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Em OESTADONET: Dentro de uma reserva biológica nos limites de Almeirim e Monte Alegre, uma jazida de minerais e de terras raras que ninguém tocou

Depósito de Maicuru, 'conhecido e não explorado', guarda titânio, fosfato e terras raras. Mas está cravado numa área onde a lei só admite uso indireto dos recursos naturais

O Brasil tem 21 depósitos de terras raras já identificados. Uma mina. Nenhuma refinaria. E pelo menos quatro dessas jazidas — incluindo o maior recurso do país — seguem completamente intocadas, sem uma frente de pesquisa sequer aberta.


Uma delas fica dentro dos limites da Reserva Biológica Maicuru, unidade de conservação de proteção integral que se estende pelos municípios de Almeirim e Monte Alegre, no oeste do Pará.

 

O depósito de Maicuru guarda titânio, fosfato e terras raras. Mas está cravado numa área onde a lei só admite uso indireto dos recursos naturais — sem mineração, sem extração, sem intervenção direta no ecossistema.

É um dos quatro depósitos que o Serviço Geológico do Brasil classifica como "conhecido e não explorado", ao lado de Seis Lagos, no Amazonas, o maior recurso do país, avaliado em quase 2,9 bilhões de toneladas e parado há décadas; Repartimento, em Roraima; e Itapemirim, no Espírito Santo.

Nenhum tem sequer um alvará de pesquisa mineral em andamento.

 

Dos 21 depósitos cadastrados, só três produzem, e apenas um — a Serra Verde, em Minaçu (GO) — produz terras raras como produto principal; os outros dois são minas de fosfato que carregam terras raras como subproduto.

Dois projetos estão em estudo de viabilidade (Caldeira e Carina) e outro grupo, incluindo o Alvo IV, o Colossus e as antigas areias monazíticas de Cumuruxatiba e Buena, está em exploração inicial.

 

Seis projetos concentram todo o capital e cronograma do setor: Serra Verde, Carina (Aclara), Caldeira (Meteoric), Colossus (Viridis), Rocha da Rocha (Brazilian Rare Earths) e Araxá (St George).

De todos eles, só a Rocha da Rocha planeja separar óxidos em território nacional — os demais mandam concentrado ou carbonato para ser refinado nos Estados Unidos, na Coreia do Sul, na França ou no Reino Unido. 

 
O Brasil segue sem nenhuma planta industrial de separação por extração de solventes em operação, mesmo tendo tecnologia própria testada desde os anos 1990 e uma rede de institutos (CETEM, SENAI, IPT, UFSC, USP) capaz de levar terras raras a óxidos de alta pureza — só que em escala de laboratório e piloto, não industrial.

 

Essa etapa é justamente onde está a maior parte do valor econômico. Minerais como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio são fundamentais para a produção de ímãs de alto desempenho.

 

Hoje, projetos brasileiros avançam principalmente na mineração e na produção de concentrados ou carbonatos, enquanto etapas mais sofisticadas da cadeia, como separação, produção de metais e fabricação de ímãs, ainda dependem em grande parte de estruturas no exterior.


O resultado é que o Brasil tem jazidas, pesquisa e potencial mineral, mas ainda precisa construir uma cadeia industrial capaz de transformar essa riqueza em produtos de maior valor agregado.

 

A China domina hoje cerca de 91% da separação mundial, não por vantagem geológica, mas por décadas de política de Estado: pesquisa pública, crédito dirigido, tolerância a passivo ambiental e controle de exportação. 


Estados Unidos, Japão, França e Austrália responderam com pisos de preço, estoques estratégicos e financiamento direto. 

 

O Brasil, até agora, só ofereceu instrumentos de custo — crédito e isenção fiscal —, sem nenhum mecanismo que garanta receita ou demanda para uma planta nacional.




Com informações: www.oestadonet.com.br

Crédito Imagem: Imazon, via OESTADONET






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Toni Remigio
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