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Em OESTADONET: Prefeitura de Santarém decreta emergência ambiental após piora do ar e avanço das queimadas

Corpo de Bombeiros destaca necessidade de fortalecer a articulação entre as instituições para ampliar a prevenção e a capacidade de resposta às ocorrências

De Santarém



A fumaça das queimadas, a piora na qualidade do ar e o aumento dos focos de incêndio levaram Santarém, no oeste do Pará, a decretar situação de emergência ambiental.

A medida foi oficializada quarta-feira, 28, por meio do Decreto Municipal nº 792/2026, que tem vigência de 180 dias, com possibilidade de prorrogação, e proíbe o uso do fogo, inclusive para limpeza e manejo de áreas, conforme as regras estabelecidas no documento.

A decisão também amplia a mobilização de órgãos públicos e fortalece as ações de prevenção, fiscalização e combate aos incêndios.

A medida foi anunciada após uma reunião extraordinária do Comitê Municipal de Gestão de Riscos de Queimadas e Mudanças Climáticas, convocada pela Prefeitura para discutir o agravamento do cenário ambiental.

Participaram representantes do poder público municipal, estadual e federal, além de pesquisadores da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Corpo de Bombeiros e da Companhia Independente de Policiamento Ambiental (Cipamb).

 

O novo decreto complementa a situação de emergência por estiagem, estabelecida anteriormente pelo Decreto Municipal nº 774/2026, de 15 de outubro.

Com a medida, os órgãos municipais ficam autorizados a mobilizar recursos humanos, materiais e operacionais para prevenir e monitorar incêndios florestais, responder às ocorrências e reduzir os impactos da poluição atmosférica.

 

“Diante do agravamento dos incêndios florestais e dos impactos na qualidade do ar, estamos adotando mais essa medida para fortalecer a atuação integrada dos órgãos municipais, estaduais e federais”, destacou o prefeito José Maria Tapajós.

 

Qualidade do ar preocupa autoridades

O cenário também é acompanhado por pesquisadores da Ufopa, responsáveis pelo monitoramento da qualidade do ar e dos focos de incêndio.

Segundo boletim divulgado na quarta-feira, 28, a qualidade do ar em Santarém foi classificada como “muito ruim” nas 24 horas anteriores, reforçando a preocupação com os efeitos da fumaça sobre a saúde da população.

 

Já às 5h desta quinta-feira, 29, dados apresentados pela plataforma IQAir para Santarém indicavam Índice de Qualidade do Ar (AQI⁺) de 87, classificado como moderado, e concentração de partículas finas PM2.5 de 28,5 microgramas por metro cúbico (µg/m³).

Segundo a plataforma, esse nível de PM2.5 equivale a 5,7 vezes o valor da diretriz anual de concentração estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

 

Às 08h55, durante o fechamento desta matéria, o índice da plataforma IQAir para Santarém indicavam AQI⁺) de 113.

As partículas PM2.5 têm diâmetro igual ou inferior a 2,5 micrômetros e podem penetrar profundamente no sistema respiratório.

A exposição à fumaça preocupa especialmente crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.

 

Entre as recomendações apresentadas pela IQAir estão reduzir a prática de exercícios ao ar livre nos grupos mais sensíveis, manter as janelas fechadas quando houver fumaça no ambiente externo e, quando indicado, utilizar purificadores de ar e máscaras adequadas.

 

Satélites identificam focos de calor na região

Os dados de monitoramento por satélite também apontam registros de calor em diferentes áreas do entorno de Santarém.

No levantamento disponível, foram identificadas detecções a cerca de oito quilômetros a sudoeste da cidade, 11 quilômetros a noroeste, 15 quilômetros ao sul e 18 quilômetros a norte-noroeste.

Também aparecem agrupamentos a 33 quilômetros a nordeste e a aproximadamente 85 quilômetros a sudeste. Nesse último agrupamento, o levantamento indicou 461 detecções de calor. 

 

Durante a reunião do comitê, o comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Piquet, destacou a necessidade de fortalecer a articulação entre as instituições para ampliar a prevenção e a capacidade de resposta às ocorrências.

Ele apontou a região do Chapadão como uma das áreas que exigem atenção especial, devido à concentração de focos identificados pelo monitoramento.

 

A secretária municipal de Meio Ambiente, Vânia Portela, afirmou que a reunião teve como objetivo reunir os órgãos responsáveis para discutir medidas mais rigorosas, tanto no combate aos incêndios quanto na investigação para identificar os responsáveis por queimadas criminosas.

 

Parceria entre Prefeitura e Ufopa amplia monitoramento

Uma das principais estratégias para enfrentar a crise é a cooperação técnica e científica entre a Prefeitura de Santarém e a Ufopa.

A parceria prevê a divulgação diária de boletins sobre a qualidade do ar, com base em dados coletados por sensores da universidade, além de avaliações semanais com informações gerais sobre as condições ambientais do município.

 

A iniciativa é conduzida, pela Prefeitura, pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) e, pela universidade, pelo Laboratório de Agrometeorologia com Modelagem da Bioeconomia e Diagnóstico Ambiental (Lambda).

 

Os equipamentos utilizados no monitoramento estão instalados na Unidade Tapajós e na Fazenda Experimental da Ufopa, em Santarém, além dos campi de Monte Alegre e Itaituba.

Os sensores permitem acompanhar a presença de material particulado e gases potencialmente tóxicos, contribuindo para a análise das condições atmosféricas.

 

A estrutura está vinculada ao projeto Centro de Agricultura, Tecnologias, Estudos Geoambientais Observacionais e Referência em Inovação da Amazônia, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e coordenado pelo professor Gabriel Brito Costa, do Instituto de Biodiversidade e Florestas (Ibef).

 

Segundo o coordenador do Lambda, a cooperação amplia o acesso da população a informações científicas e oferece subsídios para o planejamento de políticas públicas, a prevenção de riscos à saúde e a proteção ambiental.

 

Os boletins diários começaram a ser divulgados nas redes sociais da Prefeitura de Santarém. Análises mais completas também estão previstas para o site do laboratório.

 

Fiscalização e mobilização conjunta

Além da produção de informações sobre a qualidade do ar, a Prefeitura busca intensificar a atuação integrada das instituições responsáveis pela fiscalização e pelo combate aos incêndios.

A participação do Ibama, do ICMBio, do Corpo de Bombeiros e da Cipamb é considerada estratégica para ampliar a prevenção, identificar áreas críticas e apurar possíveis infrações ambientais.

 

Durante a reunião, professores da Ufopa também apresentaram informações sobre o contexto climático e a influência de fenômenos como o El Niño nas condições de estiagem.

O debate buscou relacionar os fatores climáticos à vulnerabilidade da região, sem afastar a necessidade de investigar as causas de cada ocorrência.

 

A orientação é que moradores comuniquem ocorrências às autoridades competentes e evitem qualquer prática que possa provocar novos incêndios.



Com informações: www.oestadonet.com.br

Crédito Reprodução OESTADONET






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Toni Remigio
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