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Em OESTADONET: Queimadas seguem avançando em Alter do Chão, brigadistas denunciam exaustão e prefeitura articula reforço na fiscalização

Cenário é de alerta com incêndios de grandes proporções, equipes exaustas e risco para a vegetação, animais silvestres e moradores que vivem nas proximidades

O avanço das queimadas em Santarém, no oeste do Pará, tem mobilizado brigadistas, bombeiros e equipes de fiscalização ambiental em duas áreas de preocupação: a região de Alter do Chão, incluindo a Área de Proteção Ambiental (APA) Alter do Chão, e a APA Saubal.


O cenário é de alerta, com incêndios de grandes proporções, equipes exaustas e risco para a vegetação, os animais silvestres e moradores que vivem nas proximidades dos focos.

 

Diante do aumento das ocorrências, equipes de fiscalização ambiental da Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), participaram de uma reunião com representantes do Corpo de Bombeiros, da Companhia Ambiental da Polícia Militar e da Divisão Especializada de Meio Ambiente e Proteção Animal (Demapa), da Polícia Civil.

 

Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Elder Stéfanno, diretor-presidente da Brigada Alter, demonstrou preocupação com a sequência de ocorrências na região de Alter do Chão.

Segundo ele, os brigadistas passaram a madrugada combatendo um incêndio de grandes proporções e, pouco depois, outro foco foi registrado na região da Capadócia.

 

"Ontem nós fomos para uma segunda ocorrência de grande proporção aqui na APA. Nós ficamos de 8h da noite até 4h30 da manhã combatendo e, nesse momento, estoura mais um incêndio na região da Capadócia. O que está acontecendo? Nós não temos equipe disponível, eu estou exausto, os outros brigadistas estão exaustos, os guardiões estão exaustos", relatou.

 

As imagens registradas pelos brigadistas mostram uma grande quantidade de fumaça e a proximidade das chamas com áreas de vegetação e estruturas utilizadas por visitantes e moradores.

 

Em outro trecho do vídeo, uma equipe aparece na região da Floresta Encantada, nas proximidades da antiga Maloca Viva. No local, os brigadistas relatam que era possível ouvir o barulho intenso do fogo e observar cinzas sendo levadas pelo vento até o deck da área.

 

"Essa é a nossa amada Floresta Encantada, olha como é que está. A gente ouve aqui um barulho de fogo muito alto. As cinzas estão caindo aqui no deck, já está voando cinza, está muito perto", descreve um dos registros.

 

Os brigadistas também questionam a possibilidade de queimadas relacionadas à limpeza de terrenos. Em um dos trechos, Elder mostra uma área com vegetação cortada, resíduos e ferramentas, e manifesta preocupação com a possibilidade de o material ser queimado novamente.

Não há, até o momento, confirmação sobre a autoria ou a responsabilidade por essas possíveis queimadas.

 

Nesta tarde, o brigadista João Romano informou que aeronaves do Governo Federal devem reforçar o combate ao incêndio em Alter do Chão, mas alertou para a gravidade da situação e a possibilidade de os focos estarem relacionados a disputas fundiárias e à ocupação irregular do solo.

 

Ele também demonstrou preocupação com o retorno de pessoas ao local para empilhar galhos, o que poderia indicar uma nova preparação para queimada.

Romano lembrou que foi um dos brigadistas criminalizados em 2019 e lamentou que, anos depois, a região continue enfrentando problemas semelhantes.

Segundo ele, as equipes estão exaustas, combatendo incêndios em diferentes pontos de Alter do Chão, enquanto os responsáveis pelos focos ainda não são identificados.

 

Uma das lideranças de Alter do Chão, Amanda Borari relatou que, após o incêndio na área do Camarão ser controlado com a mobilização de brigadistas e moradores, um novo foco foi registrado na comunidade de Areia Branca.

Segundo ela, integrantes do grupo de guardiões identificaram indícios de preparação para provocar outro incêndio na área do Camarão, o que, na avaliação dela, reforça a suspeita de ação criminosa. 

 

Ela cobrou maior fiscalização dos órgãos públicos e destacou que Alter do Chão é território tradicional do povo indígena Borari.


Ela também associou a situação à especulação imobiliária e à grilagem de terras, ressaltando que lideranças indígenas, guardiões e brigadistas estão mobilizados tanto no apoio logístico quanto no combate direto às chamas.

A liderança lamentou os danos à savana e afirmou que a situação é ainda mais dolorosa diante de atitudes de deboche atribuídas a pessoas que estariam envolvidas nos incêndios.

 

A jovem Vivia Srayllem contestou as afirmações de que os incêndios em Alter do Chão seriam fenômenos naturais recorrentes e apresentou áudios que, segundo ela, levantam suspeitas de queimadas criminosas relacionadas à venda de terrenos e à ocupação de áreas de vegetação.

Os registros mencionam terrenos sendo comercializados, áreas desmatadas e relatos de que o fogo teria atingido propriedades próximas. As gravações também apontam suspeitas de preparação de terrenos para novas queimadas.

Diante das denúncias, a situação reforça a cobrança por investigação e fiscalização para identificar a origem dos incêndios e responsabilizar os possíveis envolvidos.

 

APA Saubal também enfrenta incêndio - Outra área que concentra preocupação é a Serra do Saubal. O incêndio por lá chegou ao quinto dia de combate nesta sexta-feira (6), exigindo reforço nas operações.

 

Duas aeronaves agrícolas do modelo Air Tractor foram utilizadas para lançar água sobre as áreas atingidas e ajudar a conter o avanço das chamas, principalmente nos trechos de difícil acesso.

 

Equipes do Corpo de Bombeiros também atuam diretamente na vegetação para controlar os focos. O incêndio preocupa pela proximidade com áreas habitadas e pelos possíveis danos à fauna e à flora da unidade de conservação, que possui aproximadamente 154 hectares.

 

A operação conta ainda com a mobilização da Operação Pará Oeste, força-tarefa coordenada pelo Ibama e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), voltada ao combate de incêndios florestais no estado.

 

Prefeitura articula reforço na fiscalização

Diante do aumento das ocorrências, equipes de fiscalização ambiental da Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), participaram de uma reunião com representantes do Corpo de Bombeiros, da Companhia Ambiental da Polícia Militar e da Divisão Especializada de Meio Ambiente e Proteção Animal (Demapa), da Polícia Civil.

 

O encontro foi realizado no Centro Municipal de Informação e Educação Ambiental (Ciam) e teve como objetivo definir estratégias conjuntas para combater as queimadas, reforçar a fiscalização e identificar possíveis responsáveis por incêndios provocados de forma irregular.

 

A reunião faz parte da articulação entre o governo municipal e o Governo do Pará. A Prefeitura solicitou apoio estadual tanto para as operações de combate ao fogo quanto para a fiscalização e investigação de possíveis crimes ambientais.

 

A secretária municipal de Meio Ambiente, Vânia Portela, destacou que a atuação integrada permitirá reunir informações sobre a origem dos incêndios e encaminhá-las aos órgãos responsáveis.

 

"Esse trabalho é fundamental para que os responsáveis por queimadas irregulares sejam identificados e respondam por suas condutas", afirmou.



Com informações e imagem: www.oestadonet.com.br





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Toni Remigio
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