Mais 12,5 por cento: investigação sobre trabalho forçado aumenta pressão tarifária dos EUA contra o Brasil
Relatório divulgado pelo USTRtambém cita presença de produtores na Lista Suja do Trabalho Escravo
Uma alegada investigação comercial dos EUA torna-se a justificativa para nova taxação dos EUA ao Brasil. Desta feita, o governo Trump uniu a nação brasileira a outros 59 países cobrando uma nova (mais uma) sobretaxa de 12,5% em razão de alegada “presença de trabalho forçado”.
De acordo com o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), o Brasil falhou em barrar a importação de produtos feitos com trabalho forçado, o que criaria concorrência desleal que justifica nova taxa a produtos brasileiros.
O
documento elenca a presença de trabalho forçado na produção de
gado no Brasil, inclusive citando a presença de produtores
agropecuários na Lista Suja do Trabalho Escravo.
O texto
afirma ainda que 90% das exportações de carne bovina brasileira
congelada, em 2025, foram para países que estão sendo investigados,
como para a China.
No
relatório, é feita correlação entre o aumento das exportações
do Brasil para a China e a queda das norte-americanas para o mesmo
país.
“Em volume, as exportações brasileiras de
carne bovina congelada para a China aumentaram mais de 17 vezes,
passando de 94 mil toneladas métricas em 2015 para quase 1.650 mil
toneladas métricas em 2025”, diz o texto.
“As
exportações brasileiras de carne bovina congelada para a China
superaram em muito as exportações americanas de carne bovina
congelada para a China, que têm apresentado uma tendência de queda
nos últimos anos”, acrescenta.
Outros
produtos exportados pelo Brasil também são elencados, como o
algodão, que estaria indo para países investigados. As importações
brasileiras também foram analisadas.
Segundo o
documento, o Brasil e outros países investigados importam os mesmos
produtos de países com presença de trabalho escravo e dos Estados
Unidos, o que seria concorrência desleal.
“Por
exemplo, entre 2021 e 2025, as economias investigadas importaram
arroz de Mianmar, tabaco do Malawi ou algodão da China, enquanto, ao
mesmo tempo, importaram um ou mais desses produtos dos Estados
Unidos. Consequentemente, parece haver competição nesses mercados
entre as exportações dos EUA e os bens importados que apresentam
risco de trabalho forçado”, diz.
Justificativas
Falha
em impor proibição legal: o Brasil está incluído na lista de 54
economias que falharam em impor proibição legal à importação de
bens produzidos total ou parcialmente com trabalho forçado.
Embora
o Brasil alegue proibir importações produzidas com trabalho forçado
por meio da implementação de seus compromissos em acordos de
investimento e acordos de livre comércio, o documento afirma que
essas disposições não proíbem legalmente a importação de bens
produzidos total ou parcialmente com trabalho forçado de outra
economia para o mercado doméstico para venda.
Falha
em aplicar efetivamente proibição: o Brasil também está incluído
na lista de economias que falharam em aplicar efetivamente proibição
de importação de trabalho forçado. Na ausência de proibição
legal de importação de trabalho forçado, não há proibição para
o Brasil aplicar efetivamente.
Irrazoabilidade
e restrição ao comércio dos EUA: a falha do Brasil em impor e
aplicar efetivamente proibição de importação de trabalho forçado
é considerada irrazoável e restringe o comércio dos EUA.
Trabalho
forçado na produção de carne bovina: o documento menciona que é
bem documentado que o trabalho forçado é usado na produção de
gado no Brasil. Um estudo independente sugere que pecuaristas
brasileiros estão na “Lista Suja” do Brasil.
Exportações
de carne bovina congelada: o Brasil é um grande exportador de carne
bovina congelada. Em 2025, 90% das exportações de carne bovina
congelada do Brasil foram para as economias investigadas. O volume
das exportações de carne bovina congelada do Brasil para as
economias investigadas quase dobrou entre 2015 e 2025.
Concorrência
com exportações dos EUA: as exportações de carne bovina congelada
do Brasil para a China aumentaram significativamente, superando as
exportações dos EUA para a China.
O valor unitário
médio da carne bovina importada da China do Brasil em 2025 foi 41%
menor do que o dos EUA, sugerindo vantagem de custo.
A
falha da China em impor e aplicar efetivamente proibição de
importação de trabalho forçado para a carne bovina do Brasil
concedeu vantagem de custo à carne bovina brasileira e distorceu a
concorrência.
Dados
de exportação de algodão: o Brasil importou algodão da China
entre 2021 e 2025, com valores de importação variando de 57 milhões
de dólares em 2022 para 63 milhões de dólares em 2025.
Concorrência
distorcida nos EUA: o Brasil é listado como uma economia que
importou insumos de trabalho forçado (alumínio, algodão, cacau,
café, níquel, amendoim, polissilício, arroz, tabaco) e exportou
produtos a jusante para os Estados Unidos entre 2021 e 2025, o que
indica concorrência distorcida no mercado dos EUA.
Com
informações: portal Metrópoles
Crédito ilustração:
reprodução redes sociais
