#

Em OESTADONET: Memória de Santarém - a trajetória de Manoel Maria, que iniciou a carreira no futebol na cidade e brilhou ao lado de Pelé

Série dedicada à preservação dos arquivos materiais e imateriais de Santarém, estado do Pará, revela nuances da política, da sociedade e da economia, nos séculos XIX e XX

Editor: Lúcio Flávio Pinto - Miguel Oliveira/Redator


A história de Manoel Maria Evangelista Barbosa dos Santos, um dos maiores nomes do futebol paraense e ídolo do Santos, ganhou um registro especial no documentário “Manoel Maria, Pérola da Amazônia”, produção que reúne imagens históricas, gols, entrevistas de época e depoimentos de amigos, familiares e companheiros que testemunharam a carreira do ex-ponta-direita.O documentário do jornalista Carlos Ferreira foi lançada em agosto deste ano no cinema do Museu do Pelé, em Santos e está disponível no Youtube, AQUI


Antes de vestir a camisa do Santos e dividir o campo com Pelé, Manoel Maria construiu parte importante de sua trajetória no Pará, incluindo uma passagem pelo São Raimundo, de Santarém, cidade que também faz parte da história de sua família e de seus primeiros passos no futebol.

Nascido em Santarém, em 29 de fevereiro de 1948, Manoel Maria carregava o futebol no sangue. Seu pai, David Natanael Barbosa dos Santos, foi árbitro da Liga de Santarém nos anos 1940. 


Ainda jovem, Manoel passou pelo São Raimundo, de Santarém, e posteriormente vestiu camisas importantes do futebol paraense, como Remo, Tuna Luso Brasileira e Paysandu. Foi na Tuna que iniciou a carreira profissional e ganhou projeção suficiente para chamar a atenção de grandes clubes do país. 


Em 1965, ainda muito jovem, Manoel recebeu uma investida do Remo para integrar a equipe juvenil. A negociação ganhou um capítulo curioso: entre os atrativos oferecidos estava a oportunidade de assistir a um amistoso entre Remo e Santos, com Pelé em campo. Manoel aceitou. Naquele dia, Pelé estava no gramado e o futuro companheiro observava tudo da arquibancada. Três anos depois, os dois estariam juntos no Santos.

 

A ascensão de Manoel Maria ganhou força em 1967. Na época, ele disputava competições como amador e acabou convocado para a seleção pré-olímpica brasileira. A oportunidade surgiu após ser indicado por pessoas ligadas ao futebol paraense, entre elas o jornalista Imar Nunes. A convocação foi viabilizada pela Federação Paraense e pela então CBD, atual CBF.

 

O desempenho de Manoel pela Tuna foi decisivo para sua carreira. Ele foi eleito revelação do ano e passou a despertar o interesse de grandes clubes brasileiros. Entre as propostas, o Santos foi escolhido. O motivo também tinha um peso especial: era o clube de Pelé.

 

A chegada ao Santos aconteceu em 1968. Manoel Maria integrou inicialmente a equipe que viajou para a Europa para disputar um torneio na Alemanha. Depois, incorporou-se ao elenco profissional na Suíça. Foi nesse período que começou uma das amizades mais marcantes de sua vida.

 

Magro e muito veloz, Manoel recebeu o apelido de “Lagartixa”. Pelé passou a chamá-lo carinhosamente de “Mamá”, apelido que o acompanharia pelo resto da vida. Dentro de campo, o paraense rapidamente conquistou espaço e admiração. Companheiros de Santos passaram a compará-lo a Garrincha pela velocidade, pelos dribles e pela capacidade de chegar à linha de fundo.

 

No Santos, Manoel Maria formou uma das linhas ofensivas mais lembradas pelos companheiros. Ao lado de nomes como Negreiros, Coutinho, Pelé e Edu, participou de um dos períodos mais importantes da história do clube. Dorval estava encerrando sua passagem pelo time quando Manoel chegou para assumir a ponta direita e logo se tornou uma das principais atrações da equipe.

 

Os números oficiais ajudam a dimensionar a importância do jogador. Entre 1968 e 1973, Manoel Maria disputou 174 partidas pelo Santos e marcou 34 gols oficialmente. Ele também recorda outros três gols marcados em amistosos pelo clube.

