova de que a vida pode brilhar na alegria da alvorada tanto quanto no crepúsculo trágico, em 01 de maio; sim, na data do domingo da Tamburello, a curva de alta velocidade que resolveu se eternizar na despedida a quase 400 por hora do Ayrton.


Naquele 1992 em que o Dream Team que encantou o mundo reverenciou o Oscar, partiu o Otto. Dois anos depois, no seu aniversário de nascimento, 01 de maio, foi-se o semideus Senna. Tristeza não tem fim, escreveu o Vinicius, amigo do Otto e do Nelson.


Otto Lara Resende me ensinou sobre as “amizades unilaterais” e cá estou falando nelas de novo. Graças aos que lhe amavam, eram seus amigos e de tanto ouvi-los (lê-los), e especialmente à Editora Cia das Letras, me tornei amigo unilateral dele.


Graças ao Oscar, sempre tive muito orgulho de ser brasileiro. Graças ao Oscar, Senna, Pelé, Zico, Maria Esther, Guga, João do Pulo, Tom Jobim, Nelson, Otto e tanta gente melhor que eu. 


Graças a esse time e os que esqueço ou não convém citá-los agora, combato todos os dias meu complexo de vira-latas - olha o Nelson aí de novo, gente! Muito graças ao Oscar e a dezenas de outros fãs e amigos do Otto, que já foram dessa pra melhor, como se dizia por aqui.


A minha “amizade unilateral” com o Oscar, se dá pelo meu fascínio pelo talento.

Mas não um fascínio - que no caso dele é gigantesco -, somente pela sua genialidade no esporte em que se tornou um dos deuses mundiais de todos os tempos, mas pela pessoa simples, autêntica; por ter sido sempre um cidadão na acepção da palavra.


Um trabalhador incansável, obstinado, dono de uma disciplina admirável, carismático, estudioso cuja dedicação encantava companheiros, dirigentes, adversários, veteranos e jovens talentos. 


Oscar merece todas homenagens e mais algumas. Aqui não vai um resumo da sua carreira e feitos, porque existem especialistas em esportes e basquete que irão ter seus textos distribuídos no Brasil e no mundo, dando show numa hora triste dessas.


Aqui há mais um entre tantos registros do meu “muito obrigado".

Aqui tem um relato de brasileiro grato. Grato ao ídolo de tantos no esporte. Mas, sobretudo, grato pelos ensinamentos nas vitórias, derrotas e diante das adversidades.


Oscar foi grande em todos os campos, além das quadras.

Qual um estoico, o mesmo olímpico das quadras e da vida, ele enfrentou a doença que descobriu quando contava a década dos 50. Sexta-feira, no 17 que entrou para o panteão dos eternizados em abril no Brasil, ele estava a dois de chegar aos 70. 


A vida e suas curvas, seus mistérios. O atleta do século XX, Pelé, sofreu as dores físicas de um mortal entre esses mesmos 70 e a chegada dos 80. E nós, simples mortais, achamos que eles durariam para sempre também por aqui.


Que sirva de lição. As tvs, internet, rádios, smartphones, tablets, tudo que comunica no século XXI tem informação precisa e perfeita sobre os feitos do Oscar nesses dias e pra sempre.


Os olímpicos, números, as fases épicas na Itália, Espanha; as marcas, o não à NBA, as homenagens, o hall da fama, seus fãs famosos, as passagens pelos clubes brasileiros e tudo mais.


Aí, já consagrado, mas não cansado, muito menos esgotado, Oscar quis passar uns verões no ErreJota e desfilar seu talento, mãos santas, treinadas e quentes no Mais Querido. 


E novamente ele foi melhor que eu, pois conseguiu me surpreender, flamenguista roxo.

Afinal, se apaixonou, virou torcedor, amou, ganhou e foi amado pelo Rio todo. Ou quase. O foda é escrever o que vai a seguir:


“O Oscar foi Flamengo até morrer”. Mão Santa não morre. É imortal.


A obra dele, eterna, está toda aí. Por que digo isso? A razão pela qual?


Sou um deles, um simples mortal. 


Mas, se pensarmos que você, meu concidadão Oscar, estava um pouco cansado, dolorido, há tanto tempo realizado, foi um descanso merecido.


Valeu, Oscar! Muito, muito obrigado. Você foi foda! O cara! Sem igual.


Que honra estar naqueles 70 pontos ao vivo no Re x Pa de 1999. Salvo engano, 35 para cada lado. Dois tempos que valeram a eternidade e na memória não se apagam. 


Aqui tem amor cristão, orgulho, gratidão, um coração rubro-negro como o seu, que também pulsa com 100% de emoção. 


Nisso, um homem comum se iguala ao atleta excepcional. Como se diz hoje em dia, totalmente “fora da curva”.


Se der, diz pro Ayrton e pro rei Pelé, que um dia queria uma foto e um autógrafo de vocês três, a trindade dos heróis esportivos nacionais que descansam no Reino do Deus Pai. Aquele que só Ele tudo sabe. 


Amém. 











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Toni Remigio
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