Estudo mostra que combate ao desmatamento diminui violência na Amazônia
Um estudo realizado pelo projeto Amazônia 2030, obtido com exclusividade pela DW e divulgado pela Folha de S. Paulo, mostrou que o combate ao desmatamento diminui as taxas de violência na Amazônia.
Os dados mostram que, nos locais onde a fiscalização é mais presente, a taxa de homicídios cai 15% em comparação aos números regionais.
Com essa presença de fiscalização mais intensiva, é como se 1.477 pessoas deixassem de ser vítimas por ano.
Segundo a Folha, os parâmetros de violência foram as taxas de homicídio entre 2006 e 2016. Nesse período, a Amazônia teve um crescimento desproporcional de mortes violentas. Enquanto a taxa nacional teve 8% de aumento, os municípios amazônicos registraram alta de 57,3%.
O estudo mostrou que a violência está localizada principalmente em áreas rurais, perto de áreas griladas, áreas de desmatamento, garimpo e retirada ilegal de madeira. São os pontos onde a força se sobrepõe, os conflitos fundiários são intensos e há poucos sinais do Estado, ressalta o estudo.
Os dados consideraram os efeitos da fiscalização ambiental sobre a violência em 521 municípios da Amazônia Legal. A base de informações usada sobre mortes violentas foi o DataSUS, sistema alimentado por cidades e estados.
Depois de um ano de pesquisa, o estudo mostrou que o aumento da fiscalização reduzia a violência letal.
Uma das explicações para isso, segundo os autores, é que o reforço da fiscalização diminui as chances de desmatamento especulativo e as disputas territoriais —uma das principais causas da violência no campo na Amazônia. Outro motivo apontado está no aumento da presença do Estado nas regiões estudadas.
Segundo a Folha, a equipe de pesquisadores espera que as conclusões impulsionem uma agenda positiva para o futuro mais sustentável e menos violento já que, na região analisada, os homicídios afetam principalmente homens jovens, pobres e negros.
Créditos da imagem: Polícia Federal.
