Juros na estratosfera, governo perdulário e o resultado? Mercado financeiro eleva previsão da inflação para 5,09 por cento este ano.
Informação foi divulgada nesta segunda-feira pelo Banco Central
A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial da inflação no país, passou de 5,04% para 5,09% este ano.
A estimativa está
no Boletim Focus desta segunda-feira, 1º de junho, pesquisa
divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa de
instituições financeiras para os principais indicadores
econômicos.
Com
a guerra no Oriente Médio pressionando o preço dos combustíveis e
a inflação, a previsão para o IPCA deste ano foi elevada pela
décima segunda semana seguida, estourando o intervalo da meta que
deve ser perseguida pelo BC.
Estabelecida
pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é 3%, com intervalo
de tolerância de 1,5 ponto percentual. Ou seja, o limite inferior é
1,5% e o superior, 4,5%.
Em
abril, o preço dos alimentos pressionou a inflação oficial, que
fechou em 0,67%. O IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,39%, de
acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
ainda dentro do teto da meta de inflação.
Para
2027, a projeção da inflação variou de 4,01% para 4,02%. Para
2028 e 2029, as estimativas são de 3,66% e 3,5%, respectivamente.
Taxa
Selic
Para
alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal
instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida atualmente em
14,5% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC.
Na
última reunião, em abril, por unanimidade, o colegiado reduziu a
Selic em 0,25 ponto porcentual, pela segunda vez seguida, apesar das
tensões em torno da guerra no Oriente Médio.
De
junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o
maior nível em quase 20 anos. O Copom voltou a cortar os juros na
reunião passada, num cenário de queda da inflação.
No
entanto, a guerra no Oriente Médio, que se refletiu no aumento dos
preços de combustíveis e de alimentos, dificulta o trabalho do
Copom.
Em
ata, o colegiado não deu pistas sobre a evolução dos juros. No
documento, o BC informou que está monitorando o conflito e os
efeitos de um possível prolongamento sobre a inflação.
O
próximo encontro do Copom para definir a Selic será nos dias 16 e
17 de junho.
Nesta
edição do Focus, a estimativa dos analistas de mercado para a taxa
básica até o fim de 2026 permaneceu em 13,25% ao ano.
Para
2027 e 2028, a previsão é que a Selic seja reduzida para 11,25% ao
ano e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve ficar em 10%
ao ano.
Quando
o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida, o
que causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem
o crédito e estimulam a poupança.
Assim, taxas mais
altas também podem dificultar a expansão da economia.
Os
bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros
cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e
despesas administrativas.
Quando
a Taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais
barato, com incentivo à produção e ao consumo, diminuindo o
controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.
PIB
e câmbio
Nesta
edição do boletim do Banco Central, a estimativa das instituições
financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano saiu
de 1,89% para 1,9%.
Para 2027, a projeção para o
Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no
país) permanece em 1,7%. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro
estima expansão do PIB em 2% para os dois anos.
No
primeiro trimestre de 2026, a economia do país cresceu 1,1% na
comparação com o último trimestre de 2025. No acumulado de 12
meses, houve expansão de 2%, de acordo com o IBGE.
Em
2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, com expansão em todos os
setores e destaque para a agropecuária. O resultado representa o
quinto ano seguido de crescimento.
No
Focus desta semana, a previsão da cotação do dólar está em
R$5,16 para o final deste ano. No fim de 2027, estima-se que a moeda
norte-americana fique em R$5,25.
Com informações e imagem: Agência Brasil
