Estadão revela diálogos de Daniel Vorcaro mostrando que BRB cobria rombo do Master desde 2024
Precisamos com urgência’, diz trambiqueiro e golpista em mensagens inéditas. Ele também diz que precisaria usar ‘depósito compulsório’ caso dinheiro do banco estatal do DF não entrasse.
O repórter Aguirre Talento, da sucursal de O Estado de S. Paulo em Brasília, revela com exclusividade na edição online do centenário periódico deste sábado, 18, que:
“Diálogos
inéditos extraídos do telefone celular do banqueiro Daniel Vorcaro
mostram que o Banco Master recorreu a aportes do Banco de Brasília
ao menos desde agosto de 2024 para poder cobrir sua crise de
liquidez”.
O anúncio, lembra Aguirre Talento, da oferta
de compra do Master pelo banco estatal controlado pelo governo do
Distrito Federal foi feito em março de 2025.
“As
conversas, obtidas com exclusividade pelo Estadão, mostram que o BRB
já injetava dinheiro para ajudar a instituição de Vorcaro a não
quebrar desde meados de 2024”, escreveu.
Outro
lado
Procurada, a defesa de Vorcaro disse que não iria
comentar. O banqueiro está preso desde 4 de março e negocia uma
delação premiada. A defesa de Paulo Henrique não respondeu.
A reportagem
também revela que em diversas mensagens de diferentes períodos, o
banqueiro cita a necessidade de viabilizar “com urgência” os
aportes do banco estatal.
“Esses aportes foram feitos
por meio da cessão de carteiras de crédito consignado, cédulas de
crédito bancário e outros investimentos”, diz o texto.
Carteiras
falsas
A reportagem
destaca que “até o final de 2024, as carteiras de crédito
consignado cedidas pelo Master ao BRB tinham lastro, mas, de acordo
com as investigações, depois disso, o banco de Vorcaro passou a
fabricar falsas carteiras para conseguir viabilizar os aportes do
BRB”.
Compulsório
Outra
revelação exclusiva destaca que em uma das conversas, o
golpista mineiro afirma que iria ter de usar o “depósito
compulsório” do Master para cobrir suas contas “caso o BRB não
aportasse recursos no banco”, escreve Aguirre.
“O
compulsório é uma espécie de poupança obrigatória determinada
pelo Banco Central para garantir a liquidez de um banco e dar
segurança ao sistema financeiro”, lembra o autor.
600 milhões
Entre
outras revelações, a matéria destaca um diálogo entre Vorcaro e
seu ex-sócio Augusto Lima, no qual o ex-banqueiro fala da urgência
em cobrir o rombo do banco campeão de fraudes.
“Precisamos
por uns 600 mm (milhões) no caixa. Pra resolver tudo nosso”. Lima
respondeu: “Essa semana entra”.
Fraudes
bilionárias
“Segundo as investigações das autoridades -
que levaram à liquidação do banco em novembro de 2025 -, o Master
cometeu fraudes bilionárias e desviava recursos para os seus donos
por meio de uma complexa cadeia de fundos de investimentos”,
encerra.
Aguirre e
Belém
Entre 2011 e 2013,
o baiano Aguirre Talento viveu em Belém trabalhando para a Folha
de S. Paulo. Pouco
tempo depois, nos anos da “Lava Jato”, (2014 - 2018), o premiado repórter se destacaria na grande imprensa nacional por publicar
matérias
e revelações exclusivas sobre
a operação.
Livro
Em
2022, em parceria com a jornalista Bela Megale, ele lançou o
livro "O fim da Lava-Jato: Como a atuação de Bolsonaro,
Lula e Moro enterrou a maior e mais controversa investigação do
Brasil".
Publicada pela editora Globo Livros, a obra
narra os bastidores e os desdobramentos que levaram ao encerramento
da maior operação de combate à corrupção do Brasil
Saiba mais em: www.estadao.com.br
Com informações: Estadão
Crédito foto: Reprodução Polícia Federal
