Guerra EUA x Irã: Após Forças Militares dizerem que bloqueio naval ao estreito de Ormuz começa nas próximas horas, petróleo dispara de novo.
Preço voltou a subir nesta segunda-feira. Barril tipo Brent ultrapassa os US$100, alta de mais de 7%
O serviço brasileiro da BBC repercutiu nesta segunda, 13, a alta no preço do petróleo após as Forças Armadas dos EUA afirmarem que farão um bloqueio aos portos iranianos a partir das 11h desta segunda-feira, 13, (horário de Brasília).
Nervosismo
Com
a informação, os mercados reagiram com nervosismo aos novos
acontecimentos do conflito no Oriente Médio. O preço do petróleo
voltou a subir com força nhoje, com o barril do tipo Brent
ultrapassando os US$100 — alta de mais de 7% — refletindo temores
sobre o impacto do bloqueio no fornecimento global de energia.
A decisão ocorre após negociações de paz entre Irã e EUA fracassarem no fim de semana.
Nas redes sociais, o
presidente americano, Donald Trump, havia dito, no domingo, que iria
"bloquear" todos os navios que tentem entrar ou sair do
estreito
de Ormuz, uma rota marítima vital para a economia global e que
dá acesso aos principais portos iranianos.
Segundo Trump
publicou nas redes sociais, ele "instruiu a Marinha a procurar e
interceptar toda embarcação em águas internacionais que tenha pago
um pedágio ao Irã" para passar por Ormuz.
Desde o
início da guerra, o Irã faz um bloqueio seletivo de uma das vias
marítimas mais importantes do mundo; só permite a passagem de
navios de países que Teerã considera amistosos ou por embarcações
que se acredita terem pago um pedágio, estimado em cerca de US$ 2
milhões (R$ 10 milhões).
"Ninguém que pague um pedágio ilegal terá passagem segura no alto-mar", disse Trump, acrescentando que "qualquer iraniano que atirar contra nós, ou contra embarcações pacíficas, será explodido até o inferno".
Mais tarde, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) afirmou que o bloqueio será apenas para navios que entram e saem de portos iranianos.
O Centcom afirmou que não bloqueará embarcações no estreito de Hormuz se elas estiverem a caminho "de e para portos não iranianos".
Pelo menos 60 embarcações passaram pelo estreito — uma média de 10 por dia — desde que o cessar-fogo foi anunciado na noite da última terça-feira (7/4).
O que é o Estreito de Ormuz
No centro desta guerra, o estreito
de Ormuz é uma das rotas de energia mais importantes do mundo, que
conecta os produtores do Oriente Médio aos principais mercados da
Ásia-Pacifico, da Europa e América do Norte.
Desde que o Irã anunciou seu fechamento, no dia 2 de março, logo após os primeiros ataques de Israel e dos Estados Unidos, a rota se tornou um dos epicentros da atual guerra no Oriente Médio.
Até então,
cerca de 20% de todo o petróleo consumido no planeta passava por
ali. Esse petróleo não vem apenas do Irã, mas também de países
do Golfo, como Iraque, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados
Árabes Unidos.
Quase 90%
desse volume segue para a Ásia. A China, sozinha, recebe cerca de
38%, seguida por Índia, Coreia do Sul e Japão.
Além disso, o
estreito é uma rota essencial para o gás natural liquefeito, usado
como combustível na indústria, no transporte e no aquecimento de
residências em vários países.
Por ali também passam fertilizantes utilizados na agricultura em todo o mundo, inclusive no Brasil.
No sentido
contrário, é pelo estreito de Ormuz que entram alimentos,
medicamentos e outros produtos essenciais para o Oriente Médio.
Antes
do conflito, cerca de 130 embarcações passavam pelo estreito de
Ormuz todos os dias. Hoje, esse fluxo caiu para cinco ou seis navios
— uma redução de cerca de 95%.
Qualquer
instabilidade no estreito de Ormuz tem impacto quase imediato no
restante do mundo, afetando preços, cadeias de abastecimento e
economias inteiras.
Com informações:
BBC News Brasil
Crédito imagem: Google
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