 

A carreira, porém, foi interrompida por um grave acidente de carro, no dia 8 de outubro de 1970. Manoel sofreu fraturas no crânio e em cinco costelas e permaneceu 11 dias em coma. As lesões atingiram principalmente o lado direito do corpo, afetando coluna e pernas. Depois da recuperação, conseguiu voltar a ser titular do Santos, mas já não apresentava o mesmo rendimento de antes.

 

O acidente também interrompeu um caminho que poderia ter levado Manoel ainda mais longe. O jogador chegou a ser convocado entre os 40 nomes observados para a Seleção Brasileira em 1970, mas não viajou com a equipe. Pelé lembra no documentário que o amigo tinha potencial para alcançar a Seleção caso não tivesse enfrentado os problemas provocados pelo acidente.

 

Mesmo com a carreira encurtada, Manoel Maria deixou uma marca profunda no Santos e em seus companheiros. Pelé o descreveu como um irmão e destacou a velocidade do ponta. Outros ídolos santistas também o colocaram entre os grandes jogadores da posição na história do clube.

 

Depois de encerrar a carreira, Manoel permaneceu em Santos, onde construiu a vida ao lado da família. A relação com Pelé também ultrapassou os gramados. Os dois continuaram amigos por décadas e compartilharam momentos históricos, como o período em que o Santos ajudou a parar uma guerra e a celebração do milésimo gol de Pelé.

 

A ligação de Manoel com o Pará, entretanto, nunca desapareceu. Em 2000, ele foi eleito o melhor ponta-direita da Seleção Paraense do Século, reconhecimento que o levou de volta a Belém para receber homenagens. Foi nessa ocasião que também conheceu pessoas que se tornariam grandes amigos, entre elas Vanderlei Melo, de Castanhal.

 

A amizade acabou aproximando também as famílias de Manoel e Pelé. Por meio do ex-jogador paraense, amigos tiveram a oportunidade de conhecer o Rei do Futebol em momentos mais íntimos, longe dos estádios. O documentário mostra justamente essa dimensão menos conhecida da relação entre os dois.

 

A produção “Manoel Maria, Pérola da Amazônia”, com 28 minutos de duração, foi idealizada e produzida pelo jornalista Carlos Ferreira, do Grupo Liberal. O projeto nasceu a partir de uma eleição da Seleção Paraense do Século realizada em 2000. Ao conhecer melhor a trajetória de Manoel e sua relação com Pelé, Ferreira percebeu que havia material suficiente para transformar aquela história em documentário.

 

O filme foi lançado oficialmente no cinema do Museu do Pelé, em Santos, com a presença de personalidades do esporte e de ídolos eternos do clube. A produção reúne gols, imagens de arquivo, entrevistas antigas e depoimentos que ajudam a reconstruir a trajetória do jogador paraense.

 

Entre os registros mais especiais estão as lembranças de Manoel Maria e Pelé sobre o primeiro encontro entre os dois, ainda em 1965, quando Santos e Remo se enfrentaram em Belém. O documentário também resgata a amizade construída ao longo de décadas e o carinho que Manoel conquistou entre os santistas.

 

Para além do jogador que encantou o público com a camisa 7 do Santos, o filme apresenta o homem por trás do atleta. Os filhos destacam Manoel como pai, exemplo e referência de caráter. Amigos e antigos companheiros reforçam a imagem de um homem querido, que transformou a curta e intensa carreira em uma história que permanece viva.

 

Do Pará ao Santos, dos primeiros passos no futebol e da passagem pelo São Raimundo, em Santarém, à convivência com Pelé e aos grandes momentos do futebol mundial, Manoel Maria construiu uma trajetória singular. Uma história que agora fica eternizada nas telas como a de uma verdadeira “Pérola da Amazônia”.



Com informações e imagem: www.oestadonet.com.br


 


 






YouTube - @podcastdoamazonico
Instagram - @doamazonico
Facebook - O Amazônico
Toni Remigio
Fale conosco:
E-mail: contato@oamazonico.com.br
WhatsApp - Telegram: 91 98537-3356

Back to top button
Voltar para o topo