Encontro bilateral na Ásia: Trump e Lula se reúnem para destravar relação entre as duas nações
"Sabemos o que cada um quer", disse o republicano à CNN sobre negociação com Lula. Brasileiro fala que teve “ótima reunião” com o americano.
Logo após se reunir com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, neste domingo, 26, em Kuala Lumpur, na Malásia, por cerca de 50 minutos, o presidente dos EUA, Donald Trump, também disse acreditar em um "bom acordo" após a imposição de tarifas aos produtos brasileiros
"Acho que conseguiremos fechar alguns bons acordos, como temos conversado, e acho que acabaremos tendo um ótimo relacionamento", disse o presidente dos EUA durante o encontro com Lula, de acordo com matéria publicada no site Poder360. O brasileiro, por sua vez, publicou na rede X sobre sua impressão a respeito da reunião:
“Tive uma ótima reunião com o presidente Trump na tarde deste domingo, na Malásia. Discutimos de forma franca e construtiva a agenda comercial e econômica bilateral. Acertamos que nossas equipes vão se reunir imediatamente para avançar na busca de soluções para as tarifas e as sanções contra as autoridades brasileiras”.
A reunião durou cerca de 45 minutos. O encontro começou por volta de 15h50 do horário local (4:50 da manhã em Brasília) terminando por volta das 16h35. Os presidentes foram à Malásia participar da 47ª cúpula de chefes de Estado da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático).
Assessores
Lula estava acompanhado do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, do assessor da Presidência da República, Audo Faleiro, e do secretário-executivo do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Márcio Elias Rosa.
Donald Trump esteve acompanhado do secretário de Estado, Marco Rubio, do seu análogo do Tesouro, Scott Bessent, e do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

Imprensa
Pouco antes da reunião, os líderes atenderam a imprensa do Brasil e dos EUA. Na conversa, o americano disse esperar um desfecho rápido para as questões das tarifas. Trump também revelou que a Venezuela não estaria na pauta.
Segundo o site Poder360, o brasileiro revelou ter em suas mãos uma “extensa lista” de assuntos para discutir, mostrando uma pasta com a ela e os itens (em inglês), desses tópicos, pois sabia que o tempo era curto para discutir todos.
Tarifaço
O petista tenta reverter a sobretaxa de 40% aplicada a produtos brasileiros importados. O presidente também quer o fim de medidas restritivas impostas pelos EUA a autoridades brasileiras.
“Circunstâncias certas”
No caminho para a Malásia, segundo o Poder360, Donald Trump teria sinalizado a jornalistas a bordo do Air Force 1, que está disposto a reduzir as tarifas sobre os produtos brasileiros, ressaltando que isso deve se dar “sob as circunstâncias certas”.
Sem exigências
“Não tem exigência dele e não tem exigência minha ainda. Eu vou colocar na mesa os problemas e vamos tentar encontrar uma solução. Então, podem ficar certos que vai ter uma solução”, disse Lula a jornalistas.
Mecanismos de coerção
Ao discursar em evento da Universidade Nacional da Malásia, no sábado 25, o brasileiro afirmou que as “tarifas não são mecanismos de coerção”. “Nações que não se dobraram ao colonialismo e à dicotomia da Guerra Fria não se intimidarão diante de ameaças irresponsáveis”, completou ele.
Assimetria com o “Sul Global”
Mesmo sem citar os EUA ou Trump, Lula disse na mesma oportunidade que “o recrudescimento do protecionismo e a paralisia da Organização Mundial do Comércio impõem uma situação de assimetria insustentável para o Sul Global”.
Preliminares
A reunião bilateral entre os dois vinha sendo organizada desde o encontro informal entre ambos nos bastidores da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, no mês de setembro, oportunidade em que Trump disse que tinha havido uma “química excelente” entre eles.
Desde então, os governos do Brasil e dos EUA passaram a trabalhar pela viabilização da conversa oficial.
Telefonema
No meio do caminho, os presidentes se falaram por telefone, quando Lula lembrou Trump que o Brasil é um dos três países com quem os EUA mantêm superávit comercial, aproveitou para solicitar a retirada da sobretaxa de 40% aplicada a produtos brasileiros importados e o fim de medidas restritivas contra autoridades do País.
Vieira e Rubio
Em seguida, o chanceler Mauro Vieira se reuniu em Washington com o secretário de Estado Marco Rubio, afirmando após o encontro que este havia sido muito produtivo.
Bolsonaro e guinada
A aproximação marca uma guinada na postura de Trump, que em julho impôs tarifas adicionais sobre produtos brasileiros e condicionou a normalização das relações à suspensão do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).
O que cada um quer
Ao ser questionado se os EUA reduziriam as tarifas ao Brasil, Trump disse que eles iriam discutir isso por um tempo, acrescentando que: “nós nos conhecemos uns aos outros. Sabemos o que cada um quer".
"Acho que conseguiremos fechar alguns bons acordos, como temos conversado, e acho que acabaremos tendo um ótimo relacionamento", disse ele.
Brasília
Lula embarcou para a Ásia no sábado, 18 de outubro, deixando por aqui um rastro de contrariedade nos manda-chuvas do Senado, Davi Alcolumbre, e do STF, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, em razão da sua iminente indicação do “Bessias”, o atual advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta na Corte Suprema com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso.
Fala delinquente
Já na Malásia, o brasileiro proferiu a frase infame sobre traficantes serem “vítimas” de usuários de drogas, pela qual, obviamente, teve de se retratar.
Virado pra lua
Como se vê, caso a “química” entre ele e Trump se confirme e a tributação dos produtos brasileiros retorne aos patamares pré-tarifaço, novamente o petista não pode se queixar da sorte, independente da sua origem humilde e repleta de dificuldades, bem como do período em que passou encarcerado, e de onde saiu apesar do excesso de provas dos “malfeitos” nos seus tempos de glória, sobretudo do seu segundo mandato em diante.
Eduardo Bananinha
A pergunta que não quer calar ao “camisa 10” de Lula, Eduardo “Bananinha” Bolsonaro: E agora? Estás satisfeito, filisteu?
Crédito fotos: reprodução X - Ricardo Stuckert (Presidência da República)
