Em OSTADONET: Rio Tapajós tem vazante acelerada, focos de fogo avançam no entorno do estado e Pará acende alerta para a estiagem
É justamente diante desse cenário que a governadora Hana Ghassan declarou situação de alerta climático e ambiental em todo o Estado por 180 dias
De
Santarém
O
rio Tapajós continua baixando em Santarém, no oeste do Pará, e
chega a um cenário que reforça a preocupação com os efeitos da
estiagem na região.
Nesta quinta-feira, 27, a régua de medição da
Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), instalada no
porto da Companhia Docas do Pará (CDP), marcou 4,93 metros, 22
centímetros abaixo da marca registrada na segunda-feira, 24.
A
queda ocorre ao mesmo tempo em que o Pará entra em alerta climático
e ambiental por 180 dias, com o governo estadual prevendo medidas
para enfrentar uma possível intensificação da seca, das queimadas
e das ondas de calor.
É
justamente diante desse histórico que o decreto estadual publicado
nesta semana ganha importância. A governadora do Pará, Hana
Ghassan, declarou situação de alerta climático e ambiental em todo
o Estado por 180 dias, em caráter preventivo, diante das projeções
relacionadas ao fenômeno El Niño para 2026 e 2027.
O
Decreto Estadual nº 5.606/2026 considera riscos como redução das
chuvas, estiagem, seca, diminuição da disponibilidade de água,
incêndios florestais, ondas de calor e piora da qualidade do ar.
O
decreto não significa que o Pará esteja em estado de emergência ou
calamidade pública. A intenção é antecipar a preparação do
poder público para um eventual agravamento das condições
climáticas.
Entre as ações previstas estão a
capacitação de brigadas, abertura de aceiros, implantação de
cisternas, recuperação de poços, fornecimento emergencial de água
e formação de estoques de alimentos e medicamentos.
Segundo
o boletim diário da Defesa Civil de Santarém, o nível do Tapajós
estava em 5,15 metros na segunda-feira, segundo medição da Agência
Nacional das àguas (ANA). Na terça (25), caiu para 5,07 metros; na
quarta, 26, chegou a 4,99 metros; e nesta quinta-feira atingiu 4,93
metros.
A marca atual está 1,17 metro abaixo da
registrada no mesmo período de 2025, mas ainda é 1,37 metro
superior à de 2024 e 16 centímetros acima da registrada em 2023.
A descida do rio ocorre em um momento de atenção para a região amazônica. O comportamento do Tapajós, isoladamente, não permite apontar uma crise hídrica, mas a sequência de redução do nível, em um período de poucas chuvas, passa a ser um dos indicadores acompanhados pelas autoridades diante da possibilidade de uma estiagem mais severa.
No
campo das queimadas, os dados mais recentes do Fire Information for
Resource Management System (FIRMS), da NASA, mostram que a
distribuição dos focos nesta quinta-feira não concentra a maior
pressão sobre Santarém. Veja
AQUI.
As ocorrências se espalham principalmente pela
Calha Norte, pela região da Transamazônica e pelo leste do
Amazonas, especialmente nas áreas próximas à divisa com o Pará.
Na área de Santarém, há poucos focos detectados pelo
monitoramento.
O FIRMS utiliza dados de satélites para identificar anomalias térmicas, mas a própria NASA ressalta que os registros não representam necessariamente incêndios em todos os pontos detectados e podem sofrer interferência da cobertura de nuvens e de outras condições de observação.
O
cenário atual também é diferente daquele vivido por Santarém em
anos recentes. Por enquanto, apesar da estiagem, não há registro de
uma nuvem de fumaça avançando sobre a cidade com a intensidade
observada em períodos anteriores.
Em 2024, porém, a
fumaça das queimadas encobriu Santarém e provocou uma grave
deterioração da qualidade do ar.
Segundo o Ministério
Público Federal, em 24 de novembro daquele ano a poluição chegou a
quase 43 vezes o limite anual recomendado pela Organização Mundial
da Saúde, e o município registrou mais de seis mil atendimentos
relacionados a problemas respiratórios entre setembro e novembro.
O
histórico de queimadas ajuda a explicar por que o atual período de
estiagem é acompanhado com atenção. Em 2024, Santarém registrou
592 focos de incêndio, sendo 330 apenas nos meses de novembro e
dezembro, segundo dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais (Inpe).
A fumaça que atingiu a
cidade também teve origem em incêndios registrados em municípios
da região.
No ano seguinte, houve redução. De janeiro a 8 de dezembro de 2025, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente contabilizou 333 focos, uma queda de aproximadamente 44% em relação aos 592 registrados em 2024.
O
decreto da governadora Hana Ghassan também estabelece que o uso do
fogo em áreas rurais, quando permitido pela legislação, deverá
ser previamente informado e autorizado pelo órgão competente.
O
governo estadual determinou ainda a elaboração, no prazo de até 12
meses, do Plano Estadual de Adaptação à Mudança do Clima, com
medidas voltadas à segurança hídrica e alimentar, prevenção de
incêndios e proteção ambiental.
Em Santarém, o alerta estadual encontra uma realidade que já exige monitoramento. Entre 1º de junho e 19 de agosto deste ano, o Corpo de Bombeiros registrou 55 atendimentos relacionados a incêndios no município, enquanto a Semma acompanha denúncias de queimadas irregulares em áreas urbanas.
A
diferença em relação aos anos de fumaça intensa é que, neste
momento, o fogo detectado por satélite não se concentra de forma
expressiva no entorno imediato de Santarém e não há, até agora, a
mesma nuvem de fumaça que transformou a cidade em um dos locais com
pior qualidade do ar do planeta em 2024.
O alerta,
portanto, é menos sobre uma crise instalada e mais sobre a
necessidade de evitar que a combinação entre rio em baixa, estiagem
prolongada e avanço das queimadas em outras áreas da Amazônia
produza novamente um cenário crítico.
Com o Tapajós descendo dia após dia e o Estado já mobilizando uma estrutura preventiva para enfrentar seca e incêndios, o comportamento do rio, dos focos de calor e da qualidade do ar passa a ser acompanhado como parte de um mesmo cenário climático.
A preocupação, neste momento, é evitar que a situação de hoje, ainda sem fumaça intensa sobre Santarém, seja apenas a antecipação de um problema maior durante o avanço da estação seca.
Com informações: www.oestadonet.com.br
*Crédito ilustração: Fire Information for Resource
Management System (FIRMS), em 27/08/2026
*Imagens do satélite da NASA indicam pontos de fogo na Calha Norte do rio Amazonas, na rodovia Transamazônica e no estado do Amazonas, na divisa com o Pará
