Direto do interior: açaí e cacau paulistas na área
Quem imaginaria que culturas tipicamente amazônicas invadiriam as terras paulistas e se adaptaram ao interior de São Paulo?
Deu na Folha
Matéria assinada por Flávia G. Dinho no caderno Agrofolha, do jornal paulista Folha de S. Paulo, edição desta quarta-feira, 30, afirma que os agricultores locais planejam acelerar o investimento na produção.
Clima comparado
Ainda que a autora afirme em seu texto ser “impossível comparar as condições climáticas da Amazônia com os extremos do clima no interior de São Paulo”, onde, prossegue ela, “a gangorra dos termômetros é a regra e as tempestades se alternam com longos períodos de seca”, e finaliza: “não é que os paulistas estão cultivando açaí e cacau, duas das culturas amazônicas mais emblemáticas?”.
Recente
O texto revela que a iniciativa é recente; os primeiros projetos datam de 2021. Há cerca de 14 anos, os agrônomos da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, se empenhavam em descobrir uma cultura que pudesse ser consorciada com as seringueiras, que se dão bem na região.
Fazenda São Luiz
Foi quando souberam que em uma propriedade em Tabapuã, a Fazenda São Luiz, vinham combinando seringueiras e cacau com bons resultados. Um dos agrônomos disse que “foi uma surpresa e tanto”, pois muitos haviam tentado cultivar cacau em São Paulo, desde os anos 1970, mas nunca funcionava, pois faltava irrigação, revelou.
Açaí
A reportagem se dirigiu a cerca de 50 quilômetros da Fazenda São Luiz, onde o produtor Nelcindo Gonsalez, ex-executivo da mineradora Vale, por questões afetivas, apostou em outra cultura amazônica, o açaí. Afirmando que viveu quase 30 anos aqui no Pará, e se habituou a comer açaí fresco, batido na hora, diariamente.
Selo Embrapa
“A variedade genética BRS Pai D’Égua, desenvolvida pela Embrapa Amazônia Oriental, prometia adaptabilidade ao terreno irrigado artificialmente e se mostrou uma opção acertada. O plantio, iniciado há cerca de dez anos, já chegou a 12 hectares”, disse ele à reportagem.
Metas
"A produtividade, em São Paulo, nunca vai ser igual, porque o Pará não tem o frio daqui. Consigo de 5 a 6 toneladas por hectare, mas chegaria a 15 na amazônia", compara Gonsalez.
Gumkee
A repórter entrevistou o empresário Marcelo Gumiero, que, segundo ela, “está apostando alto no cacau e no açaí em sua propriedade de Valentim Gentil, também no noroeste paulista, onde já investiu R$2 milhões”, afirmou. Seu plano, escreve, é chegar a 5.000 pés de açaí e 12 mil de cacau.
Sorbets
O investidor revelou que falta pouco para atingir a meta. Ele disse ainda que pretende transformar o açaí em polpa para a indústria de sorbets. A empresa já tem nome, marca registrada e site, Gumkee, e não deve se limitar a essas duas culturas.
Crédito imagem:
Mudas de açaí de propriedade em Valentim Gentil, no noroeste paulista - Divulgação Gumkee
Cacau da Fazenda São Luiz, de Tabapuã (SP) - Divulgação Fazenda São Luiz
