Crise do Ueno Bank provoca prejuízo de R$ 76 milhões à Conmebol e abala futebol paraguaio
Entidade que administra o futebol sul-americano tinha recursos depositados na instituição financeira paraguaia, afetada por uma grave crise.
A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) teve cerca de US$ 14 milhões (aproximadamente R$ 76 milhões) comprometidos após a intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank. A crise financeira da instituição atingiu diretamente o futebol paraguaio e também afetou clubes, jogadores e entidades esportivas do país.
O valor estava aplicado em um certificado de depósito a prazo fixo na instituição financeira. Segundo informações divulgadas pela Conmebol ao Estadão, o montante representa aproximadamente 2,3% da receita obtida pela entidade em 2025. Apesar do dinheiro retido, a confederação afirmou que a situação não compromete suas operações nem o pagamento das premiações das competições continentais.
Clubes e jogadores também são afetados
O Ueno Bank mantinha contratos de patrocínio com importantes instituições do futebol paraguaio. Entre elas estão a Associação Paraguaia de Futebol (APF), o Olimpia e o Cerro Porteño.
A crise também provocou dificuldades no pagamento de salários e premiações de jogadores e integrantes das comissões técnicas, já que o banco era utilizado para administrar a folha salarial de clubes e da própria federação nacional.
O Olimpia encerrou o contrato de patrocínio com a instituição, enquanto o Cerro Porteño também iniciou medidas para romper o vínculo comercial. A marca do banco chegou a ser retirada dos uniformes das equipes.
Crise ultrapassa o futebol
O Ueno Bank passou a ser alvo de intervenção do Banco Central paraguaio após apresentar problemas de solvência, indicador que mede a capacidade de uma instituição financeira de cumprir suas obrigações. A crise atingiu aproximadamente 3 milhões de clientes, que enfrentaram restrições de acesso às contas e aos recursos depositados.
A repercussão também provocou uma crise política no país. O presidente Santiago Peña foi afastado após processo de impeachment aprovado pelo Senado paraguaio, em meio a questionamentos sobre suas antigas relações empresariais com o grupo controlador do banco.
Apesar dos impactos financeiros, a Conmebol garantiu que as finais da Libertadores e da Copa Sul-Americana estão mantidas e que os valores destinados às premiações não serão comprometidos pela crise bancária.
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