Mal de Alzheimer e Cannabis: estudo mostra benefícios do uso de mini doses de THC E CBD.
O jornal O Globo publicou sobre um estudo, realizado na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), que observou os efeitos da Cannabis para o tratamento de Alzheimer.
Com o envelhecimento natural da população, o número de pessoas que vivem com o Alzheimer também aumentam. Frente à ausência de tratamentos curativos e à eficácia limitada dos medicamentos disponíveis, cresce o interesse por novas abordagens terapêuticas, como o uso da Cannabis.
O estudo foi publicado no periódico internacional Journal of Alzheimer’s Disease, e observou os efeitos das microdoses de Cannadis em pacientes com Alzheimer leve.
Segundo O Globo, os resultados são discretos, mas carregam uma mensagem promissora: talvez o futuro da cannabis medicinal esteja nas doses invisíveis, e não nos efeitos psicoativos que ainda assustam muitos pacientes e médicos.
A pesquisa administrou extrato de Cannabis contendo THC e CBD em concentrações extremamente baixas diariamente nos pacientes com Alzheimer leve.
Após alguns estudos mostrarem avanço no tratamento, os autores decidiram avançar com um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo em voluntários humanos.
Após 24 semanas de tratamento, o grupo que recebeu o extrato com THCapresentouumaestabilização dos escores, enquanto o grupo placebo teve piora. Ou seja, o impacto foi modesto mas relevante.
Com esses resultados, o estudo propõe uma nova visão do tratamento. Os autores sugerem que as microdoses de Cannabis podem servir como prevenção do Alzheimer, quase como uma suplementação que protege o cérebro do declínio associado à idade.
Muito da resistência de utilizar o tratamento, segundo a reportagem, é cultural. Há uma aversão aos efeitos da planta, como o famoso “ficar chapado”.
Mas o que o estudo mostra é que pode haver uma saída: as microdoses são tão baixas que não provocam alterações perceptíveis de consciência, mas que ainda podem modular sistemas biológicos importantes, como a inflamação e a neuroplasticidade.
A conclusão do estudo pode abrir portas para novas formulações com foco em prevenção, especialmente em populações mais vulneráveis, como idosos com comprometimento cognitivo leve ou histórico familiar de demência.
É importante ressaltar que o tamanho da amostra é pequeno e os efeitos se restringiram a uma dimensão da escala de cognição. Porém, ainda assim, é o primeiro estudo a ter efeitos com microdoses de Cannabis.
Para avançarmos, serão necessários novos estudos com maior número de participantes, tempo de seguimento mais longo e combinação com marcadores biológicos.
Créditos da imagem: Agência Brasil.
